O livro inacabado de Saramago

Da entrevista a Pilar del Río, viúva de José Saramago, publicada ontem pelo Diário de Notícias:

«Ainda há muito espólio literário para revelar?
Não.

Só o último livro que estava a escrever?
Sim. Mas não é um livro.

Não será publicado?
Sim, será publicado. Creio que é um texto maravilhoso, cheio de humor, com uma profundidade e uma carga que merece que seja publicado. Mas não é um livro porque não ainda estava acabado. Não vamos enganar ninguém.

É o princípio de um livro?
Claro, e ao qual os leitores têm direito. Como? Quando? De que maneira? Isso, logo veremos como acontecerá. E não é para fazer negócio.

Não há mais nada desconhecido na arca de Saramago?
O que havia não publicado viu-se na exposição A Consistência dos Sonhos. Não há mais, lamento. Saramago não era um autor que escrevesse e fosse metendo em gavetas para o futuro. Foi um autor tardio, e aquilo que escrevia ia publicando. Existe, sim, uma obra da juventude, de que já falámos mil vezes – Clarabóia – e da qual disse “não a quero ver publicada em vida”. Mas como não proibiu que o fosse depois, assim irá acontecer um dia. Evidentemente, será apresentado como uma obra de juventude, como o foi Terra do Pecado.

Quando se prevê essa publicação?
Ainda não houve tempo para se pensar no assunto.

Para este último “romance” já existe uma data de publicação?
Ainda não falámos com os editores nem com a agente literária. Não há pressa.

Quantas páginas tem?
Teria de as ter contado mas nem sequer as tenho numeradas no meu computador. Mas não serão muitas, cerca de 50.»

A entrevista completa pode ser lida aqui, aqui e aqui.



Comentários

One Response to “O livro inacabado de Saramago”

  1. Inéditos de José Saramago « Autores e Livros on Agosto 12th, 2010 3:39

    […] Bibliotecário de Babel, cheguei à entrevista de Pilar del Río, viúva de José Saramago, publicada dia 8 de agosto no […]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges