Uma gralha abominável

Acontece aos melhores, já se sabe, mas não deixa de ser triste ver uma nova edição da poesia completa de Eugénio de Andrade (Modo de Ler) manchada por um erro impossível, daqueles que não podem mesmo passar impunes. O lapso foi assinalado na edição de sexta-feira do Público, numa nota assinada por Carlos Mendes de Sousa, Federico Bertolazzi, Fernando J. B. Martinho, Gastão Cruz, Manuel Gusmão, Paula Morão e Rosa Maria Martelo:

«Na cortina de um dos mais paradigmáticos livros de Eugénio de Andrade, Os Amantes Sem Dinheiro, e também na inscrição desse título no fundo de algumas páginas, este surge transformado em Os Amantes do Dinheiro, numa perversa mudança que não pode deixar de merecer uma veemente condenação, já que revela a forma deficiente como a edição foi revista.
É para isto que pretendemos chamar a atenção, sugerindo a imediata retirada do mercado do volume em que se contém o deplorável erro que dá ao título de Eugénio um sentido oposto ao que ele tem.»

PS – Entretanto, o editor da Modo de Ler, José da Cruz Santos, assumindo o lamentável erro, anunciou que vai fazer uma errata e que os leitores que compraram esta edição podem devolver os exemplares em causa, sendo evidentemente ressarcidos.



Comentários

2 Responses to “Uma gralha abominável”

  1. csd on Junho 29th, 2011 10:46

    Meu deus…Apolo, deus das Artes, partiu a lira de raiva…até as nove musas rasgaram a túnica em protesto…

    Teria piada se não fosse tão trágico. O editor cometeu aquilo que Freud explica como “uma acto falhado”, isto é, um lapso, causado pelos verdadeiros desejos inconscientes. A pessoa encarregue da edição estava a braços com dinheiro e não aos abraços com a amante ou amada. E, naquele momento, só lhe apetecia abraçar alguns milhões como o Tio Patinhas na casa forte. Então, escreveu acidentalmente “Os Amantes do Dinheiro”.

    😀

    Acontece aos melhores.

    CSD

  2. csd on Julho 1st, 2011 9:07

    Eu faço gralhas em todos os coments. Porque nunca os submeto a uma revisão antes de fazer “enter ou “publicar”. o anterior não é excepção, onde cometo uma gralha “germânica” trocando o género: “uma acto falhado” :-D. Acontece aos melhores e aos piores. Mas no título de uma edição cai especialmente mal…essa é que é essa.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges