O manifesto de um crítico

E não é um crítico qualquer. Vale muito a pena ler o texto que Daniel Mendelsohn publica hoje no blogue de livros da New Yorker. Eis um pequeno excerto:

«The serious critic ultimately loves his subject more than he loves his reader—a consideration that brings you to the question of what ought to be reviewed in the first place. When you write criticism about literature or any other subject, you’re writing for literature or that subject, even more than you’re writing for your reader: you’re adding to the accumulated sum of things that have been said about your subject over the years. If the subject is an interesting one, that’s a worthy project.»

História de um rebelde

Na edição desta semana da New Yorker, Daniel Mendelsohn, autor de Os Desaparecidos, escreve sobre a «breve carreira» de Rimbaud e assume que o facto de ter descoberto tardiamente o poeta (quase sempre avassalador para quem o começa a ler na adolescência) o impediu de ser arrebatado («swept away») pelos versos das Illuminations. O magnífico texto é acompanhado por uma não menos magnífica ilustração de André Carrilho:

Over the rainbow

Daniel Mendelsohn, o brilhante autor de Os Desaparecidos, escreveu na The New York Review of Books um magnífico texto sobre Avatar, o grande perdedor da noite dos Óscares, mostrando como o filme de James Cameron, já abundantemente comparado a Pocahontas e Danças com Lobos, está ainda mais próximo de um dos grandes clássicos de Hollywood: O Feiticeiro de Oz.

Encontrar ‘Os Desaparecidos’

É mais um forte candidato à lista dos livros memoráveis de 2009: Os Desaparecidos, de Daniel Mendelsohn, uma «obra híbrida» sobre a qual já escrevi aqui. Quem a vai publicar é a Dom Quixote, em Agosto.

O próximo Littell

Daniel Mendelsohn

Se 2006 foi, em França, o ano de Jonathan Littell e de Les Bienveillantes (As Benevolentes na edição da Dom Quixote), esse romance de estrutura musical que nos atira à cara as memórias desumanas (ou talvez, pelo contrário, excessivamente humanas) de um antigo oficial nazi, 2007 assistiu à consagração de outro ilustre desconhecido: Daniel Mendelsohn, autor de Les Disparus (Flammarion). Este judeu nova-iorquino não escreveu 900 páginas (ficou-se pelas 650) nem ganhou o Goncourt (ficou-se pelo Médicis), mas o seu livro conseguiu ser mais consensual do que Les Bienveillantes, provavelmente porque explora o reverso da medalha: em vez da perturbadora confissão de um monstro, temos a busca retrospectiva da verdade sobre o desaparecimento de seis judeus (familiares próximos) logo após a invasão da Polónia, em 1939. Numa obra híbrida, que cruza os mais diversos géneros (da investigação jornalística à autobiografia, da análise histórica à epopeia), Mendelsohn deambula pelo campo das vítimas mas escapa aos determinismos morais típicos da literatura sobre o Holocausto, ao revelar as cobardias, traições e remorsos de todos aqueles que podiam ter feito mais do que fizeram para salvar as vidas perdidas na escuridão da II Guerra Mundial.
A tradução de The Lost: A Search for Six of Six Million (ao contrário de Littell, Mendelsohn não escreve em francês), já tinha sido muito elogiada durante a rentreé, em Setembro, mas quem a pôs nos píncaros foi a Lire, que no seu último número (Dezembro/Janeiro) elegeu o livro como o melhor publicado em França durante o ano de 2007. Mais: pela primeira vez na sua história, a redacção da revista (composta por 27 jornalistas) assumiu a escolha por unanimidade e com enorme “entusiasmo”, numa “reunião-relâmpago”.
No seu editorial, François Busnel, o director, não poupou nas palavras:

«C’est une odyssée que préfère l’identification à l’identité. Version généreuse de la quête de soi: préférer identifier l’autre plutôt que redéfinir, une énième fois, sa propre identité. Le succès de ce livre sera mondial. Il y aura des dizaines de thèses de doctorat autour des Disparus. Il ne peut pas être autrement. L’un des grands mérites de ce sommet de la littérature contemporaine sera de réconcilier ceux que doutent encore du pouvoir des livres avec le monde des lettres. Ce n’est pas rien.»

O sucesso do livro não se limitará a França, diz Busnel, sabendo que para 2008 já há traduções previstas no Brasil, na Polónia, na Grécia e… em Portugal.
Falta só saber quem vai ser, por cá, a editora de tão promissora obra. Aceitam-se apostas.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges