A sinceridade de Bret Easton Ellis

«Tem uma bela voz…
Toda a gente me diz o mesmo, mas eu não sou capaz de me ouvir nem de me ver e não leio as críticas aos meus livros. Na semana passada, aqui nos Estados Unidos, fui ao “Charlie Rose Show” – muito popular entre os escritores – e só ontem à noite, depois de beber uns copos, é que consegui ver o programa. Estava a passar-me completamente, mas as pessoas dizem-me que eu estava óptimo e até a minha mãe me telefonou para dizer “Querido, estavas fantástico, tão bonito e maravilhoso na televisão”. Eu acho que estava horrível.
Diz isso para que, tal como a sua mãe, lhe digamos que tem uma imagem excelente…
Talvez. A verdade é que a minha autoconfiança é mínima, o que me faz sofrer muito.
Não pense mais nisso, isto é uma entrevista pelo telefone.
Mas eu estou muito preocupado com a entrevista. Sou um escritor que já não quer ser entrevistado, que já não quer fingir que sabe o que deve dizer em relação ao seu trabalho, que já não sabe as respostas. É este o ponto da situação.»

Início da entrevista de Bret Easton Ellis a Helena Vasconcelos, a propósito da edição portuguesa de Quartos Imperiais (Teorema), publicada hoje no suplemento ípsilon, do Público.



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges