Viagem à volta do quarto dele

Ontem à noite, antes de dormir. Ou desdormir.



Comentários

3 Responses to “Viagem à volta do quarto dele”

  1. Inês Pedrosa on Julho 29th, 2011 23:01

    Bela viagem, José Mário. Espero que a noite tenha sido inspiradora. A cama é estreita, pois é – mas era mesmo assim: imagino os sonhos empilhados dos heterónimos…

  2. José Mário Silva on Julho 30th, 2011 12:32

    Sim, foi inspiradora, Inês. Espero que algumas das palavras do ‘desassossego’ tenham entrado na minha circulação sanguínea, por osmose.
    Quanto à cama, é uma eloquente explicação da escassez de namoradas do Fernando. Do mal o menos, foi a literatura que ficou a ganhar.

  3. João Rasteiro on Julho 30th, 2011 15:34

    Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
    E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
    Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
    E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
    Amar é pensar.
    E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
    Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
    Tenho uma grande distracção animada.
    Quando desejo encontrá-la
    Quase que prefiro não a encontrar,
    Para não ter que a deixar depois.
    Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
    Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

    Alberto Caeiro
    .
    P.S. – Parabéns pela experiência. Estive aí, na véspera da sua estadia nessa “fantasmagórica” cama, com o João Gilberto Noll. É sem dúvida, uma experiência única. Espero que tenhas estado acordado, mais pela discussão com os heterónimos, do que devido às falinhas “mansas” da Ophélia. Abraço.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges