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Top-10
Lembram-se daquela extraordinária livraria de Maastricht que foi instalada numa igreja dominicana? O jornalista Sean Dodson, do The Guardian, colocou-a em primeiro lugar no seu top-10 das mais belas livrarias do mundo. Já agora, anote-se que em terceiro lugar ficou esta:

Sim, a belíssima Lello do Porto.
publicou o Bibliotecário de Babel às 16:20 de Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008 para o arquivo Geral, Imprensa estrangeira, Livrarias.
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A Lello do Porto até pode ser magnífica, mas em termos de acervo é uma tristeza, e parece estar sempre cheia de pó e de caruncho, assim como quem lá trabalha. É mais para turista ver que outra coisa qualquer. Boa livraria é que não é.
De facto de boa livraria nada tem. E, para livraria de turista, até há bem pouco tempo nem pagamento com cartão de crédito tinham disponível: os turistas têm todos conta aberta em Portugal (oxalá não seja no BCP!), como se sabe. A Lello é um bom exemplo do Porto no seu melhor e no seu pior.
Bom, não sendo do Porto e nunca tendo comprado nenhum livro na Lello, apesar de já lá ter estado dentro, a fotografia é magnífica e merece a qualificação.
já quanto ao multibanco e ao catálogo… pois…
nem sabia que ainda havia livrarias desta dimensão sem multibanco. agora em questão de catálogos podemo-nos entreter a comparar livrarias, infelizmente…
Caro José Mário,
Apenas uma correcção: a Lello tem pagamento por multibanco, o que não tem (ou não tinha até há bem pouco tempo) é pagamento por cartão de crédito. Para quem, como eu, não tenha conta aberta num banco português, o multibanco serve apenas para levantar dinheiro em caixas automáticos. Por diversas vezes, quando a Lello chegou a estar mais ou menos actualizada em termos de novidades editoriais (ou pelo menos causava essa impressão), pretendi comprar livros em valores superiores a, por exemplo, 100 euros. O cartão de crédito torna-se útil nestas ocasiões: poucas pessoas carregam com notas de 100 ou até 50 euros na carteira, e sem cartão multibanco português, nada feito quanto a pagamentos automáticos.
Dito isto, a Lello é de longe uma das mais belas livrarias do mundo, certamente a mais bela onde alguma vez estive. Que o Porto tenha sabido, mal ou bem, conservar tal ex-libris, é quase um milagre. Que o deixe assim entregue à iniciativa privada à portuguesa (bem se vê que ausência de pagamentos por cartão de crédito se deve à sovinice de quem não quer pagar comissões à SIBS), it’s only fitting.
corfirmo a nota negativa à Lello: uma livraria nunca pode impressionar só pela imagem. há tempos resolvi fazer uma visita de actualização e desgostei-me: o cheiro a bafio não pode dar saúde nem aos livros nem a quem queira por lá ficar um pouco. ia com vontade de fazer compras mas a única coisa que me tentou foi um saldo d’O que diz Molero em francês – como não leio francês, acabei por resistir (e pelo que leio dos meios de pagamento, ainda bem porque nunca trago comigo mais que uns trocos).
parabéns pelo seu blog. faz falta quem nos fale do mundo dos livros.
Caro Pedro Pereira:
No post, o adjectivo que escolhi foi “belíssima” e creio que a beleza (não a eficiência ou a variedade do acervo, mas a beleza) é indiscutível. Parece-me aliás que o entusiasmo do jornalista britânico (tal como o do escritor catalão Enrique Vila-Matas, que também teceu elogios hiperbólicos à livraria) se deve precisamente à sua arquitectura, à famosa escada e ao ar de outro tempo que ainda se conserva. Não foi decerto pela qualidade do atendimento, que vários amigos portuenses me descreveram como sendo medíocre, na linha do que foi dito nestes comentários.
Sim sim, entendi. Belíssima sem sombra de dúvida, como de resto sublinho no comentário anterior. O meu comentário era uma espécie de assentimento e complemento em relação ao comentário de J. Urbano.
Mas… por outro lado, e perdoe-me a insistência, não será a beleza por vezes associada a um certo bem-estar? Mesmo salvaguardando que o bem-estar que se experimenta numa livraria é bem diferente do que se experimenta num hotel de charme. Bem-estar, neste sentido, significa o seguinte: a possibilidade de, enquanto nos deixamos deslumbrar pelo ambiente circundante, e pela beleza da arquitectura, e pelo ar de catedral bibliófila de um tempo que foi, encontrarmos livros que nos deixem como que em suspenso, a possibilidade de nos deixarmos a folheá-los, cheirá-los, de nos sentarmos e deixarmos o tempo passar mais um pouco. Tudo isto sem que nos olhem de canto com cara de poucos amigos, porque não somos o Dr. Fulano ou Sicrano, ou não temos ar de turista.
E pensar dentro de um ou dois anos teremos a maior livraria da península ibérica a poucos passos dela: será bom ou mau?
[...] Obrigado pela dica, Bibliotecário de Babel. [...]
Zé Mário: toda a beleza é discutível (era o que faltava). E, de facto, a Lello é das coisas mais feias que vi na minha vida. E, de resto, é uma opinião partilhada por muita gente cá no Porto.
[...] Guardian elege a Livraria Lello como uma das dez mais bonitas do mundo. [via Blasfémias e Bibliotecário de Babel] [...]
Já vi esta listagem citava várias vezes e sempre incorrendo no mesmo erro. No Guardian elegem-se as mais belas livarias, não as melhores. E bela a Lello é. Já o resto, tudo o resto, deixa muito a desejar.
Tem razão, Justa. Já fiz a rectificação.
Ao Pedro Pereira
Pedro, concordo em total com sua opinião a respeito da livraria, que poderia ser mais aconchegante, com um ar de histórias como “A Sombra do Vento”, de Carlos Ruiz Zafón, onde nos perdemos por entre bibliotecas e livrarias, e quase perdemos os sentidos, com tantos livros a admirar, e por que não, a ler! Ainda não conheço Portugal, e meu sonho era conhecer a Lello, agora já não sei se valeria tanto a pena, pois muito além da arquitetura, buscava esse espírito livreiro!
Abraços, e desculpe se me excedi nas palavras.