Equívocos

A história da Byblos é uma história de equívocos, a começar pelos mal medidos sonhos de grandeza do seu proprietário (Américo Augusto Areal, aqui fotografado a 9 de Dezembro de 2007, cinco dias antes da inauguração da loja) e a acabar em pequenos pormenores que foram mostrando um desfasamento (maior ou menor) com essa coisa tramada que se chama realidade.
Olhando agora para a curta vida deste projecto, há qualquer coisa de cruel na constatação de um erro básico que perdurou, em letras de bronze, numa das paredes da Byblos. Refiro-me a esta citação de Jorge Luis Borges:

Uma bela frase, cheia de efeito. Acontece que Borges escreveu outra coisa. O que Borges escreveu foi: «Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca.» Suponho que alguém terá traduzido a citação a partir do inglês, sucumbindo a um famoso falso amigo (library). O certo é que uma biblioteca não é uma livraria, como os bolsos de qualquer leitor bem sabem. Borges nunca imaginaria o paraíso como um sítio onde temos que pagar por livros que talvez nem estejam disponíveis. Biblioteca, sim, de preferência infinita como a de Babel. Já Américo Augusto Areal acredito que imaginasse o paraíso sob a forma de uma livraria, de preferência a sua livraria gigante e high tech. Em vez disso, porém, saiu-lhe um inferno.



Comentários

3 Responses to “Equívocos”

  1. fernando mateus on Novembro 21st, 2008 16:35

    Até o Umberto Eco escreveu ‘A Biblioteca’ (Difel), não escreveu a livraria 😉

  2. Teresa Coutinho on Novembro 21st, 2008 17:04

    Pois é, mesmo as bibliotecas estão muito mal em termos de acervo. Tirando aquelas que beneficiam do depósito legal ou seja recebem um exemplar dos livros que vão saindo, todas as outras têm orçamentos reduzidos, que mal chega para a manutenção do espaço. Por causa disso, vemos livros já com algum tempo de lançamento e muito raramente se encontram livros recentes.

  3. Ebite on Janeiro 7th, 2009 12:02

    Poisé bem interesante, tenho que fazer um texto sobre a bibliteca como um todo. parabéns pelo blog!

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges