Maravilhas da paternidade

A Alice atou aos pulsos umas fitinhas e para cada uma pediu um desejo. «São desejos que têm a ver com as minhas amigas», explicou. A menina X passou a brincar com a menina Z e a menina Y «já não me liga». Enfim, problemas que podem parecer pequenos ao olhar dos adultos, mas assumem uma dimensão quase cósmica para quem tem seis anos.
«Quando atar outra fitinha», disse-me ela, «vou pedir uma coisa completamente diferente». Eu fiquei curioso. Que coisa? «Vou pedir que Portugal saia da crise.» Quando a pousei, depois de um beijo e de um abraço apertado, a Alice olhou para mim com um ar sério: «Quero mesmo que a crise acabe, pai, mas percebes que primeiro tenho de resolver as coisas com as minhas amigas, não é?»



Comentários

5 Responses to “Maravilhas da paternidade”

  1. Ivone Costa on Novembro 9th, 2011 9:53

    :) A preocupação é como a caridade: deve começar por nós.

  2. csd on Novembro 9th, 2011 12:49

    Que delícia!

    csd

  3. filipa on Novembro 9th, 2011 13:20

    As suas maravilhas da paternidade são, por si só, maravilhosas, mas escritas pelo correr da sua pena ainda se tornam mais deliciosas de ler! O que eu me ri com a “longíquo Biloba”. Parabéns por uns filhotes tão preciosos :)

  4. José on Novembro 21st, 2011 10:10

    Eu não posso acreditar nisto. Desculpe eu vou ter de assumir que nos está a mentir. Senão também quero ser pai.

  5. José Mário Silva on Novembro 22nd, 2011 17:32

    Então, José, isso quer mesmo dizer que também quer ser pai. :)

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges