Um perfume que cheira ao que cheiram os alfarrabistas
No blogue Paper Cuts encontrei este post sobre um guia que analisa e classifica aromas fechados em frasquinhos de vidro. No fundo, uma actividade semelhante à daqueles críticos de vinhos que entram em êxtase com a consistência dos taninos ou com uns levíssimos resquícios de tangerina encontrados durante uma insondável arqueologia dos sabores. Aqui acontece mais ou menos o mesmo, só que a escrita tem mais graça e menos bazófia. O livro intitula-se Perfumes: The Guide, foi escrito pela dupla Luca Turin/Tania Sanchez e traz lá dentro, entre muitas outras, a descrição de uma essência que nos faz cheirar a livros antigos, cheios de pó e com as páginas coladas. Vale a pena ler:
DZING! (L’Artisan Parfumeur) ***** vanilla cardboard
Olivia Giacobetti is here at her imaginative, humorous best, and Dzing! is a masterpiece. Dzing! smells of paper, and you can spend a good while trying to figure out whether it is packing cardboard, kraft wrapping paper, envelopes while you lick the glue, old books, or something else. I have no idea whether this was the objective, but I have few clues as to why it happened. Lignin, the stuff that prevents all trees from adopting the weeping habit, is a polymer made up of units that are closely related to vanillin. When made into paper and stored for years, it breaks down and smells good. Which is how divine providence has arranged for secondhand bookstores to smell like good-quality vanilla absolute, subliminally stoking a hunger for knowledge in all of us. L’Artisan Parfumeur is, for reasons unknown, planning to discontinue this marvel, so stock up.
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2 Responses to “Um perfume que cheira ao que cheiram os alfarrabistas”
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Zé Mário, então que dirias deste marketing alternativo (e perfeitamente horrífico):
(A autora chama-se POPPY Z. BRITE, é especialista em livros de terror gore, e mesmo a sua bio pode dizer-se que é relativamente alternativa - http://www.poppyzbrite.com/proze1.html)
“Q. I heard there was a limited edition of DRAWING BLOOD whose cover smelled of burnt human flesh. Is this true or is it some tale of tabloid trash?
A. Four copies of the Cahill Press limited edition of DRAWING BLOOD were caught in a California mail-store fire set by a racist firebomber. The guy managed to torch himself in the process, and supposedly the books ended up suffused with the odor of his barbecueing flesh. (I haven’t seen or smelled one.) Dealer Barry Levin sold them for $600 apiece, and the last I heard, they had all resold for double that. Horribly apt, no?”
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