A nova estratégia da APEL

Depois de um ano de 2008 muito conturbado, com guerras e guerrinhas que quase comprometeram a realização da Feira do Livro de Lisboa, a APEL, que passou a ser dirigida por Rui Beja, parece estar disposta a pacificar o sector editorial. A apresentação antecipada do novo modelo de Feira foi um primeiro passo. Agora, anuncia-se uma «abertura à sociedade», com uma revalorização do movimento associativo, novos modelos de formação profissional e até «tertúlias para troca de conhecimentos, impressões e debate cultural», a realizar em 2009 na sede da APEL.
As intenções são boas, claro. Falta só ver até que ponto serão capazes de sair do papel, sobretudo tendo em conta que algumas das feridas abertas (ou reabertas) durante a crise da Feira do Livro, no ano passado, estão longe de estar saradas.

APEL já tem novo presidente

É, previsivelmente, Rui Beja (Lisboa Editora) – ou não fosse ele o único candidato ao cargo. Segundo a APEL, Beja recebeu o total dos votos da assembleia eleitoral, «que corresponde a 25 por cento dos 300 associados». Da direcção fazem ainda parte João Espadinha (Presença), Henrique Mota (Principia), Pedro Cabrita Carneiro (Círculo de Leitores/Bertelsmann) e Ana Neves (Livrarias El Corte Inglés). Fotos do acto eleitoral aqui.

Novo site da APEL

Fica aqui. E está melhor, mais fácil de utilizar, mais útil.

Números

Em Portugal publica-se muito, já se sabe, sobretudo se compararmos o número de títulos editados com os nossos baixíssimos índices de leitura. No ano que está quase a terminar, porém, tudo indica que a avalanche editorial não vai superar os valores de 2006. Segundo dados da APEL a que tive acesso, e que se baseiam nos registos de ISBN, até final de Novembro apareceram 13976 novos títulos no nosso país, contra 14034 no período homólogo do ano passado. Isto é, não houve crescimento nem retracção. Ou, se quiserem, houve um decréscimo residual (0.004%) que ainda pode ser compensado pelo mês de Dezembro.

Quanto ao volume de vendas  os números que mais interessam e que melhor permitiriam entender o funcionamento e evolução do mercado do livro no nosso país  continua o buraco negro do costume. Não há estatísticas, não há termos de comparação, não há ferramentas de análise. E enquanto continuarmos assim, é difícil olhar para este sector com outra atitude que não seja: 1) de dúvida; 2) de desconfiança; 3) de dúvida e de desconfiança.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges