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Uma carta à la Vieira sobre o dom da palavra
Escrita, impecavelmente, pelo Daniel de Sá no Aspirina B.
publicou o Bibliotecário de Babel às 22:09 de Domingo, 10 de Fevereiro de 2008 para o arquivo Blogosfera, Geral. Tags:Padre António Vieira
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Um mimo eu diria, (permiti-me) ousando, mais que à la Vieira estais aí proclamando- maduras sentenças, verdades sonoras vindes atestando. Anónimo m’atrevo de vir perguntando: fostes entendido? te ouviram falando? ou foi para os peixes que estáveis rimando?
Aos peixes não falo, que os peixes não ouvem, e, se alguma vez ouviram, foi o nosso padre Santo António. E aos homens não me atrevo, porque me não crêem. E não porque não reconheçam que alguma razão me assiste, senão que têm tão comprometida a palavra quanto a bolsa, sendo que por aquela não recebem rendas de juros nem loas de grandeza, o que por esta outra sim, que quase tudo compra neste mundo.
Mas ó homem: tu encarnaste o espírito do Vieira ou quê? Será que ainda consegues escrever sem ser à maneira dele?
Isto pode servir como exemplo?
“Não sei em que dia te encontrei sozinha no “Asas”, nem sequer tenho a certeza de ter sido esse o Verão dos gafanhotos africanos. Mas penso que fora nesse ano que, no terceiro período, não conseguiras notas de quadro de honra. Eu, por acaso, fiz parte da lista, o que nem sempre acontecia. A Matemática e o Desenho atraiçoavam-me, de vez em quando. Apesar da tua decepção, com que aliás já contavas, ao leres o meu nome aplaudiste e abraçaste-me.
Eu penso que não é nos maus momentos que se conhecem os amigos. Nesses é sempre fácil arranjar uma lágrima de comoção e fazer figura de bom samaritano. É quando alguém triunfa que aqueles que lhe querem bem provam a sua amizade, ficando felizes e sem sombra de inveja. Foi o que fizeste nessa manhã. E eu percebi que pertencia a um outro quadro de honra…”
Também é nos maus momentos mas, convenhamos Daniel, sentir gosto, (no coração e não na acidez da ‘dor de corno’), pelo sucesso de um amigo, é coisa para os melhores.