Um telegrama de Aurelino Sousa Gomes

Entregaram-mo na recepção do hotel, quando fiz o check out:

Desculpe se comunico consigo por esta via STOP Sou um homem velho e nada tecnológico STOP Ao contrário de si, ignoro o que seja um post ou um tweet STOP Assisti de facto à primeira mesa do festival STOP Obrigado pela comparação com o general romano STOP Vivo agora na Madeira, perto da casa que me viu nascer STOP Troco longas cartas com Vila-Matas STOP Afinal é um tipo decente e interessantíssimo STOP Quanto ao seu texto, nem tudo se passou como sugere STOP Mas o essencial está correcto STOP Não me esqueço das tardes de conversa no hospital STOP Nem da amizade do seu avô STOP Agora quero que me deixem em paz STOP Sozinho frente ao mar, sem literatura STOP Espero que tenha gostado das lapas que comeu na Venda da Donna Maria STOP Fui eu mesmo que as apanhei STOP Até sempre STOP



Comentários

One Response to “Um telegrama de Aurelino Sousa Gomes”

  1. João Pedro da Costa on Abril 5th, 2011 9:03

    Fabuloso.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges