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A manchete mais hilariante da década (ou ‘Obrigadinho, Stephen Hawking, mas não nos estás a dar novidade nenhuma’)

Primeira página do jornal The Times, 2 de Setembro de 2010.
publicou o Bibliotecário de Babel às 16:55 de Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010 para o arquivo Imprensa estrangeira.
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12 Responses to “A manchete mais hilariante da década (ou ‘Obrigadinho, Stephen Hawking, mas não nos estás a dar novidade nenhuma’)”
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Não foi Deus?? eh pá, eu sabia que havia algumas coisa que estava errada.
Já viu como as coisas são? Eu, por meu lado, tenho as maiores dificuldades em acreditar que Deus não existe. Isto é realmente engraçado.
putrefactas;
vi as palavras dos profetas jazidas pelo chão…
obscuras actas,
da divina escuridão.
adivinhei-lhes todos os grilhões com que amordaçaram ideias.
ouvi-lhes todos os gritos dos que torturaram em nome da fé.
senti o cheiro a gordura
dos cadáveres que alimentaram as suas candeias;
soube-lhes todas as artimanhas com que derrubaram o Homem em pé.
para quê a suas promessas de eternidade?
que felicidade encerra uma perpétua submissão?
se a isso chamam a comunhão com a divindade;
com orgulho me declaro mortal,
que minha mãe é a terra e meu ventre foi o seu chão!
os deuses que em mim houve, morreram…
definharam consoante me ia clareando o dia!
obtusa negação das razões pelas quais em mim nasceram;
esconjurei-os pela liberdade que em mim nascia!
sou agora um apátrida de todo o prometido céu.
aliei-me à pureza instintiva do demónio que em mim existe.
com orgulho me assumo réu;
por obstinada recusa em lhes talhar a fisionomia furibunda e triste.
afastei o cálice que me estenderam…
meu sangue e lágrimas não dará ao seu nefasto conteúdo o sabor!
serei aquele que eles para sempre perderam;
dual, alternado entre o ódio e o amor.
nego proselitismo ao seus ministérios…
anárquico, sempre, perante os divinos critérios!
morreram os deuses que me habitaram.
há muito os sepultei.
ao olhar a obra que criaram,
nenhum remorso me subsiste… com alegria em mim os matei!
leal maria
Ai não?
Pessoalmente, acho que é preciso muito mais fé para acreditar que todo o universo surgiu por acaso do que para acreditar que teve uma mente inteligente por detrás de tudo o que existe… Em vez de citar o Sr Stephen Hawking, por que não citar o cientista M. A. Corey: “If the Earth’s ecosystem had truly evolved by chance alone, it wouldn’t possibly have been able to reach such a perfect level of environmental harmony”?
O mais hilariante da capa é mesmo o facto de ser colocado o nome de Hawking, como se do Garganta Funda divino se tratasse. Imagino-o de gabardina e chapéu, numa garagem vazia, com o Dustin Hoffman e o Robert Redford ao lado a sussurrar (ou seja, a baixar o volume às colunas do seu computador) a informação enquanto meia dúzia de sensores saltam da cadeira para prescrutar o espaço em volta…
Rui Viegas, esse é um assunto diferente e que não terá aqui o melhor espaço, mas deixo uma questão: se existe um nível perfeito de harmonia ambiental, então como é possível a cadeia contínua de extinções na história do mundo? Não creio que a afirmação de Hawking mude seja lá o que for na Fé dos crentes (a justificação é pífia perante uma Fé real), mas é interessante verificar a forma como o seu pensamento evoluiu ao longo dos anos.
João André, grande parte das extinções foram e são consequência da intervenção humana no planeta. Basicamente, o Homem tem sido como um inquilino que recebeu uma casa e não está a saber cuidar dela. Por outro lado, apesar de concordar que existe um nível perfeito de harmonia ambiental, a frase não é minha
A existência ou não de Deus é uma questão da Filosofia. Quando um cientista se mete com argumentação deste tipo, está fora de jogo. Completamente.
Há dois factos importantes, não religiosos, acerca deste assunto que escapam sempre às ciências exactas: só um criador existente fora do Tempo e do Espaço poderia criá-los. Há uma sintaxe nas moléculas de Adn, que é entendida pelas células, que presume racionalmente uma inteligência criadora. Há ainda um terceiro, não tão importante, que fala desse grande mistério da consciência individual vs universo.
O poema da homónima é bonito mas fala de Religião, não de Deus.
O argumento da harmonia do planeta Terra é mais um daqueles que continua a querer fazer-nos muito especiais, como se o Planeta Terra e a Humanidade fossem (ainda) o centro de tudo.
Sim,, eu notei que a frase não é sua. Por outro lado não é verdade que o Homem tenha sido responsável pela maioria das extinções do planeta (pode sê-lo actualmente, mas a existência humana, especialmente desde que teve capacidade para extinguir outras espécies, é excessivamente curta). Aliás, um cientista (não me lembro qual, teria de ir procurar) escreveu em tempos que, como primeira aproximação, toda a vida na Terra está extinta, referindo-se a todas as extinções que existiram ao longo dos 4,65 mil milhões de anos do planeta.
Note, no entanto, que me parece que a lógica de Hawking tem uma falha fundamental: ele parece pensar que a visão de Deus é compatível com uma divindade restrita pelas leis da Natureza. Não o é. O fundamental do conceito de Deus é que ele criou as leis da Natureza e, em vez de estar por elas restrito, restringe-as pela sua vontade. Isso significa que, para um crente, a lógica de Hawking não faz sentido. Apenas dentro de uma lógica do Deus de Espinoza se pode compreender a afirmação de Hawking.
Note que sou ateu e não acredito em Deus nenhum, pelo que para mima a afirmação só tem uma falha: a implícita aceitação de algum Deus. Mas isso não me impede de ver a falha do ponto de vista do crente.
Não me parece assim; não é uma esgrima fundalmentalista básica ou cíclica, antes uma afirmação segura de um cientista que organizou o seu conhecimento e pensamento para o assim formular e fundamentar. What else is not so new?
O Hawkin é o mainstream da chamada divulgação científica. Pode dizer isto ou que uma barata emite micro-tons parecidos com os da Maria Callas. Who cares?
Não estará , como já foi dito antes, a ajustar contas com o Criador? No caso (físico) dele nunca se sabe.