Em defesa dos romances cómicos

Um texto de Erica Wagner, no The Times. Entre os muitos exemplos invocados de boa ficção literária que faz rir está o último romance de Ian McEwan, Solar.



Comentários

3 Responses to “Em defesa dos romances cómicos”

  1. MM on Abril 3rd, 2010 17:16

    e que tal enviar o texto da m.atwood à goodwin para explicar que é possível o leitor rir-se muito com um escritor e gostar imenso quando o mesmo escreve uma e outra vez sobre expiação e redenção?
    MM

  2. J.Urbano on Abril 3rd, 2010 17:49

    De notar que o cómico está na génese do Romance. Para isso é suficiente referir o Dom Quixote de Cervantes ou Tristram Shandy de Sterne. Mas antes temos a obra maior de Rabelais ou mesmo Apuleio ou Satiricon. A comédia foi essencial para se quebrar a preponderância das forças heróicas e sobrenaturais e para a narrativa se estatelar no chão, no vil mundo sensível ou no precário mundo dos homens comuns. Temos no século XX alguns livros e autores maiores nisto do cómico como “Uma Conspiração de Estúpidos” de J. K. Toole ou de certas partes da “Bela do Senhor” de Albert Choen (a comicidade do Trincapregos é então desmesurada), toda a obra de um Hrabal ou “Ubo” de Jarry, etc. É revelador como a crítica e o meio literário tem ignorado a obra de um dos maiores escritores portugueses contemporâneos, obra essa que leva o humor a uma espécie de delírio metafísico, falo de Vicente Sanches. A grande maioria da sua obra tem sido editada pelo próprio em edições de autor.

  3. Jorge Vaz Nande on Abril 7th, 2010 17:18

    Sobre o tema, há um ensaio fabuloso de 2007 do Julian Gough que eu traduzi e publiquei em http://pfnews.blogs.sapo.pt/69631.html. Intro: “Para os gregos, a comédia (o ponto de vista dos deuses) era superior à tragédia (o dos simples humanos). Mas, desde a Idade Média, a cultura ocidental sobrevalorizou o trágico e subvalorizou o cómico. É por isso que a ficção actual está tão cheia de ansiedade e sofrimento. É hora de os escritores regressarem à séria tarefa de nos fazer rir.”

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges