Hermenêutica das primeiras páginas dos jornais desportivos (3)

Ontem, o Nacional da Madeira conseguiu um dos resultados mais extraordinários de sempre do futebol português, ao eliminar do acesso à Liga Europa o Zenit de São Petersburgo, uma das mais poderosas (e caras) equipas do endinheirado campeonato russo. Seria de esperar que os jornais desportivos cantassem esse feito, em vez de concederem o espaço nobre das suas capas à pálida e embaraçosa (para não dizer vergonhosa) derrota do Benfica diante de uma equipa ucraniana completamente desconhecida e sem qualquer experiência europeia, não era? Era, era. Claro que era. Na realidade, a primeira página do Record é esta. E, por uma vez, é A Bola que salva a honra do convento (embora suspeite que neste caso o destaque ao feito do Nacional apenas serve para minimizar a derrota do Benfica na Ucrânia; se a equipa de Jorge Jesus tivesse ganho, outro galo cantaria).
E assim acaba esta série de posts. Como bem sabem os frequentadores de quiosques, estas tendências repetir-se-ão durante o resto do ano, ad nauseam.



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges