Feiras, feirices e feirantes

Eu sei que o meu dever de blogger era acompanhar minuto a minuto as notícias sobre a Feira do Livro de Lisboa, divulgar todos os comunicados da APEL, todas as tomadas de posição da CML, todos os volte-faces de um imbróglio que parece não ter fim à vista. Noutros tempos, sobre outros assuntos, foi isso que fiz e sei bem o que o Sitemeter ganha com estes acompanhamentos quase em directo. Acontece que desta vez não me apetece entrar em semelhantes correrias. Falta-me o tempo e, mais do que isso, a paciência.
Sei quais são as razões de uns e de outros, os equívocos de uns e de outros, as teimosias de uns e de outros. Esta manhã, ouvi o Fórum TSF de fio a pavio (incluindo a tonitruante entrada em cena de Isaías Gomes Teixeira, que até apresentou algumas razões válidas mas a destempo). Não ignoro a histeria mediática, compreendo-a, aceito-a, não me peçam é que faça parte dela. Não me apetece, lamento. Ou como diria o bom velho escrivão Bartleby: “I would prefer not to.”
Felizmente, há muitos blogues a cumprir bem a função, entre os quais este, este e este.

O Pedro Vieira é que a sabe toda

Feira por PV

Haverá K.O.? E em que round?

[Ilustração retirada daqui]

Telenovela

Eis o último episódio da telenovela do Parque Eduardo VII. Mais do mesmo: muita conversa, pouca acção, nenhum desfecho à vista. E já só faltam nove dias para a abertura.

Avanços e recuos

Agora a sério: ontem à noite, a participação da LeYa na Feira do Livro de Lisboa continuava em aberto. O prazo dado pela APEL ao grupo de Pais do Amaral, para que este “regularizasse” a sua inscrição, terminava ao meio-dia. Ou seja, expirou há uma hora. Alguém deu pelo fumo branco?

A Feira, versão bunker

Nos comentários ao post anterior, o Rui Almeida chamou a atenção para uma proposta ainda mais ousada do que a do Jaime Bulhosa. A coisa é assim a modos que um tratado de Tordesilhas arraçado de Auschwitz, mas talvez seja a única forma de resolver definitivamente o problema da Feira do Livro de Lisboa.
Falta dizer que a casca deste ovo de Colombo foi partida (na extremidade do dito, como convém) pelo inimitável e mui irónico Luís Graça, numa das caixas de comentários do blogue da Ler. Ora apreciem:

Eu acho que o Parque podia ter sido dividido em dois (para já, nas edições seguintes podia mesmo ser dividido em mais parcelas).
Punha-se arame farpado a meio, para evitar que os leitores pudessem comprar livros às editoras da APEL e da UEP.
Criava-se um posto veterinário para tratar dos cães que ficassem presos no arame farpado.
Montava-se um ninho de metralhadoras na zona do restaurante “Eleven”, para abater os vendedores de farturas que as tentassem vender através do arame farpado.
As sessões de autógrafos de editoras mais “underground” decorreriam no parque de estacionamento.
Há tanta coisa que se pode fazer. Para quê tentar conciliar as partes? Mais vale assumir abertamente o conflito. Se o livro não servir para animar a vida das pessoas, afinal para que serve? Para ler?

Uma ideia a ter em conta

Diz o Jaime Bulhosa, não sei se a sério, se a brincar:

«Proponho, para acabar com as guerras, nós livreiros organizarmos a feira do livro. Isto é, durante 15 dias fazíamos descontos de feira e promovíamos debates, sessões de autógrafos, conferências, etc.. E cada um ia à livraria que lhe apetecia.»

É certo que perderíamos o sobe-e-desce no Parque Eduardo VII à tardinha, o encontro com os amigos junto ao Multibanco ou na esplanada, a explosão roxa dos jacarandás. Mas evitava-se a angústia dos dias de chuva e a aparelhagem sonora a anunciar, de cinco em cinco minutos, os livros do dia que podemos encontrar no stand 117.
A mim, não me parece mal pensado. Vendo o rumo que as coisas levam, com a APEL e a UEP às turras, mais os novos grupos a quererem afirmar-se e a provocarem ciúmes, ainda é capaz de ser uma saída airosa para o caos em que a Feira mergulhou este ano.

A inaudita guerra do Parque Eduardo VII

O conflito entre a APEL e a UEP, por causa da Feira do Livro de Lisboa, tem dado pano para mangas. Pelos vistos, neste momento “todos os cenários são possíveis”, quando falta menos de um mês para o começo da Feira. Como sempre, a batalha entre as duas estruturas representativas dos editores esconde outras guerras que a reestruturação recente do mercado veio ressuscitar e ampliar. Neste editorial, Francisco José Viegas disseca o “regresso da balbúrdia” e apela ao necessário bom senso das partes em “confronto”.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges