Balanço provisório da Feira do Livro de Lisboa

Ainda sem números oficiais, tudo indica que as editoras que participaram na Feira só têm razões para estar satisfeitas. Segundo o Público, a APEL assinala um «aumento de afluência e de volume de vendas na edição deste ano». A LeYa terá vendido mais de cem mil livros e a Porto Editora registou um aumento de 40% no volume de negócios, em comparação com 2009 (que já foi, recorde-se, um ano de resultados bastante positivos).

Afinal a Feira do Livro do Porto volta à casa de partida

Depois de andar em bolandas, de um lado para o outro, a Feira do Livro do Porto regressa ao local de onde era suposto não ter saído: a Avenida dos Aliados. Eis o comunicado emitido hoje, a pouco mais de uma semana da abertura da Feira (1 de Junho), pelo presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, e pelo presidente da APEL, Paulo Teixeira Pinto:

«A 80.ª Feira do Livro do Porto abre ao público no próximo dia 1 de Junho na Avenida dos Aliados, com horário alargado, e prolongando-se até 20 de Junho, o domingo que antecede o S. João.
Na sequência de contactos telefónicos entre a APEL e a Câmara do Porto, as duas instituições ultrapassaram as dificuldades existentes e clarificaram a coordenação das diversas iniciativas planeadas para a Avenida dos Aliados, de forma a permitir uma gestão harmoniosa de eventos, sem pôr em causa o protocolo celebrado o ano passado entre o Município e a APEL para a realização da Feira do Livro na Baixa da Cidade.
Encerrada à meia-noite de ontem a edição de Lisboa, os trabalhos de montagem da Feira do Livro do Porto começam hoje mesmo, e prosseguem ao longo da semana, de forma a que o evento seja inaugurado no primeiro dia do mês das Festas da Cidade, enriquecendo assim o intenso programa de animação da Baixa.
Assim, durante praticamente três semanas a Avenida dos Aliados poderá voltar a conjugar de uma forma particularmente feliz a cultura e a actividade económica, em torno da grande festa do livro que é a sua própria feira.
Recorde-se que no ano passado, estreia do regresso da Feira do Livro à Baixa, o evento foi maciçamente reconhecido como um enorme sucesso, mobilizando muitas dezenas de milhares de visitantes e compradores.»

Um silêncio que não foi de indiferença

O Jaime Bulhosa, da Livraria Pó dos Livros, insurge-se contra o incompreensível silêncio com que os blogues literários teriam recebido os protestos livreiros sobre a extensão da Feira do Livro (aqui, aqui e aqui).
Pela minha parte, tenho duas coisas a dizer:

1) Estou totalmente solidário com os protestos dos livreiros.

2) O meu silêncio não nasceu do desinteresse pela causa mas do desconhecimento de que ela existia, numa semana particularmente complicada (muitas obrigações profissionais) e com o tempo reservado à Internet, e à actualização do blogue, reduzido ao mínimo.

Livro do dia

O melhor antídoto anti-Fátima. À venda no stand da Antígona.

O editor da Antígona escreve à APEL sobre a Feira do Livro

Luís Oliveira, editor da Antígona, enviou um e-mail aberto à APEL com algumas das suas queixas sobre o funcionamento das Feiras do Livro deste ano:

«Caros Colegas,
Começo por vos felicitar pelas inovações introduzidas na Feira do Livro de Lisboa deste ano, mas também quero apontar algumas falhas, que passo a enumerar:

1. O horário da feira é uma irracionalidade, uma escravização do pessoal que ali trabalha; é fundamental discutir com todos os editores o horário do próximo ano.
2. Realizar a feira no princípio de Maio é outra irracionalidade; o Parque, com os seus incomparáveis relvados e jardins, é muito agradável e convidativo a passear pela feira em noites quentes; este ano, devido ao frio, é necessário as pessoas munirem-se de casacos de Inverno e aquecedores portáteis…
3. A Feira do Livro do Porto deveria realizar-se antes da de Lisboa; não beneficia das mesmas condições naturais e os habitantes do Norte são mais resistentes às intempéries…
4. Bem sabemos que os bancos não estão interessados em estar presentes na Feira, mas é de tentar uma solução que, pelo menos, aceite depósitos e possua moedas para os expositores.
5. Foi triste para os pequenos editores o episódio do dia 8 (sábado), em que é anunciado aos altifalantes da APEL o encerramento da Feira às 18 horas, sem que a quase totalidade das grandes editoras tivesse cumprido a ordem. A Leya, que tem responsabilidades na APEL, deu um bom exemplo de deslealdade e de arrogância. A APEL, que desde o início exigiu regras bem definidas, também perdeu a sua autoridade.
6. Haverá um mecanismo social hereditário na APEL, que se transmite de direcção em direcção, sem emenda, e que se traduz tantas vezes num visível desprezo pelos seus associados?

É sobre isto que a Direcção da APEL deveria reflectir, convocando desde já uma assembleia geral que permita aos editores manifestarem abertamente as suas críticas positivas e negativas acerca do funcionamento das feiras e de tantos outros eventos. O mercado não está minimamente regulado, vivendo os editores sobre um asfalto movediço e perigoso.
Com os meus cordiais cumprimentos,
Luís Oliveira»

Logo no domingo, a Assírio & Alvim também fez saber, no seu blogue, do desagrado face ao ocorrido no sábado à tarde:

«A despeito das informações oficiais veiculadas pela APEL através do seu blogue, e da sua conta no facebook a verdade é que, às 18h00, não existiu nenhuma comunicação feita pelos altifalantes da feira a respeito do fecho antecipado, o que acabou por proporcionar um cenário ridículo em que alguns stands permaneceram abertos, e outros encerrados. A comunicação do encerramento antecipado da Feira foi feita por volta das 15h30, e perante a forte chuva e a decisão da organização, foram feitos telefonemas às pessoas do turno da noite para que não viessem, o que forçou a Assírio, e outras editoras em situação idêntica, a fechar realmente às 18h00.
Ora, ou a Feira fechava realmente, de modo integral, ou então não fechava de todo. O modo como a organização da Feira do Livro de Lisboa geriu este assunto foi pouco profissional e fortemente penalizador para muitos dos expositores presentes na feira. A Assírio & Alvim vem assim manifestar a sua indignação por estes acontecimentos, alheios à sua vontade, e fazer votos para que tal não volte a suceder no futuro. A todos os leitores que encontraram os nossos stands encerrados, as nossas sinceras desculpas.»

Listas

No rescaldo do muito concorrido debate no auditório da APEL, sábado passado (passaram por lá mais de 60 pessoas), o blogue da Feira do Livro publicou a lista dos ‘livros do ano’ que os participantes levaram, em altas pilhas, para a mesa.

Na Tenda dos Pequenos Editores

«A estranheza começa com uma visita à tenda propriamente dita, e é uma estranheza que tem vindo a verificar-se ao longo dos anos. O conceito de ‘pequenos editores’ remete unicamente para os meios financeiros e o resultado disso é, para o leitor/visitante, algo desajustado; na tenda encontram-se, sem qualquer arrumação lógica, livros de ensaio da Vendaval lado a lado com livros de auto-ajuda de quinta categoria, poemas de António José Forte na vizinhança de resmas de manuais de actividades para crianças cheios de desenhos fluorescentes, edições da Abril em Maio acompanhadas de anedotas do Hérman, a revista Intervalo encostada a Cristos ressuscitados, ou que falam, ou que sangram enquanto revelam todos os mistérios esotéricos ao alcance dos vendilhões do Templo. O desequilíbrio é visível e merecia reflexão por parte dos organizadores da Feira e dos editores. Repare-se: a ideia de permitir às editoras com menos posses uma presença na Feira é louvável, não propriamente pelo gesto de generosidade, mas porque permite que os leitores não sejam privados de livros que, de outro modo, não chegariam à Feira. E também não se esperaria que houvesse uma espécie de censura que definisse que espécie de livros, dentro dos editados por estas editoras, teriam direito a essa presença (mesmo que os meus preconceitos relacionem pequenos editores com projectos meritórios e de grande qualidade que só são pequenos no tamanho, o que deixaria de lado os Cristos falantes e os desenhos fluorescentes, dando espaço apenas aos vendavais e a outros familiares). Não sei bem como se poderia corrigir a situação de um modo justo, mas creio que valeria a pena pensar no assunto.»

Excerto de um post muito pertinente da Sara Figueiredo Costa, que vale a pena ler na íntegra aqui.

Livros no Parque

A partir de dia 29 [hoje], e até 16 de Maio, o Parque Eduardo VII volta a ser um local de peregrinação para quem gosta de livros e os procura, ali, todos os anos, não apenas porque os pode comprar mais baratos mas também porque a Feira do Livro de Lisboa, com as muitas dezenas de milhar de títulos diferentes que disponibiliza, é durante duas semanas a maior livraria do país. Ainca por cima ao ar livre, com o Tejo ao fundo e o esplendor roxo dos jacarandás em flor.
Eduardo Boavida, director da Feira, explica as novidades desta edição (a 80.ª), primeira realizada após a reunificação do sector do livro, sob a égide da APEL, «o que nos permite concentrar energias no que interessa, os livros e quem os faz e lê», em vez de as dissipar no tipo de quezílias e controvérsias que há uns anos quase puseram em causa a realização da Feira.
Depois de muitas queixas ouvidas nas últimas edições, o horário voltou a ser prolongado (encerramento às 23h30; abertura às 12h30 nos dias de semana e às 11h00 ao sábado e domingo). Horário semelhante, diga-se, ao da Feira do Livro do Porto, que estará na Avenida dos Aliados entre 27 de Maio e 13 de Junho.
Voltando a Lisboa, uma das maiores apostas vai ser a captação do público infantil, que terá um programa específico (feito em colaboração com a rede de Bibliotecas Públicas e Municipais), além de um novo espaço que inclui um local com vigilância, onde os visitantes poderão deixar os seus filhos.
Haverá ainda um Auditório para o programa cultural e quatro praças com nomes de cores – Azul, Verde, Amarela e Lilás – que serão um ponto de encontro e um palco para lançamentos, leituras ao vivo, etc. Nas duas alas da Feira foram instalados 220 pavilhões standard (todos iguais e com as mesmas funcionalidades) e 17 pavilhões diferenciados, para uso das 120 editoras inscritas.
Por confirmar está outra possível novidade: a instituição de uma happy hour. Ou seja, um período de tempo curto, durante o qual alguns pavilhões praticariam descontos especiais, superiores ao do livro do dia (40%) – promoções só possíveis para títulos que não estejam abrangidos pela lei do preço fixo (ou seja, que tenham sido publicados há mais de 18 meses).
Outra diferença em relação aos últimos anos: desta vez não foi escolhido um país-tema (em 2009 tinha sido o Brasil). «A literatura não é dos países, é universal», justificou Paulo Teixeira Pinto, presidente da APEL. «Além disso, esta é uma Feira virada para o comércio directo, mais do que para a promoção, pelo que o conceito de país-tema nos pareceu pouco ajustado à nossa realidade», acrescenta Eduardo Boavida. O que não muda é a homenagem da Feira a uma figura do meio editorial, «como forma de celebrar pessoas cuja actividade marcou este sector ao longo dos anos». Em 2010, o homenageado será Fernando Guedes, fundador da Editorial Verbo e presidente da APEL entre 1982 e 1986.
Última novidade: para controlo do cumprimento efectivo das regras estabelecidas pela direcção da Feira, serão realizadas auditorias diárias aos pavilhões.

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

A nova Feira do Livro de Lisboa

Depois das polémicas todas que rodearam a edição do ano passado, a APEL apresentou esta semana o seu “Projecto de Modernização da Feira do Livro de Lisboa, tendo em vista a 79ª edição a realizar em 2009″. A principal novidade é a antecipação em mais de um mês, com abertura a 23 de Abril (Dia Mundial do Livro) e fecho a 10 de Maio. Haverá também «estruturas renovadas», nomeadamente os pavilhões, que poderão ser diferenciados (ver imagens dos módulos aqui).

Do resumo escrito do projecto, destaco o ponto 5 do capítulo “Caminhos para a Modernização”:

Cativar para a divulgação dos eventos as empresas editoriais e livreiras – através dos seus websites – e os blogues dedicados ao livro e à leitura

Que os «blogues dedicados ao livro e à leitura» sejam vistos como interlocutores a ter em conta é, desde já, um bom sinal de mudança em relação ao anterior modelo da Feira. Permito-me, de resto, sugerir a disponibilização de uma tendinha com computadores onde os jornalistas possam escrever os seus textos e os bloggers possam blogar, à semelhança do que acontece por exemplo na Feira de Frankfurt.

Um pequeno manifesto

Do poeta Paulo Tavares, autor de Pêndulo, recebi o seguinte e-mail, aqui publicado como quem faz forward:

Dia 14 de Junho, pelas 17h30, estarei na Feira do Livro de Lisboa, no stand das Quasi Edições, ao dispor de quem quiser comprar o meu livro ou simplesmente conversar um pouco.
Gostava que essa presença pudesse ser também, de certo modo, um pequeno manifesto. Todos sabemos que a poesia tem vindo a ser arrumada a um canto, mesmo nas livrarias ou na maior parte das revistas literárias, onde há toda uma série de secções (desde o livro mais “técnico” ao livro de culinária), menos a de poesia.
Por isso, conto com a presença de todos os que gostam de poesia, para que possamos demonstrar que ela ainda não morreu.

Prova fotográfica

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Como se pode constatar, o post anterior não era apenas especulativo.

É fazer as contas

Ontem, na Feira do Livro de Lisboa, não encontrei o Luís Ricardo Duarte. Talvez por não o ter encontrado, ele perdeu a oportunidade de perguntar “Olha lá, o que é que tu compravas com 30 euros?” a alguém que não trabalha na redacção do JL. Mas se por acaso o tivesse encontrado e se ele, contornando as regras internas do seu curioso jogo diário, me tivesse feito a fatal pergunta, eu responderia qualquer coisa como isto: «Do pavilhão da Gradiva, trazia o Cinco Equações que Mudaram o Mundo, do Michael Guillen, livro do dia e tudo (9,90€), para matar as saudades dos verões que passei a ler livros da colecção Ciência Aberta; enquanto da Relógio d’Água mandava embrulhar (ou ensacar) o Pais e Filhos, do Turguenév (9€). Depois, demorava-me no canto dos saldos da Assírio & Alvim e completava o meu acervo de voluminhos de capa cinzenta com o gato maltês a aparecer antes da página de rosto: Esta é a Minha Carta ao Mundo e Outros Poemas, de Emily Dickinson, e Lunar Caustic, de Malcolm Lowry (3€ cada). Então, o Luís Ricardo, com um sorrisinho contabilista, inquiriria sobre os restantes cinco euros: “O que farias com eles, hein?” E eu, de pronto, sem margem para hesitações: “Olha, começaria por dar uns passos até outro stand da Assírio, onde me abasteceria de pins: o do Cesário Verde, o do Franz Kafka, o do Walter Benjamin e o do Carlos de Oliveira (4€). Já o último euro guardava-o para a fartura, como fez a Francisca Cunha Rêgo. Et voilá.”

“Protesto no escuro”

Afinal, depois de se ter queixado da “luta de classes” no Parque Eduardo VII, José Saramago juntou-se a Isaías Gomes Teixeira no grupo (agora formado por dois elementos) das pessoas que dizem gostar da funcionalidade da Praça LeYa:

«Eu protestei muito porque me parecia que o modelo que tínhamos anteriormente na feira, com as barracas todas iguais, dava a ideia de uma feira democrática. Mas era um protesto no escuro. Gostei [da Praça LeYa]. Circula-se melhor e é fundamental que os leitores entrem nos pavilhões à vontade.»

Mais impressões do Nobel da Literatura aqui.

Memória de uma montagem

praça Leya (1)

Praça LeYa quando faltavam 48 horas para abrir a Feira.

praça Leya (2)

Praça LeYa quando faltavam 24 horas para abrir a Feira.

praça Leya (3)

Praça LeYa uma hora depois da inaguração oficial da Feira.

Primeira impressão

A Sara Figueiredo Costa andou ontem pela Feira, a cumprir os rituais de sempre, e não ficou mesmo nada convencida com a novíssima praça LeYa:

«A tão falada praça Leya viu-se de passagem, entre a subida e a descida, e não impressionou. Bem sei que o preconceito (aqui entendido também no sentido etimológico do termo) não torna a visão mais límpida, mas ainda assim, a dita praça não impressionou de todo: os caixotes ainda por abrir foram apenas um pormenor sem importância; já o facto de olhar para os pavilhões, maiores do que os outros – mesmo sem fita métrica, é óbvio – e não só não distinguir umas editoras de outras como ainda por cima ficar com a ideia de que há poucos livros, pareceu estranho. Pensar que há ali editoras com catálogos extensos e de referência e só conseguir vislumbrar capas expostas e pouco mais causa estranheza. Se calhar é má vontade, se calhar foi por ser o primeiro dia; dou o benefício da dúvida e volto lá durante a semana para confirmar.»

Feira do Livro de Lisboa (esta tarde)

Depois de todas as polémicas, lá abriu finalmente a Feira do Livro de Lisboa, com os aguaceiros da praxe a abençoarem o primeiro dia da 78.ª edição.
Apesar das ameaças de chuva terem persistido até ao fim do dia, houve muita gente que decidiu subir e descer o Parque Eduardo VII:

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As farturas lá estavam, no sítio do costume:

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E também um homem-estátua a imitar Camões, em jeito de metáfora sobre a paralisia das associações de editores, que esteve quase a comprometer a realização da Feira:

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Quanto à LeYa, a tão falada “praça” só ficou pronta muito depois da inauguração. Por volta das 18h00, ainda havia homens em cima de escadotes a aparafusar letreiros e membros do staff (com sweatshirts vermelhas) a arrumar livros nas prateleiras:

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Curioso foi o encontro entre Isaías Gomes Teixeira (administrador-delegado do grupo LeYa) e Baptista Lopes (presidente da APEL), os dois da esquerda, mais Carlos da Veiga Ferreira (presidente da UEP), de costas:

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Depois de tanta guerra verbal, muitas vezes a raiar o insulto, os três riram-se muito e pareciam amigos de longa data. Veremos até quando durará a boa disposição.

A 78.ª edição será a última com “modelo tradicional”

Quem o diz é Baptista Lopes, presidente da APEL (em fim de mandato), enquanto assume que “seria desejável que tudo se tivesse processado de modo diferente, mas não conseguimos fazer melhor”. A Feira abre esta tarde (15h00) e terá Cabo Verde como país-tema. Em 2009, será a vez do Brasil.

A Feira, 24 horas antes de abrir

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Esta tarde, pelas 16h00, na maior parte dos stands davam-se os últimos retoques e arrumavam-se livros:

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Quanto à “praça” LeYa, tinha este aspecto:

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Medidos a olho, os stands da LeYa pareceram-me ligeiramente maiores (e mais altos) do que os outros, desmentindo o que Isaías Gomes Teixeira disse no Forum TSF (“os nossos stands terão as mesmas dimensões dos antigos, a única diferença vai estar na disposição dos mesmos e nos materiais”).
Com a montagem ainda a meio, o contraste com o resto da feira salta à vista. Quando estiver tudo pronto, suspeito que esse contraste será ainda maior.

A Feira, 48 horas antes de abrir

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Do lado dos stands antigos, está quase tudo a postos:

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Na famosa “praça” LeYa, nem por isso:

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[Imagens recolhidas hoje, por volta das 13h00]

Bizarro eclipse

Ontem, o site oficial da Feira do Livro de Lisboa estava activo, dando até conta dos últimos comunicados da APEL. Hoje, no dia em que o “certame” supostamente abriria, está assim: um vazio cinzento sob o aviso “This Account Has Been Suspended”.
Aceitam-se hipóteses de explicação.

PS – Entretanto, o site voltou à vida, com o anúncio de que a abertura é mesmo sábado, às 15h00, com inauguração às 17h00.

Encolhe e estica, encolhe e estica

Segundo notícia do DN, Vasco Teixeira (Porto Editora), em representação da APEL, terá dito ontem que a Feira do Livro de Lisboa fechará só a 15 de Junho, um prolongamento “que visa compensar os editores”. Ou seja, em vez de três dias a menos, como chegou a ser anunciado, teremos uma extensão de cinco dias. Ou seja, na prática, dois dias a mais. Mas será mesmo esta a versão final?
Certo, certo é que a Feira do Porto começou hoje.

Resumindo: muitas energias gastas e três dias a menos para comprar livros com desconto

É definitivo. A mui periclitante e assombrada 78.ª Feira do Livro de Lisboa começará no próximo sábado, dia 24, e fechará a 10 de Junho (como estava inicialmente previsto).

A data

Pelos vistos, a Feira vai abrir os seus stands (antigos ou modernos) no próximo fim-de-semana. Menos mal.

Acordo sem data

Parece que há fumo branco a pairar sobre o Parque Eduardo VII, finalmente, mas foi mais difícil conseguir um entendimento (com António Costa a fazer de Espírito Santo) do que escolher um Papa no conclave do Vaticano.

A campanha

Nem tudo foi mau na longa e emaranhada polémica em torno da Feira do Livro de Lisboa. Eu, pelo menos, vejo uma vantagem: a larga cobertura mediática que foi dada ao “certame”. Mesmo que abra com uns dias de atraso, a Feira do Livro de Lisboa mereceu mais atenção pública nestas semanas do que em muitos anos. Aposto que muitas pessoas que se desabituaram de ir à Feira vão regressar este ano ao Parque Eduardo VII só para ver “como é que aquilo afinal ficou” ou para espreitar os famosos stands da praça LeYa.
Acreditem no que vos digo: por muito que a disputa entre a APEL e o grupo de Miguel Pais do Amaral, com a UEP e a Câmara de Lisboa também metidas ao barulho, tenha parecido um exemplo clássico da tacanhez lusa, foi na realidade uma enorme e genial jogada de marketing.

O acordo

Já está:

«A CML, a APEL e a UEP chegaram a acordo quanto à organização da 78.ª Feira do Livro de Lisboa. Na próxima 2.ª feira será formalizado o memorando do entendimento.
A inaguração da Feira do Livro de Lisboa fica adiada para data próxima a anunciar também na 2.ª feira.»

O desfecho só podia ser este. Alguém chegou a acreditar que a Feira não se faria? Muito à portuguesa, tudo se resolve em cima da hora, em cima do joelho, com as partes devidamente salvaguardadas e o atraso da praxe. Agora impõe-se o que há muito devia ter acontecido e não aconteceu: acabar com as guerras de alecrim e manjerona entre associações, recomeçar do zero com uma estrutura unificada (capaz de reflectir a realidade presente do mundo editorial português) e pensar num novo modelo de Feira para 2009, de forma a que a triste telenovela deste ano não se repita.
Será assim tão difícil?

Feiras, feirices e feirantes

Eu sei que o meu dever de blogger era acompanhar minuto a minuto as notícias sobre a Feira do Livro de Lisboa, divulgar todos os comunicados da APEL, todas as tomadas de posição da CML, todos os volte-faces de um imbróglio que parece não ter fim à vista. Noutros tempos, sobre outros assuntos, foi isso que fiz e sei bem o que o Sitemeter ganha com estes acompanhamentos quase em directo. Acontece que desta vez não me apetece entrar em semelhantes correrias. Falta-me o tempo e, mais do que isso, a paciência.
Sei quais são as razões de uns e de outros, os equívocos de uns e de outros, as teimosias de uns e de outros. Esta manhã, ouvi o Fórum TSF de fio a pavio (incluindo a tonitruante entrada em cena de Isaías Gomes Teixeira, que até apresentou algumas razões válidas mas a destempo). Não ignoro a histeria mediática, compreendo-a, aceito-a, não me peçam é que faça parte dela. Não me apetece, lamento. Ou como diria o bom velho escrivão Bartleby: “I would prefer not to.”
Felizmente, há muitos blogues a cumprir bem a função, entre os quais este, este e este.

O Pedro Vieira é que a sabe toda

Feira por PV

Haverá K.O.? E em que round?

[Ilustração retirada daqui]

Telenovela

Eis o último episódio da telenovela do Parque Eduardo VII. Mais do mesmo: muita conversa, pouca acção, nenhum desfecho à vista. E já só faltam nove dias para a abertura.

Avanços e recuos

Agora a sério: ontem à noite, a participação da LeYa na Feira do Livro de Lisboa continuava em aberto. O prazo dado pela APEL ao grupo de Pais do Amaral, para que este “regularizasse” a sua inscrição, terminava ao meio-dia. Ou seja, expirou há uma hora. Alguém deu pelo fumo branco?

A Feira, versão bunker

Nos comentários ao post anterior, o Rui Almeida chamou a atenção para uma proposta ainda mais ousada do que a do Jaime Bulhosa. A coisa é assim a modos que um tratado de Tordesilhas arraçado de Auschwitz, mas talvez seja a única forma de resolver definitivamente o problema da Feira do Livro de Lisboa.
Falta dizer que a casca deste ovo de Colombo foi partida (na extremidade do dito, como convém) pelo inimitável e mui irónico Luís Graça, numa das caixas de comentários do blogue da Ler. Ora apreciem:

Eu acho que o Parque podia ter sido dividido em dois (para já, nas edições seguintes podia mesmo ser dividido em mais parcelas).
Punha-se arame farpado a meio, para evitar que os leitores pudessem comprar livros às editoras da APEL e da UEP.
Criava-se um posto veterinário para tratar dos cães que ficassem presos no arame farpado.
Montava-se um ninho de metralhadoras na zona do restaurante “Eleven”, para abater os vendedores de farturas que as tentassem vender através do arame farpado.
As sessões de autógrafos de editoras mais “underground” decorreriam no parque de estacionamento.
Há tanta coisa que se pode fazer. Para quê tentar conciliar as partes? Mais vale assumir abertamente o conflito. Se o livro não servir para animar a vida das pessoas, afinal para que serve? Para ler?

Uma ideia a ter em conta

Diz o Jaime Bulhosa, não sei se a sério, se a brincar:

«Proponho, para acabar com as guerras, nós livreiros organizarmos a feira do livro. Isto é, durante 15 dias fazíamos descontos de feira e promovíamos debates, sessões de autógrafos, conferências, etc.. E cada um ia à livraria que lhe apetecia.»

É certo que perderíamos o sobe-e-desce no Parque Eduardo VII à tardinha, o encontro com os amigos junto ao Multibanco ou na esplanada, a explosão roxa dos jacarandás. Mas evitava-se a angústia dos dias de chuva e a aparelhagem sonora a anunciar, de cinco em cinco minutos, os livros do dia que podemos encontrar no stand 117.
A mim, não me parece mal pensado. Vendo o rumo que as coisas levam, com a APEL e a UEP às turras, mais os novos grupos a quererem afirmar-se e a provocarem ciúmes, ainda é capaz de ser uma saída airosa para o caos em que a Feira mergulhou este ano.

A inaudita guerra do Parque Eduardo VII

O conflito entre a APEL e a UEP, por causa da Feira do Livro de Lisboa, tem dado pano para mangas. Pelos vistos, neste momento “todos os cenários são possíveis”, quando falta menos de um mês para o começo da Feira. Como sempre, a batalha entre as duas estruturas representativas dos editores esconde outras guerras que a reestruturação recente do mercado veio ressuscitar e ampliar. Neste editorial, Francisco José Viegas disseca o “regresso da balbúrdia” e apela ao necessário bom senso das partes em “confronto”.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges