Uma boa mentira (2)

A novela 30 Gramas, de Leonel Moura (LxXL), é uma ficção em que a importância da verdade na arte é relativizada. Por isso mesmo, enquanto lia, apercebi-me de alguns pormenores curiosos. Na pág. 48, duas das personagens jantam no Vírgula, «com vista para o Tejo», um restaurante que entretanto já não existe, porque faliu. E na pág. 68 são citados dois versos de Borges que Borges nunca escreveu («Si pudiera vivir nuevamente mi vida, / en la próxima trataría de cometer más errores», início de um conhecido poema apócrifo que circula na Internet). Será que estas pequenas dissonâncias e lapsos são apenas dissonâncias e lapsos, ou foram pensados por Leonel Moura e fazem parte do jogo literário, da «boa mentira» a que os artistas, segundo o narrador, devem aspirar?



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges