Piada do ano

Encontrei-a neste artigo do Guardian. É uma frase do inenarrável Paulo Coelho: «One of the books that caused great harm was James Joyce’s Ulysses, which is pure style. There is nothing there.» É como se o Quim Barreiros atacasse o vazio atonal do Pierrot Lunaire de Schoenberg. Ou Tomás Taveira considerasse as casas demasiado sóbrias de Frank Lloyd Wright um atentado à arquitectura. Ou Yannick Djaló sugerisse que as fintas de Diego Maradona deram cabo do futebol, por serem «puro estilo» e no fundo não servirem para nada.



Comentários

9 Responses to “Piada do ano”

  1. Ricardo on Agosto 8th, 2012 9:56

    Boas analogias, embora a do Djaló seja um pouco exagerada e fruto de uma certa mágoa sportinguista 😛

  2. Carla on Agosto 8th, 2012 11:13

    Li um artigo de opinião num jornal italiano (infelizmente não retive o nome do autor, nem o jornal exato em que o li) sobre a leitura em Itália. Dizia o autor do mesmo que se lia menos do que nos anos 80/90 e lia-se indiscutivelmente pior. Se era para ler autores como Paulo Coelho, melhor seria que os italianos não lessem de todo.

    Acredito que o número de zeros da conta do Paulo Coelho lhe dê a confiança suficiente (e a arrogância) para proferir tais barbaridades.

  3. pedro on Agosto 8th, 2012 14:03

    http://modernism.research.yale.edu/wiki/index.php/Woolf%27s_Reading_of_Joyce%27s_Ulysses,_1918-1920

    E agora?

    E sim, a analogia do Djaló tem aí ressentimento sportinguista…

  4. xico on Agosto 8th, 2012 19:04

    Não li o Ulisses do Joyce. Li este post. Percebi que não gosta de Paulo Coelho e percebi que acha que quem não está ao nível de Joyce, literariamentel, não pode criticar uma determinada obra desse autor. Se não pode criticar porque não consegue escrever tão bem, também o autor deste post está impossibilitado de dizer que o Ulisses de Joyce é uma boa obra, e a maior parte de nós o mesmo, porque quem não pode dizer mal também não pode dizer bem. É que fiquei sem saber porque razão é que a frase de Coelho é errada, e isso é que gostava de saber. Se Paulo Coelho é interessante como escritor ou não basta lê-lo. E não é porque Coelho vende bem e não passa fome que escreverá mal.
    Eu não sei fazer um vazio atonal como o Schoenberg, nem um cheio tonal, mas tenho o direito de dizer que não gosto e que aquilo é mesmo um vazio, muito embora dê muito trabalho a fazer. E ninguém me conseguirá convencer que um tanque de plástico em pleno terreiro do paço não foi uma afronta a quem desenhou aquela praça (e isto não tem nada a ver com o vazio tonal de que percebo a importância, embora não goste). Já agora, leu o Ulisses do Joyce?

  5. Venâncio on Agosto 8th, 2012 20:42

    Eu excluía o Taveira, decerto no paralelo com o Quim Barreiros. Mas respeito os gostos. E sobretudo os desgostos.

  6. fallorca on Agosto 9th, 2012 8:34
  7. r on Agosto 9th, 2012 9:13

    O Rentes de Carvalho diz algo semelhante no seu diário Tempo Contado…

  8. Alexandra, a Grande on Agosto 9th, 2012 10:44

    :) Uma delícia, esses pares de opostos!

  9. José Mário Silva on Agosto 9th, 2012 11:17

    Não, xico, ainda não li o ‘Ulysses’. Li outros livros do Joyce (‘Retrato do artista quando jovem’, ‘Gente de Dublin’), esse fui adiando e nos últimos anos nunca surgiu a oportunidade. Mas conhecendo Joyce e o que grandes espíritos literários escreveram sobre o livro, sei que não é só «puro estilo» e que dizer “não há nada ali” é o mais absurdo dos disparates.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges