Umberto Eco sobre a arte perdida da caligrafia

«Recently, two Italian journalists wrote a three-page newspaper article (in print, alas) about the decline of handwriting. By now it’s well-known: most kids – what with computers (when they use them) and text messages – can no longer write by hand, except in laboured capital letters.
(…) The art of handwriting teaches us to control our hands and encourages hand-eye coordination.
The three-page article pointed out that writing by hand obliges us to compose the phrase mentally before writing it down. Thanks to the resistance of pen and paper, it does make one slow down and think. Many writers, though accustomed to writing on the computer, would sometimes prefer even to impress letters on a clay tablet, just so they could think with greater calm.
It’s true that kids will write more and more on computers and cellphones. Nonetheless, humanity has learned to rediscover as sports and aesthetic pleasures many things that civilisation had eliminated as unnecessary.
People no longer travel on horseback but some go to a riding school; motor yachts exist but many people are as devoted to true sailing as the Phoenicians of 3,000 years ago; there are tunnels and railroads but many still enjoy walking or climbing Alpine passes; people collect stamps even in the age of email; and armies go to war with Kalashnikovs but we also hold peaceful fencing tournaments.
It would be a good thing if parents sent kids off to handwriting schools so they could take part in competitions and tournaments – not only to acquire grounding in what is beautiful, but also for psychomotor wellbeing. Such schools already exist; just search for “calligraphy school” on the internet. And perhaps for those with a steady hand but without a steady job, teaching this art could become a good business.
»

O artigo completo, publicado na edição de hoje do The Guardian, pode ser lido aqui.



Comentários

2 Responses to “Umberto Eco sobre a arte perdida da caligrafia”

  1. Carlota Vasconcelos on Setembro 21st, 2009 16:22

    Nasci em meados dos anos oitenta e ainda tenho os livros de caligrafia nos quais aprendi a escrever umas letras redondas e bem marcadas, que mudaram muito pouco ao longo dos anos. Papel, lápis, caneta…independentemente dos tempos atuais que nos brindam com maravilhas tecnológicas, a coexistência de hábitos manifestos no uso de objetos ou em costumes originados de diferentes épocas é algo bastante natural e inevitável; afinal não somos uma massa uniforme de humanos talhados nas mesmas características (apesar de óbvias similaridades…). Acredito que a caligrafia ou a arte de escrever à mão há de persistir por muito tempo ainda, talvez não para a maioria. De qualquer forma, como escritora, sinto que o ato de registrar as letras na calmaria do papel, é de uma organicidade imprescindível. A palavra respira conosco, no frenesi das ideias e dorme no papel gravada com uma identidade: a nossa, do nosso jeito particular de desenhá-las. Abraços, José Mário.

  2. Estranha forma de vida « deixis.org on Setembro 22nd, 2009 11:02

    […] em que os explicava, encontram eco agora num artigo de Umberto Eco, que me chega das mãos de José Mário Silva, e explicam-se numa só frase: «escrever manualmente obriga a pensar e a formular bem o que se vai […]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges