De volta

O Festival Literário da Madeira acabou bem, com um sábado carregado de sessões muito participadas e interessantes (sobre a última não tenho opinião, porque fui um dos intervenientes). Nos blogues do costume, há fotos e comentários. A mim, não me apeteceu escrever mais. Todos temos direito aos nossos momentos Bartleby.

Mesa 3 do FLM: “Éramos violentos e não sabíamos”

«Como a poesia pode mudar a nossa vida», discutem Yang Lian, Fernando Pinto do Amaral, Francesco Benozzo, Jaime Rocha, Barry Wallenstein e João Carlos Abreu. Modera a conversa Donatella Bisutti.
Algumas frases:

«O trabalho do poeta é exercer violência sobre a linguagem»
Barry Wallenstein

«A palavra é capaz de matar e ressuscitar uma pessoa»
João Carlos Abreu

«A poesia é o balastro que mantém o nosso barco estável»
«Eu sou dissidente da China mas não da língua chinesa»
Yang Lian

«Para mim a poesia é escrever o que não se vê, o que está para lá do visível»
«A descoberta dos primeiros livros do Herberto Helder mudou a minha vida. Era de uma beleza obscura, de uma violência, de uma força tão grande que me fez trocar o teatro pela poesia»
Jaime Rocha

«A poesia, a literatura, como toda a arte, devem ser inquietude»
Fernando Pinto do Amaral

«O poeta tem de lutar contra as rotinas da sua percepção»
«A linguagem foi criada para prevenir o ataque de uma realidade que nos ameaçava»
Francesco Benozzo

Ontem à noite

No palco do Teatro Baltazar Dias (Funchal), o norte-americano Barry Wallenstein diz um dos seus poemas (do livro Tony’s World), acompanhado ao contrabaixo por Massimo Cavalli, durante o espectáculo “Ser Poeta Não é uma Invenção Minha”, organizado pela italiana Donatella Bisutti.

Um festival que também se ouve

Para quem está longe do Funchal, as sessões do Festival Literário da Madeira podem ser ouvidas através da Internet: aqui (iTunes, Winamp) ou aqui (Windows Media Player).

Visita à escola

Ontem, participei num debate no belíssimo Centro de Artes – Casa das Mudas, com alunos da Escola Básica e Secundária da Calheta, lado a lado com o escritor e jornalista Joel Neto e o director da revista Ler, João Pombeiro, que apresentou o projecto 15/25. A sessão está resumida neste post do blogue oficial do FLM.

Mesa 2 do FLM: “Éramos poors e não sabíamos”

Participantes: Ana Margarida Falcão, Eduardo Pitta, Afonso Cruz, Júlio Magalhães. Moderadora: Ana Isabel Moniz.

Visto do camarote

A intervenção completa de Pedro Vieira pode ser vista aqui.

Mesa 1 do FLM: “Éramos felizes e não sabíamos”

No palco, os participantes sentam-se em cadeirões, com baús à frente a servir de mesa de apoio, e esperam que o público entre na sala. Aos poucos, a plateia vai ficando completa, enquanto os microfones abertos traem as conversas de circunstância que normalmente ninguém consegue ouvir.
O moderador, Castanheira da Costa, apresenta os cinco convidados: Patrícia Reis, José Manuel Fajardo (que promete falar numa língua à parte, quase português mas não completamente: o fajardês), Inês Pedrosa, Rui Nepomuceno e Pedro Vieira. Ao contrário do que se passa nas Correntes d’Escritas, em que a maioria das intervenções são lidas, nesta sessão o tom é de amena cavaqueira. Para acompanhar o que vai sendo dito, em tempo real, basta seguir o post in progress do Luís Ricardo Duarte.

Festival Literário da Madeira

Começa hoje. Programação completa e informações gerais aqui.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges