Vislumbres de um género em expansão

Primeira antologia de micro-ficção portuguesa
Organizadores: Rui Costa e André Sebastião
Prefácio: Henrique M. B. Fialho
Editora: Exodus
N.º de páginas: 144
ISBN: 978-989-8048-75-2
Ano de publicação: 2008
Até há pouco tempo vista como um género marginal, e talvez por isso quase invisível no plano mediático, a micronarrativa está a ganhar cada vez mais espaço e importância no panorama editorial português. Se na Internet já havia um vasto rol de praticantes da ficção muito curta, agrupados em torno de uma excelente revista online (Minguante) ou espalhados por blogues individuais, só em 2008 é que o fenómeno começou a chegar às livrarias. Ao mesmo tempo que era lançada esta Primeira antologia de micro-ficção portuguesa, a editora Angelus Novus criou uma colecção de micronarrativa (inaugurada com livros de Augusto Monterroso e Rui Manuel Amaral). Indicador do interesse crescente pelo género é o facto de neste momento a procura no Google pelo termo “micronarrativa”, em páginas de Portugal, chegar perto das 1600 referências. No seu prefácio à antologia, escrito em finais de Janeiro, Henrique Manuel Bento Fialho queixava-se de ter obtido, para a mesma pesquisa, “pouco mais de 500 resultados”…
Embora não se furte às complexas questões classificativas (por exemplo, a fronteira entre «nanoconto» e «miniconto»; ou as várias terminologias em língua inglesa, de flash fiction a short short story), Fialho estabelece no seu “esboço” de ensaio uma genealogia do género, tanto global – dos enigmas maias a Confúcio, Omar Khayyam, Baudelaire, Machado de Assis, Ramón Gómez de la Serna ou Raymond Carver – como especificamente portuguesa (de Mário-Henrique Leiria a Gonçalo M. Tavares, passando por Luís Pignatelli ou Ana Hatherly). Além da “confusão que instala entre poesia e prosa”, destaca-se na escrita sintética a capacidade de “anulação das fronteiras” entre as várias formas de expressão literária.
Entre os 22 autores escolhidos para esta antologia, muitos deles bloggers, há belíssimas descobertas (Pedro Amaral, Rafael Miranda, Rui Almeida, Rute Mota), confirmações (Henrique M. B. Fialho, Luís Ene, Paulo Kellerman, Rui Costa) e duas boas surpresas (o tradutor Filipe Guerra e a poeta Inês Lourenço). As restantes escolhas, sujeitas às flutuações qualitativas da praxe, não comprometem o objectivo principal: dar a conhecer a diversidade temática e estilística que este género em expansão permite.
Avaliação: 6,5/10
[Texto publicado no suplemento Actual do Expresso]
Comentários
3 Responses to “Vislumbres de um género em expansão”
- Maravilhas da paternidade em 22 de Maio de 2012
- Com a cabeça debaixo do braço em 22 de Maio de 2012
- Prémio Camões para Dalton Trevisan em 21 de Maio de 2012
- Residências literárias em 21 de Maio de 2012
- Melancólicas criaturas em 20 de Maio de 2012
- Primeiros parágrafos em 20 de Maio de 2012
- Um rato através da anaconda em 20 de Maio de 2012
- Os reflexos do mal em 19 de Maio de 2012
- O que aí vem (Esfera do Caos) em 19 de Maio de 2012
- Camané no ‘Avenida de Poemas’ em 18 de Maio de 2012


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Até há pouco tempo vista como um género marginal, e talvez por isso quase invisível no plano mediático, a micronarrativa está a ganhar cada vez mais espaço e importância no panorama editorial português.
Isso tudo se deve, na certa, àquele 0,5.
[...] de Fernando Dinis, a editar pela Teorema no próximo mês. Nascido em 1976, o vencedor consta da Primeira Antologia Portuguesa de Micro-Ficção (Exodus Editora) e lançou, este ano, o disco Piano Works, o seu primeiro trabalho de composição [...]