Acácio Barradas (1936-2008)

Conheci o Acácio no Diário de Notícias, no final dos anos 90, quando em fim de carreira assegurava, com um zelo e um rigor que já não se usam, o sempre ingrato trabalho de Agenda/Planeamento. Era um jornalista da velha guarda, no melhor sentido da expressão. Alguém que era capaz de ficar à conversa com os novatos, partilhando experiências e memórias, épicas descrições de fechos que eram só o início de noitadas boémias, queixas contra a mediocridade reinante e o abismo à beira do qual andávamos (e ainda andamos).
Como escreveu Ana Marques Gastão no obituário publicado hoje pelo DN (sem link na edição online), o Acácio era um «exímio organizador, obsessivo, perfeccionista», capaz de «gritos de fúria perante a incompetência e a negligência». Era, sobretudo, um homem íntegro. Um homem raro. Um homem desses que nos fazem cada vez mais falta.
Adeus, camarada.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges