Uma fraude chamada Luís Miguel Rocha

Há pouco mais de um mês, reproduzi aqui uma informação veiculada pelos serviços de “assessoria” (whatever that means) de Luís Miguel Rocha, autor de O Último Papa, segundo a qual o The New York Times teria convidado o escritor português a escrever um artigo de opinião sobre a morte do Cardeal Albino Luciani (João Paulo I), tema do seu livro. A publicação aconteceria na última semana de Setembro, “por altura dos 30 anos da morte” de Luciani. Ou seja, hoje. Na altura, concordei com alguns dos comentadores que levantaram sérias dúvidas sobre tudo o que diz e faz Rocha, uma figura obscura, saída não se percebe bem de onde e que se calhar até nem é um testa-de-ferro mitómano e burlão, mas parece mesmo um testa-de-ferro mitómano e burlão.
A prova dos nove, disse eu então, poderíamos tirá-la no fim de Setembro. E foi isso que fiz agora mesmo. Vasculhando a edição de hoje, 29 de Setembro, do The New York Times, não encontrei o mínimo vestígio de Luís Miguel Rocha ou do artigo de opinião sobre a morte do Papa João Paulo I. Rocha evoca os 30 anos da morte do Cardeal Luciani no seu site, mas nem se dá ao trabalho de explicar o que terá acontecido ao suposto texto encomendado pelo NYT, tal como nunca explicou outras promessas bombásticas que ficaram por cumprir.
Disto tudo, o que se retira é que Luís Miguel Rocha mente descarada e repetidamente. É, em todos os sentidos da palavra, uma fraude literária. Uma fraude literária à espera que alguém se dê ao trabalho de o desmascarar de vez.



Comentários

26 Responses to “Uma fraude chamada Luís Miguel Rocha”

  1. Alda F. - Amadora on Setembro 29th, 2008 23:00

    Um texto corajoso, caramba! Até que enfim alguém em Portugal diz isso. Ao cuidado do “protector” Francisco José Viegas, e das editoras que criaram a coisa: a Saída de Emergência e a Cavalo de Ferro (esta duplamente, editando-o cá e em Itália). Este seu blogue começa a ser um caso sério, e só por isto vou começar a COMPRAR o Expresso de novo!

  2. Tim_booth on Setembro 29th, 2008 23:10

    Do Luís Miguel Rocha não conheço mais que a polémica. E mesmo isso me basta. Há muitos casos de verdadeiros talentos literários que não vingam porque as editoras estão demasiado ocupadas com os Luíses Miguéis Rochas que se chamam a si próprios “autores”.

    Como disse, do Luís Miguel Rocha basta-me ouvir a polémica para me manter ao largo do que quer que venha assinado por ele.

    Cheers

  3. Jorge on Setembro 29th, 2008 23:13

    Falta aí nessa lista a Planeta, que foi quem o publicou primeiro.

    E nunca li. Não faço ideia se presta, se não presta.

  4. Jorge on Setembro 29th, 2008 23:15

    Já agora, se vamos por aí, o Saramago também é polémico. Conheço muita gente que diz que não vale nada, com Nobel ou sem ele. Eu acho que são algo patetas, mas pronto, a cada um a sua verdade.

  5. Luís Rodrigues on Setembro 29th, 2008 23:40

    (Antecipando-me já aos comentários previsíveis.)

    Sois uns invejosos e tal, ide mas é trabalhar. Deviam saber que o artigo sobre o aniversário da morte do João Paulo I ainda não saiu por causa da diferença de fusos horários entre Roma e Nova Iorque. Esperem até dia 31 para ver se não é verdade.

    Além disso, as provas documentais que revelam toda a verdade sairão em breve quando o Francis Ford Coppola lançar o Director’s Cut do Padrinho III. Aí veremos quem tem razão.

    Vomitem aí, seus invejosos!

  6. leitor atento on Setembro 30th, 2008 8:55

    José Mário Silva a fazer o frete à ICAR?
    Surpreendente… ou talvez não.

  7. José Mário Silva on Setembro 30th, 2008 9:44

    Por ICAR, caro leitor atento, não se está a referir à mui vetusta e odiosa Igreja Católica Apostólica Romana, pois não? É que se é esse o caso, nem imagina como falha o alvo. O facto de me opor em quase tudo ao que a ICAR defende não me torna cego diante das imposturas de quem alimenta, sem o mínimo de credibilidade, as mais desvairadas teorias da conspiração.

  8. RLF on Setembro 30th, 2008 10:42

    E o que tem o Chiquito Zé Viesgas a dizer disto? Ou o namoro entre ele o Rocha acabou? Parece que agora vai fazer um programita na TV “a partir” das casas de escritores: querem ver que vamos ter imagens do armário das camisas do Rocha entre olhares ternos e chazinho morno?

  9. venancio on Setembro 30th, 2008 10:51

    Luís Rodrigues,

    «Esperem até ao dia 31», aconselha-nos você, com ar insinuante e esperançoso.

    Vai ser um fartote de espera.

  10. Tim_booth on Setembro 30th, 2008 10:56

    Jorge, realmente há quem diga que Saramago é polémico, de certa maneira talvez até seja, mas não acredito que haja alguém capaz de dizer que Saramago escreve mal… E, se os houver, pateta é um adjectivo simpático, a meu ver, para os descrever. Mas, tal como disse, a cada um a sua verdade.

    Cheers

  11. vizinho do lado on Setembro 30th, 2008 13:40

    Setembro só tem 30 dias. Neste planeta

  12. Anónimo on Setembro 30th, 2008 13:56

    No mundo de LMR o dia 31 de Setembro existe.

    Se assim não foi, é por causa do ICAR, e da sua cabala para alterar o calendário segundo um papa obscuro com um novo que faz lembrar más noites.

    É de cabalas que este mundo é feito, daí o artigo não ter saído no NYT, esse antro de ÍCAROS que se aproximam do Senhor.

    Não queiram fazer parte dessa cabala e louvem o senhor LMR.

  13. RLF on Setembro 30th, 2008 14:00

    Ainda em Junho escrevia “il padrino” Francisco José Viegas, peito aberto aos inimigos e invejosos:

    “Luís Miguel Rocha continua a ver ‘O Último Papa’ traduzido pelo Mundo fora, apesar de ser silenciado em Portugal. Agora, a China, depois de 20 países terem assinado contratos e publicado o livro. A inveja portuguesa é uma coisa séria.” (in http://fjv-cronicas.blogspot.com/2008/06/blog-118.html)

    Pois é, Chico… E a chico-espertice também é

  14. Vitor Vicente on Setembro 30th, 2008 14:09

    Com licença:

    O Invólucro Invenenado

    POR: VITOR VICENTE ……………………………..Publicado Quinta-feira, Setembro 13, 2007

    in Notícias do Nordeste

    Abençoado seja o mercado literário português por ter como fornecedores um par de editores cujo catálogo salta à vista dos bibliófilos dados ao culto do livro como os demais objectos artísticos. Penso na &Etc como protótipo da velha guarda do sentido estético apurado ao milímetro e da emergente Saída de Emergência como congénere da vanguarda da capa moderna. Esta última tem arriscado por mares literários pouco antes navegados pelos leitores lusos, historicamente mais debruçados para os géneros lírico e o satírico do que para a o policial e o fantástico. Tal atitude de risco valeu à editora do Luís Corte-Real a captura dum autor criativo e singular como o David Soares e dum autor desastroso e banal como Luís Miguel Rocha.

    Vou-me ocupar do desastre literário que é “O último papa” e esperar por melhores dias, ou seja que chegue às bancas “A conspiração dos antepassados”, o último livro do David Soares.

    Primeiro este romance auto-apresenta-se como um terramoto capaz de abalar a superfície terrestre que vai de Fátima até ao Vaticano. Depois mal folheia-se as páginas sabe-se logo da missa a metade. A fechar o autor deixa pairar a ideia de que afinal a procissão ainda vai no adro e que temos sequela.

    Certamente que teremos uma sequela. Afinal o Luís Miguel Rocha quer ser o Dan Brown português. Diga-se a verdade: até consegue. E, diga-se segunda vez a verdade, lograr esse feito nada o dignifica e só o diminui. Tal como o autor de “besta-sellers” (Alexandre O`Neill) como “O código Da Vinci”, também o Dan Brown português não tem mesura no modo como escreve e naquilo que decide descrever, enfim vulgo não tem mão.

    Mas vamos ao enredo, ou para ser mais coerente para como é pintado, vamos ao espectáculo. Então há um papa que é assassinado, há uma assembleia eclesiástica que quer fazer passar o crime por uma morte natural e uma jornalista portuguesa que se vê ao corrente da verdade e de quem se ocupa de a camuflar.

    Acrescente-se que segundo algumas entrevistas do autor, o enredo (perdão o espectáculo) é baseado em factos reais e não se trata de ficção pura. Mas pense-se que mesclar factos com ficção foi o álibi que guiou os escritores na elaboração dos seus romances. E até deu grandes livros, como é o caso por exemplo de “Cândido”, do Voltaire, mas não é o caso.

    “O último papa” acaba por lançar mais suspeitas e mais poeira para os nossos olhos do que despir disfarces e apontar o dedo a mascarados de Carnavais fora de horas. Partilha connosco umas notas sobre a história das praças londrina e nova-iorquina e um ou outro monumento português e ainda uns comentários azedos à sociedade e natureza humana vindos dum narrador que se expressa como se vivesse fora e dentro do mundo com a naturalidade dum anfíbio.

    É sabido que a literatura “thriller” nunca foi fértil em escritores com uma voz consistente e com um domínio da língua fora do comum. Escusado será dizer que o Luís Filipe Rocha não foge à regra. Devo é acrescentar que nem o facto de se inscrever neste quadrante literário o redime duma escrita primária e pretensiosa, pecado capital para o romancista de qualquer quadrante.

    “O último papa” polemizou o bastante para que se possa lamentar os hectares de árvores abatidas para se espalhar a tinta e a confusão. Recomenda-se, ainda assim, a posse desde título. Fica bem ter, e manter como qualquer objecto decorativo, na estante. Mas é conveniente não abrir como qualquer invólucro envenenado.

  15. leitor ainda mais atento on Setembro 30th, 2008 14:09

    Depois de ler os comentários, tenho de concordar com o JMS – o dito artigo não sairá nunca. E estou bem atento ao óbvio porque, dizer que sai no dia 31 (reparo de um certo amigo aqui acima em defesa da honra do autor do suposto artigo) é estar a dizer que sairá do dia de S. Nunca à tarde.
    Que engraçado que é isto tudo

  16. Jorge on Setembro 30th, 2008 14:29

    Tim,

    Dizem, dizem. Oh se dizem.

  17. José Mário Silva on Setembro 30th, 2008 14:56

    Obrigado, VV, pela crítica incisiva ao livro de LMR. Ajuda a pôr as coisas em perspectiva, neste “sale affaire”.

  18. fjv on Setembro 30th, 2008 15:16

    Não se metam com a minha batatinha quente, o meu chuchu de ipanema, a minha papoila entumescida, o meu néctar opiáceo…

    Franchico Josué Vielas

  19. Luís Rodrigues on Setembro 30th, 2008 16:54

    Meus amigos: a morte do João Paulo I foi uma notícia que deu a volta ao mundo e que, pela gravidade, levou ainda algum tempo a parar, por isso é preciso dar o desconto de pelo menos um ou dois dias, para além da diferença horária que já tinha referido. Não sejam precipitados nas vossas acusações, porque o artigo pode ainda sair e a inveja só vos fica mal.

  20. fjv on Setembro 30th, 2008 17:04

    Ó W, dizer que o livro é um “invólucro invenenado” é ajudar às vendas, não acha?

    O importante é dizer aos incautos que comprar, ler, possuir ou simplesmente referir este tipo de livros é como deixar crescer a unha do mínimo para enfiar no ouvido, é como gostar de palitar os dentes e coçar a virilha no passeio público, é como dizer “a cor encarnada”, etc: é piroso, é de mau gosto, é mau exemplo, é mau hálito cultural.

    O que o JMS fez neste post vai nesse sentido e é de louvar pela DUREZA com que o faz. Os críticos devem saber quando dar a estocada e devem dá-la de forma exemplar.

  21. Céptico on Setembro 30th, 2008 17:09

    Eu acho que os autores dos comentários supra estão a ser precipitados na sua análise. Na verdade, estou convicto de que a não publicação do prometido artigo se ficou a dever à revelação de factos de grande gravidade, que terá mergulhado o conselho de redacção em profundas considerações e tormentosas hesitações.

    Em verdade vos digo, incréus, esperai pela primeira página do NYT de amanhã, e tudo será clarificado.

    O que eu não acredito é que uma pessoa que tão recomendada foi por esse bastião cultural que é o Francisco José Viegas, fosse capaz de mentir.

    Vocês acreditam?

  22. Paulo M. Lopes on Setembro 30th, 2008 19:40

    Polémicas à parte, e falando do livro enquanto peça escrita, confesso que o li até ao vómito, o que aconteceu por volta da página 3. Que coisinha mais mal escrita! Aquilo é coisa que se apresente?

  23. Ruben P. Ferreira on Outubro 2nd, 2008 9:09

    O JMS lê. Faz questão de se identificar, acima de tudo, como um leitor, sente um certo orgulho nisso, o que é natural. A leitura, contudo, não faz as pessoas melhores. Prova disso foi a sua atitude quanto ao livro do Luis Miguel Rocha. Goste-se ou não, é um livro que tem marcado uma parte da actualidade literária mundial. Isso quer dizer que o mesmo deverá ter honras e benesses? Quer dizer que se devem ignorar os «problemas» da estrutura narrativa do livro? Não. Parece-me que deve haver mais pudor. Porque, depois, vemos disto (http://joaotordo.blogspot.com/2008/09/co.html), e pensamos, o que é que este jovem escritor tem de se meter nestas «guerras», mas mete, e opina, a tentar marcar a «tal» diferença para o «lixo» que vai sendo publicado. É mais do mesmo, da semelhante falta de capacidade de lidar com o sucesso, e o sucesso dos outros em específico. Talvez, digo, talvez, fosse agradável usar a mesma medida de tolerância com os outros, que os outros têm usado consigo a respeito, por exemplo, do «Efeito Borboleta», que sabemos não ser uma «obra-prima», mas assim como lhe desculpam a ousadia de publicar, talvez fosse simpático ser igualmente tolerante com quem também faz da escrita, de escrever, a sua profissão. Não o vejo ‘largar os cães’ para a malta escritora nas páginas do Expresso, apenas aqui. Deduzo a razão. Nos ‘states’ o JMS já tinha um processo em cima por ter sido tão leviano nas suas afirmações «bombásticas». Parece-me que deverá, por isto (http://us.penguingroup.com/nf/Book/BookDisplay/0,,9780399154898,00.html?sym=MIS), desculpar-se com particular evidência.

    Cumprimentos,

    Ruben P. Ferreira

  24. Ricardo Silveira on Abril 16th, 2009 15:14

    Há quem não tenha mesmo mais nada que fazer e então decidem criticar o Luis Miguel Rocha. Podem ter razão pois aqui há muitas mentes iluminadas que devem ser os melhores críticos literários do mundo. Será que estas pessoas que aqui vêm têm a mesma opinião em relação a Dan Brown? Também é polémico, levanta muitas questões… Bem, acho que o problema é mesmo o Luis Miguel Rocha ser português, mas a realidade, apesar de aqui querem camuflar isso, é que ele vende imenso em todo o mudo e isso é inegável. De qualquer maneira quis deixar a minha opinião neste site de opinião, embora respeite todas as ideias, como é óbvio. Cumprimentos

  25. Luís Pina on Maio 8th, 2009 10:30

    Sinceramente, que massacre leva o homem!

    Li O Último Papa e Bala Santa (deste último, não acho que tenha acrescentado nada por aí além) e gostei bastante. Gostei mesmo da maneira de escrever do homem, ou seja lá de quem for que escreve os livros. E estou á espera que saia outro!

    Tantos críticos literários, tanto intlectual, tanta gente a dizer que os livros não valem nada, que dão vontade de vomitar e sei lá mais o quê… Deve ser por ninguém saber escrever em Portugal que o pessoal gosta é de ler o Record e a Maria!

    Também eu já tentei ler Saramago e simplesmente aborreci-me. Ok, esse autor tem uma forme de escrita que eu não aprecio, agora não vou andar a dizer que não vale nada. Acredito que tenha qualidade, simplesmente eu não aprecio.

  26. Vanessa Dias on Outubro 3rd, 2009 16:38

    Acabei de ler, pela primeira vez, algo do senhor Luís Miguel Rocha. Desconhecia o nome e as obras, até posso dizer que cá em casa se comprou a edição de bolso, numa estação de serviço, aqui no nosso país à beira mal plantado, pela curiosidade do título, etc e tal.

    O conteúdo é interessante, sim, deveras interessante. Num instante damos por nós a procurar os nomes todos no Google e a fazermo-nos passar por detectives da máfia portuguesa. Até aí, dou todo o mérito, ao enredo, independentemente das fontes, influências e factos reais/fictícios.

    Agora, e avanço por dizer que não leio a Bola ou a Maria, o estilo de escrita, a narração, os pormenores e por aí fora, acho que podiam ser melhores (é nesse aspecto que destaco de forma mais positiva e a meu ver Dan Brown, sendo um produtor de lixo ou não). Penso que em O Último Papa perdemo-nos por vezes no enredo e em quem diz o quê, quem está do lado de quem,…

    Facto é, também, que este estilo literário aguça muito, põe à prova e alerta para a distinção entre verdades oficiais e verdades reais, o que eu achei uma lembrança genial neste livro, embora muito presente nos últimos tempos, graças ao grande impulso, à escala mundial, de títulos como Código Da Vinci, Maria Madalena e o Santo Graal e outros tantos que põem à prova aquilo em que religiosa, política e socialmente acreditamos.

    Mas gostos e maus gostos não se discutem, como diz o autor no livro.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges