Sobre o autor

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José Mário Silva nasceu a 2 de Março de 1972, em Paris (França). Poucas semanas após o 25 de Abril de 1974, num Citröen 2 CV cheio até ao tejadilho de lona, chegou a Portugal com os progenitores, ainda eufóricos com os eflúvios da liberdade e o cheiro a cravos vermelhos. Os dois primeiros anos deixaram-lhe, porém, nos ouvidos e nas circunvoluções do cérebro, como que incrustados, o gosto pela música da língua francesa e pelas coisas que essa língua diz, organiza, constrói. Não foi outra a origem da sua francofonia e francofilia.
Da infância, feliz, basta dizer que foi isso mesmo: feliz.
Na vida adulta, fez várias coisas que constam do curriculum vitae. Curso de Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Jornalismo, a partir de Fevereiro de 1993, primeiro na extinta revista Pais, depois no Diário de Notícias (onde começara a escrever regularmente, a partir dos 16 anos, no suplemento DN Jovem), depois em programas televisivos da RTP2 (Portugalmente e Juízo Final, 1998/99), depois novamente no DN, onde foi editor adjunto do suplemento DNA (entre Janeiro de 2000 e Dezembro de 2005) e editor adjunto da secção de Artes do jornal (entre Janeiro de 2006 e Outubro de 2007). Na revista Time Out Lisboa, desempenhou a função de editor convidado da secção Livros (entre Outubro de 2007 e Janeiro de 2008). Actualmente, é jornalista freelancer e colaborador do suplemento Actual, do jornal semanário Expresso, onde assina recensões literárias (desde Fevereiro de 2008).
Em 2001, publicou o livro de poemas Nuvens & Labirintos (Gótica), ao qual foi atribuído o Prémio Literário Cidade de Almada. Do francês, traduziu dois livros de Jean-Baptiste Botul (Cavalo de Ferro), A vida sexual de Immanuel Kant e Landru, precursor do feminismo, além de um volume de conversas entre Georges Raillard e Joan Miró (90º).
Começou o seu primeiro blogue a 1 de Janeiro de 2003, em resposta ao que os seus amigos Pedro Mexia e Pedro Lomba escreviam na Coluna Infame. Mais tarde, o BdE mudou de plataforma e existiu aqui. Chegou a alimentar um blogue minimalista mas um dia esqueceu-se da password e nunca mais conseguiu lá entrar. Além do Bibliotecário de Babel, que tem um foco (os livros), mantém A Invenção de Morel, que é generalista, irregular e caótico.
Já viveu junto à Praça do Chile e em Campo de Ourique, antes de se mudar para a Penha de França. É pai de duas crianças: a Alice e o Pedro («um casalinho, tão lindo», como dizem as velhas do bairro).
A sua lista de interesses é quase infinita mas inclui, muito cá para cima: os livros em desordem nas estantes abauladas; as nuvens («les merveilleux nuages», como dizia Baudelaire); o xadrez e o futebol; a arquitectura das catedrais; certos ângulos de certas fotografias; o voo imóvel do falcão peneireiro (Falco tinnunculus); estradas ladeadas por ciprestes; o cinema clássico e Godard (se isto não for uma redundância); as sombras muito esticadas ao fim do dia; os últimos quartetos de Beethoven (e a outra música: Bach, Schubert, Monteverdi, Bruckner); jardins geométricos; a arte de viajar sem mapas; os poemas que se fazem dentro da cabeça como origami; folhas amarelas de Gingko biloba; estaleiros com navios apodrecidos e ferrugem; romances de W. G. Sebald; o mar a desfazer-se em espuma longe da costa; noitadas com amigos, queijo, vinho e Os Descobridores de Catan; deambulações por cidades estrangeiras à procura daquela livraria onde talvez encontre, numa estante meio escondida, o seu Aleph. 

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Fotografias: Margarida Ferra 

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges