Um aforismo de Nicolás Gómez Dávila

Encontrei-o numa entrada do diário de João Bigotte Chorão (ver última página do JL n.º 1043, hoje nas bancas): «O jornalismo foi o berço da crítica literária. A universidade é o seu túmulo.»



Comentários

7 Responses to “Um aforismo de Nicolás Gómez Dávila”

  1. arlequim on Setembro 22nd, 2010 15:14

    Um bom aforismo, sem dúvida; bordão para legitimar as sinecuras nos pasquins e denegrir o esforço de estudantes e professores universitários.

  2. João Urbano on Setembro 22nd, 2010 17:44

    Essa é uma daquelas frases bombásticas mas que, no fundo, se revela completamente pateta ou mesmo pífia. Critica literária feita nos jornais e afins é uma coisa e na universidade outra. O tempo veloz de uma não pode ser comparado ao tempo lento da outra, etc. Mas, e agora desviando-me um pouco, estranho que o blog que neste momento me parece ser de longe o melhor a praticar a dita critica literária mais veloz, o Contra Mundum, não faça parte da lista de preferências da grande maioria dos blogues mais importantes que se debruçam sobre o fenómeno literário. E volto a sublinhar, o Contra Mundum de H.G.Cancela, é neste momento um dos únicos sítios onde a crítica literária é exercida de uma forma desassombrada e com uma qualidade a que estamos pouco habituados.

  3. Pedro on Setembro 22nd, 2010 18:22

    Discordo da primeira, concordo com a segunda. Mais, o jornalismo e o jornalismo cultural/literários já não são o que eram.

  4. José Mário Silva on Setembro 22nd, 2010 18:51

    Curiosamente, ninguém reparou num detalhe: Gómez Dávila não diz que o jornalismo é o berço da crítica literária; diz que «foi». É uma diferença subtil, mas determinante.

  5. José Mário Silva on Setembro 22nd, 2010 19:03

    Caro João Urbano,

    O Contra Mundum é de facto um projecto interessante, que acompanho com regularidade. Não estar no blog-roll deveu-se apenas a esquecimento ou distracção.

  6. João Urbano on Setembro 22nd, 2010 21:36

    Ter reparado no detalhe do “foi” reparei apenas não lhe dei a relevância que lhe costumam dar. É comum por cá dizer-se que no tempo da outra senhora é que os jornais davam espaço à critica literária. E é costume nomear o “grande” João Gaspar Simões. Bom, nesse tempo, pelo menos por cá, no campo das artes pouco mais havia que literatura. Mas se formos dar uma vista de olhos a esses velhos jornais como o célebre Diário de Lisboa, veremos que nesse tempo a critica literária era tão inane quanto a de hoje. Ainda vamos ouvir dizer que no tempo do Eduardo Prado Coelho é que era. E hoje existem mais revistas literárias tipo a Ler, Os Meus Livros, o JL, que nesse tempo pura e simplesmente não existiam. Quanto à qualidade das mesmas e o tipo de sistema que servem deixo isso a cada qual. Por fim, hoje existe também a blogosfera, mesmo que nela quase não se exerça crítica literária, ou muita dela é feita por aqueles que já a fazem noutros média. Em suma, a dita crítíca literária ligada ao jornalismo cultural tem hoje muito mais espaços para ser exercida que no passado, pelo menos em Portugal. Se ela parece percistir numa espécie de circuito fechado isso já são contas de outro rosário.

  7. João Urbano on Setembro 22nd, 2010 22:00

    Esqueci-me apenas de um pormenor. Quando me referi à omissão do Contra Mundum da maioria das listas de preferências (o blog-roll) dos blogs que tratam do fenómeno literário, não me referia apenas ao seu, José Mário Silva, pois se assim fosse a coisa não me mereceria nenhum tipo de comentário. Mas refiro-me a praticamente todos aqueles que fazem parte da lista que tem do lado direito do seu blog, do Da Literatura até ao Ciberescritas. E lembro-me bem quando há uns meses atrás surgiu o Horas Extraordinárias da Maria Rosário Pedreira, e com que presteza todos esses blogueiros o inseriram na sua lista de preferências ou mesmo fizeram postes a anunciar o seu nascimento, o que não tem nada de mal. Apenas trago à liça o blog da Maria do Rosário Pereira pelo contraste e para reforçar o que quero dizer. E falo disto porque se trata de um sintoma.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges