VGM na Poesia Incompleta

A Poesia Incompleta não é apenas uma livraria de poesia. É sobretudo uma livraria de poetas, que por lá vão passando para falar com o Changuito, espreitar as novidades, dizer mal ou bem deste ou daquele e encontrar outros poetas que também por lá passam para falar com o Changuito, espreitar as novidades e dizer mal ou bem deste e daquele (como dantes se passava pelas mesas do café Gelo ou do Monte-Carlo, quando ainda havia em Lisboa tertúlias literárias dignas desse nome). Entre os muitos poetas que rumam à Rua Cecílio de Sousa, sabêmo-lo agora, conta-se igualmente Vasco Graça Moura, que celebra o facto em crónica no Diário de Notícias, a merecer leitura completa (ao contrário dos seus textos políticos), mas de que destaco aqui os três parágrafos finais, pelo que têm de justo reconhecimento do trabalho de um «jovem livreiro» competente e irónico:

«Acontece que em Lisboa acabo de descobrir uma livraria integralmente dedicada à poesia. Fica na Rua Cecílio de Sousa e chama-se Poesia Incompleta, o que envolve um princípio de paradoxo: nunca encontrei livraria mais completa para a poesia do que esta Poesia Incompleta…
Dispõe de um catálogo impressionante de livros de poesia, não apenas em português, cobrindo praticamente todas as épocas, desde os primórdios da literatura até anteontem (só porque os livros que terão saído ontem ainda não foram distribuídos…). Tem à frente um jovem livreiro que profissionalmente conhece tudo: sabe dos autores, sabe das edições, sabe das antologias, sabe das revistas, aborda as matérias com a necessária precisão e um quam satis de ironia.
Vale a pena visitá-la, recomendação que faço a quem, para férias, queira levar leituras dessa área, apenas com a prevenção de que acabamos sempre por comprar mais um ror de coisas além daquelas que lá fomos procurar… Poesia Incompleta, se o género aguentar no mundo em que vivemos, acabará sem dúvida por se tornar um lugar de culto.»



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges