Um outro Borges (trivialidades)

Segundo a sua polémica viúva, em entrevista à BBC Mundo, o autor de El Aleph gostava de sashimi (embora o seu prato favorito fosse “arroz com manteiga e queijo”). Já as suas preferências musicais não se ficavam pelos canónicos Brahms ou J. S. Bach. Segundo Kodama, também apreciava «coisas divertidas», como os Pink Floyd e os Rolling Stones. Espantado, o jornalista insiste:

¿Pink Floyd?
Sí, le encantaba. Tal es así que el himno para su cumpleaños no era el Happy Birthday sino The Wall.

¿Cómo lo descubrió?
No sé. La película The Wall es terrible y la vimos infinidad de veces. En un momento creo que sabía de memoria los diálogos. Le gustaba ese tipo de música porque decía que era una cosa de enorme fuerza, terrible pero vital.

¿Y los Rolling Stones?
Le encantaban, también decía que tenían una fuerza increíble. Un día estábamos en el hotel Palace de Madrid, esperando a que vinieran a buscarnos para cenar, y veo que viene Mick Jagger. Se arrodilla, le agarra la mano a Borges y le dice: “Maestro, yo lo admiro”. Borges, un poco asombrado, no lo veía, dice: “¿Y usted quién es, señor?”. Y él responde: “Soy Mick Jagger”. Borges dice: “Ah, uno de los Rolling Stones”. Mick Jagger casi se desmaya y pregunta: “¿Cómo maestro, usted me conoce?”. Y Borges dice: “Sí, gracias a María”. Yo le había contado a Borges que en una película que se llama “Performance” aparece una gran foto de Borges y creo que Mick Jagger leyendo a Borges.

Ignoro até que ponto estes gostos musicais de Borges correspondem à verdade (há quem seja mitómano com as vidas alheias), mas seria curioso perceber qual dos temas do álbum duplo The Wall cantarolava Borges em frente ao bolo de aniversário: Confortably Numb? One of My Turns (para chocar os amigos)? Hey You? Ou, previsivelmente, Another Brick in the Wall, com o refrão adaptado para «Hey, critics, leave Georgie alone»?



Comentários

3 Responses to “Um outro Borges (trivialidades)”

  1. fallorca on Setembro 22nd, 2008 11:44

    «Hey, critics, leave Georgie alone»…
    Ah, ah, ah!!! Só mesmo de ti, diabos tragam as borboletas 😉

  2. Pedro Marques on Setembro 22nd, 2008 12:12

    A ligação do filme “Performance” ao Borges é lendária (a propósito, há um livrinho do Edgardo Cozarinski sobre os filmes”borgesianos” e onde esse filme tem lugar de enorme destaque, mesmo acima de adaptações directas como o “Estratégia da Aranha” do Bertolucci).

    O realizador Donald Cammel estava tão obcecado com o universo de Borges que terá dito à sua mulher, como últimas palavras, e após ter dado um tiro na cabeça: “vês a imagem de Borges?” Essa “imagem” era a que saía das “entranhas” de Turner/Mick Jagger quando Chas/James Fox o matou com um tiro em “Performance”. Borges faz destas coisas.

    (Nota: no filme, Jagger lê excertos de “El Sur” retirados da edição da Cape de “A Personal Anthology”, e sobre este cruzamento de livro e filme de culto leiam um post de John Coulthart: http://www.johncoulthart.com/feuilleton/2006/04/09/borges-in-performance/)

    Um abraço.

    Pedro Marques

  3. fallorca on Setembro 22nd, 2008 12:39

    Pedro Marques, gracias…

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges