Maravilhas da paternidade

Descendo a Avenida da Liberdade, cravo na mão, a Alice e o Pedro não se incomodaram com a chuva e cantaram entusiasmados as palavras de ordem. Entre todas, a preferida foi «O Povo unido jamais será vencido», mas também gritaram com empenho «25 de Abril sempre, Fascismo nunca mais». Diga-se que a primeira parte (25 de Abril) eles já compreendem bem, a segunda é que é mais complicado. Perguntou-me a Alice: «”Fascismo nunca mais” quer dizer que não vai haver mais tremores de terra?» Quando parei de rir à gargalhada, expliquei-lhe que se o fascismo já não faz sismos é justamente porque uns corajosos capitães decidiram sair de Santarém numa madrugada de 1974 para acabar com um regime que causou muito mais estragos do que o terramoto de 1755.



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges