Um poema (inédito) de Luís Filipe Cristóvão
LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE ARMANDO SILVA CARVALHO
Já não vou escrever uma rosa na janela fechada
que são os teus olhos a querer adormecer junto ao
parque verde da cidade, nem vou ser o novo grande
poeta que tu um dia esperaste que eu fosse:
este poema não é meteorológico mas eu consigo
adivinhar o vento e a chuva todas as manhãs,
tal como conheço os críticos e sei que não sirvo
para gatinhar noutra casa que não seja a do teu coração.
Até tu já adivinhas as tantas coisas que faço
para te inventar um sorriso, e tão fácil me parece
quando o consigo, tanto quanto foi nascer assim,
fora de mão, e para o resto do sempre ter os pés
à margem dos caminhos das certezas. Sim, reconheço:
sou um poeta sem qualidades para os líricos do meu tempo
e só a minha utopia não lamenta as tantas palavras
que desconheço para me dizer de um outro lado.
Não alcancei o fingimento, não sei se vou ou não por aí,
tenho a liberdade livre dos aldeões pacientes,
o sossego de poder acordar junto de ti.
Não exijo mais nada, como te disse,
adivinhei a maneira certa de adormecer
com o barulho aterrador das águas.
Luís Filipe Cristóvão é editor, livreiro e blogger.
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Sem querer estar a levantar qualquer tipo de questão extemporânea, lembro q já há um poema de José do Carmo Francisco (in Leme de de Luz, de 1993 – edição «Sol XXI Poesia»; http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/louvor-e-simplificacao-de-armando-silva-carvalho/ ) com este mesmo título.
Acrescento q sou amigo de ambos os autores.