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	<title>Bibliotecário de Babel &#187; Herberto Helder</title>
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	<description>Sobre livros e literatura, autores e editoras. Por José Mário Silva.</description>
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		<title>O poema</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2011 11:24:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[I Um poema cresce inseguramente na confusão da carne. Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto, talvez como sangue ou sombra de sangue pelos canais do ser. Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência ou os bagos de uva de onde nascem as raízes minúsculas do sol. Fora, os corpos genuínos e inalteráveis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>I</p>
<p><em>Um poema cresce inseguramente<br />
na confusão da carne.<br />
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,<br />
talvez como sangue<br />
ou sombra de sangue pelos canais do ser.</p>
<p>Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência<br />
ou os bagos de uva de onde nascem<br />
as raízes minúsculas do sol.<br />
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis<br />
do nosso amor,<br />
rios, a grande paz exterior das coisas,<br />
folhas dormindo o silêncio<br />
— a hora teatral da posse.</p>
<p>E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.</p>
<p>E já nenhum poder destrói o poema.<br />
Insustentável, único,<br />
invade as casas deitadas nas noites<br />
e as luzes e as trevas em volta da mesa<br />
e a força sustida das coisas<br />
e a redonda e livre harmonia do mundo.<br />
— Em baixo o instrumento perplexo ignora<br />
a espinha do mistério.</p>
<p>— E o poema faz-se contra a carne e o tempo.</em></p>
<p>[in <em>Ofício Cantante — poesia completa</em>, de Herberto Helder, pág. 28, Assírio &#038; Alvim, 2009]</p>
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		<title>A esferográfica de Herberto Helder</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 00:52:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>

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		<description><![CDATA[E de repente, na página 607 de Ofício Cantante (Assírio &#038; Alvim, 2009), cruzo-me com os versos, «bic cristal preta doendo nas falangetas, / papel sobre a mesa, / a luz que vibra por cima, por baixo / a cadeira eléctrica que vibra, / e é isto: / electrocutado, luz sacudida no cabelo, / a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/bic.jpeg" alt="bic" title="bic" width="226" height="107" class="alignnone size-full wp-image-11917" /></p>
<p>E de repente, na página 607 de <em>Ofício Cantante</em> (Assírio &#038; Alvim, 2009), cruzo-me com os versos, «bic cristal preta doendo nas falangetas, / papel sobre a mesa, / a luz que vibra por cima, por baixo / a cadeira eléctrica que vibra, / e é isto: / electrocutado, luz sacudida no cabelo, / a beleza do corpo no centro da beleza do mundo: / pontos de ouro nas frutas, / frutas na luz escarpada, / clarões florais atrás de paredões de água, / água guardada no meio das fornalhas / – isto que, sentado eu na minha cadeira eléctrica, / entra a corrente por mim adentro e abala-me, / e com perícia artífice deixa no papel / o nexo estilístico entre / o terso, vívido, caótico e doce: / e o escrito, o carbonífero, o extinto, / o corpo», e os versos não me deixam em paz, acendem-se um a um como lâmpadas intermitentes num barracão cheio de coisas assombrosas, eu imagino o poeta escrevendo desvairado noite dentro (ah, as mitologias românticas), o rosto barbudo reflectindo-se na janela escura, os dedos agarrando com força a caneta barata, a esferográfica de plástico <em>doendo nas falangetas</em>, enquanto as palavras sobre o papel brilham como magma, aquele brilho quase branco da lava antes de ser basalto, a bic cristal preta abrindo caminho na noite, tal como a minha neste <em>papel sobre a mesa</em>, um rosto liso nesta outra janela escura, ao longe as luzes da ponte, o Tejo negro, o <em>Ofício Cantante</em> aberto junto às folhas brancas, sob <em>a luz que vibra por cima</em> e não é eléctrica porque vem de dentro do livro, do intervalo entre as letras, o gesto é o mesmo, quase sincronizado, uma vibração dos dedos e do pulso, dentro da noite duas esferográficas, a minha bic cristal preta e a dele, dois rastos negros como o Tejo, <em>e é isto</em>: um dos rastos a perseguir o outro, este texto a tentar devorar os versos que descobriu no livro, como se fosse possível chegar assim à <em>beleza do corpo no centro da beleza do mundo</em>, não é, não é, por isso o refluxo, o voltar atrás, as emendas furiosas a montante da frase-rio, e de repente a memória como uma <em>luz escarpada</em>, memória de todas as bic cristal preta que houve no passado, uma sucessão de tubos transparentes com cargas que eram como veias cheias de um sangue perigoso, a tinta das respostas nem sempre convictas na folha de ponto, das aulas transcritas a custo, das tardes adolescentes à espera da inspiração poética <em>no meio das fornalhas</em>, e depois as tampas perdidas, as marcas do uso, os riscos e mordidelas, a explosão dentro do bolso das calças, o embaraço na cantina, eh pá, o que é que te aconteceu aí em baixo?, risos, imagens soltas, estilhaços que se cravam no corpo do texto cada vez mais desfocado à falta de uma <em>perícia artífice</em>, na janela imagino o perfil barbudo que vi um dia na rua, perto da Avenida da Liberdade, era ele, não era, ainda hoje duvido, porque apesar das fotografias e da óbvia existência civil é como se ele fosse imaterial (ah, as mitologias românticas), o perfil barbudo talvez se reflicta noutra janela agora mesmo, embora não nesta, a distância aqui mede-se em anos-luz, nunca haverá um <em>nexo estilístico</em> entre a minha bic cristal preta e a bic cristal preta dele, por muito que eu idealize, num exercício borgesiano, não ser eu a escrever isto mas a minha bic cristal preta, ser dela a força que arrasta a mão sobre o papel, como uma sua irmã arrastaria a mão de Herberto, eu e ele escravos da mesma energia, eu e ele servos do império <em>caótico e doce</em> das bic cristal pretas, entidades mágicas que nos elevam (a graça de um verso a brilhar como magma, aquele brilho quase branco da lava antes de ser basalto) ou nos humilham (a mancha de tinta preta a alastrar nas calças, para gáudio da cantina), até que o devaneio se dissolve com as primeiras luzes da manhã, a aurora sobre os contornos dos prédios e o Tejo emergindo das trevas, o reflexo da janela a esmorecer, deste lado só <em>o corpo</em> inclinado sobre as folhas escritas à mão, inúteis, a bic cristal preta pousada sobre a mesa, vencida, e o <em>Ofício Cantante</em> ali ao lado, como um buraco negro. </p>
<p>[Texto publicado no n.º 96 da revista <em>Ler</em>]</p>
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		<title>Herberto: 80 anos</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 22:08:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[a vida inteira para fundar um poema, a pulso, um só, arterial, com abrasadura, que ao dizê-lo os dentes firam a língua, que o idioma se fira na boca inábil que o diga, só quase pressentimento fonético, filológico, mas que atenção, paixão, alumiação, ¿e se me tocam a boca? de noite, a mexer na seda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>a vida inteira para fundar um poema,<br />
a pulso,<br />
um só, arterial, com abrasadura,<br />
que ao dizê-lo os dentes firam a língua,<br />
que o idioma se fira na boca inábil que o diga,<br />
só quase pressentimento fonético,<br />
filológico,<br />
mas que atenção, paixão, alumiação,<br />
¿e se me tocam a boca?<br />
de noite, a mexer na seda para, desdobrando-se,<br />
a noite extraterrestre bruxulear um pouco,<br />
o último,<br />
assim como que húmido, animal, intuitivo, de origem,<br />
papel de seda que a rútila força lírica rompa,<br />
um arrepio dentro dele,<br />
batido, pode ser, no sombrio, como se a vara enflorasse com as faúlhas,<br />
e assim a mão escrita se depura,<br />
e se movem, estria atrás de estria, pontos voltaicos,<br />
manchas ultravioletas a arder através do filme,<br />
leve poema técnico e trémulo,<br />
linhas e linhas,<br />
línguas,<br />
obra-prima do êxtase das línguas,<br />
tudo movido virgem,<br />
e eu que tenho a meu cargo delicadeza e inebriamento<br />
¿tenho acaso no nome o inominável?<br />
mão batida, curta, sem estudo, maravilhada apenas,<br />
nada a ver com luminotecnia prática ou teórica,<br />
mas com grandes mãos, e eu brilhei,<br />
o meu nome brilhou entrando na fase inconsútil,<br />
e depois o ar, e os objectos que ocorrem: onde?<br />
fora? dentro?<br />
no aparte,<br />
no mais vidrado,<br />
no avêsso,<br />
no sistema demoroso do bicho interrompido na seda,<br />
fibra lavrada sangrando,<br />
uma qualquer arte intrépida por uma espécie de pilha eléctrica<br />
como alma: plenitude,<br />
através de um truque:<br />
os dedos com uma, suponhamos, estrela que se entorna sobre a mesa,<br />
poema trabalhado a energia alternativa,<br />
a fervor e ofício,<br />
enquanto a morte come onde me pode a vida toda</em></p>
<p>[in <em>Ofício Cantante</em>, Assírio &#038; Alvim, 2008]</p>
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		<title>Sinopse de 2666</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/sinopse-de-2666/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 22:19:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[«– Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio… Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro… Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«– Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio… Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro… Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida… compreende?&#8230; a nossa vida, a vida inteira, está ali como… como um acontecimento excessivo&#8230;»</p>
<p>[in <em>Os Passos em Volta</em>, de Herberto Helder, sexta edição, Assírio &#038; Alvim, 1994]</p>
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		<title>Herberto escreve a Eugénio</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 23:39:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Eugénio de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, dia em que Eugénio de Andrade faria 86 anos, o site da revista A.23 publica uma carta inédita de Herberto Helder: quatro páginas manuscritas, enviadas ao poeta de Rente ao Dizer no final do ano 2000. É um documento notável e revelador, sobretudo por nos mostrar a visão «pessoal» de Herberto sobre a poesia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, dia em que Eugénio de Andrade faria 86 anos, o <em>site</em> da revista <em>A.23</em> publica uma carta inédita de Herberto Helder: <a href="http://www.a23online.com/portal/?p=1455">quatro páginas manuscritas</a>, enviadas ao poeta de <em>Rente ao Dizer</em> no final do ano 2000.<br />
É um documento notável e revelador, sobretudo por nos mostrar a visão «pessoal» de Herberto sobre a poesia portuguesa da segunda metade do século XX, na qual Eugénio é colocado no lugar cimeiro. «Não há nenhum poeta português que possa ombrear consigo neste meio século», diz HH. «Talvez o Cesariny e a Sophia se aproximem de si, mas seria necessário, tanto a um como a outra, eliminar vários poemas maus. Quanto a si, não existe um só verso que deva ser eliminado.»<br />
Falo por mim, mas esta admiração por Eugénio e esta certeza no veredicto não deixam de ser surpreendentes, vindas de quem vêm.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Uma boa notícia para quem ficou sem o último livro de Herberto Helder</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/uma-boa-noticia-para-quem-nao-conseguiu-comprar-o-ultimo-livro-de-herberto-helder/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Jan 2009 11:07:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[A história de A Faca Não Corta o Fogo é conhecida. Editado no final de 2008 pela Assírio &#038; Alvim, o livro com a «súmula &#038; inédita» de Herberto Helder esgotou num ápice 3.000 exemplares, o que faz de A Faca Não Corta o Fogo um best-seller poético, se me permitem o oxímoro. Acontece que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A história de <em>A Faca Não Corta o Fogo</em> é conhecida. Editado no final de 2008 pela <a href="http://www.assirio.com/">Assírio &#038; Alvim</a>, o livro com a «súmula &#038; inédita» de Herberto Helder esgotou num ápice 3.000 exemplares, o que faz de <em>A Faca Não Corta o Fogo</em> um <em>best-seller</em> poético, se me permitem o oxímoro. Acontece que Herberto recusa quaisquer reedições da obra, pelo que muita gente lamenta agora não ter sido mais lesta a comprar aquele que a crítica literária, quase unanimemente, considerou o melhor livro de 2008 publicado por um autor português.<br />
Se também faz parte deste grupo de <em>órfãos</em>, não desespere. A Assírio &#038; Alvim acaba de anunciar o lançamento, em breve, de <em>Ofício Cantante &#8211; Poesia Completa</em>, um volume de 624 páginas que incluirá, além de mais poemas inéditos (e outros retrabalhados), todos os textos que constavam de <em>A Faca Não Corta o Fogo</em>. Custará 48 euros. Agora não se distraia.<br />
Eis um excerto:</p>
<p>«<em>não chamem logo as funerárias,<br />
cortem-me as veias dos pulsos pra que me saibam bem morto,<br />
medo? só que o sangue vibre ainda na garganta<br />
e qualquer mão e meia me encha de terra a boca,<br />
sei de quem se tenha erguido, de pura respiração, do fundo da madeira,<br />
saibro, roupa, gôtas de orvalho ou cêra,<br />
ornatos, espadanas, lágrimas,<br />
últimas músicas,<br />
não é como no escuro o trigo que ressuscita,<br />
sei sim de quem despedaçou as tábuas e ficou entre caos e nada com o<br />
sangue alvoroçado nos braços e nas têmporas,<br />
que se não pare nunca entre as matérias intransponíveis,<br />
cortem-me cerce o sangue fresco,<br />
que a terra me não côma vivo,</em>»</p>
<p>A Assírio prepara ainda a edição do segundo volume de um catálogo <em>raisonné</em> de Amadeo de Souza Cardoso, um livro de ensaios de Mário Cesariny sobre a dupla Vieira da Silva-Arpad Szenes e os textos críticos reunidos de Gastão Cruz <em>(A Vida da Poesia)</em>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Livro de Herberto quase esgotado</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/livro-de-herberto-quase-esgotado/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 08:52:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa altura em que as edições de poesia vendem cada vez menos, é bom receber notícias como esta, enviada pela Assírio &#038; Alvim: Informa-se que o novo livro de Herberto Helder, A Faca Não Corta o Fogo – súmula e inédita, esgotou no armazém da editora e não será reeditado. Estão disponíveis, portanto, apenas os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa altura em que as edições de poesia vendem cada vez menos, é bom receber notícias como esta, enviada pela Assírio &#038; Alvim:</p>
<blockquote><p>Informa-se que o novo livro de Herberto Helder, <em>A Faca Não Corta o Fogo – súmula e inédita</em>, esgotou no armazém da editora e não será reeditado. Estão disponíveis, portanto, apenas os exemplares colocados nas livrarias.</p></blockquote>
<p>Menos bom é perceber que o livro não terá segunda edição (suponho que por exigência do autor).</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>HH</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/hh/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 19:49:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Amanhã, o novo opus de Herberto Helder, A Faca não Corta o Fogo &#8211; súmula &#038; inédita (Assírio &#038; Alvim), começa a chegar às livrarias. É, não tenham dúvidas, um dos maiores acontecimentos editoriais do ano. E para o comprovar basta que leiam três dos poemas inéditos do livro: a vida inteira para fundar um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/capahh.jpg"><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/capahh.jpg" alt="" title="capahh" width="283" height="400" class="alignnone size-full wp-image-1495" /></a></p>
<p>Amanhã, o novo <em>opus</em> de Herberto Helder, <em>A Faca não Corta o Fogo &#8211; súmula &#038; inédita</em> (Assírio &#038; Alvim), começa a chegar às livrarias. É, não tenham dúvidas, um dos maiores acontecimentos editoriais do ano. E para o comprovar basta que leiam três dos poemas inéditos do livro:  </p>
<p><em>a vida inteira para fundar um poema,<br />
a pulso,<br />
um só, arterial, com abrasadura,<br />
que ao dizê-lo os dentes firam a língua,<br />
que o idioma se fira na boca inábil que o diga,<br />
só quase pressentimento fonético,<br />
filológico,<br />
mas que atenção, paixão, alumiação<br />
¿e se me tocam na boca?<br />
de noite, a mexer na seda para, desdobrando-se,<br />
a noite extraterrestre bruxulear um pouco,<br />
o último,<br />
assim como que húmido, animal, intuitivo, de origem,<br />
papel de seda que a rútila força lírica rompa,<br />
um arrepio dentro dele,<br />
batido, pode ser, no sombrio, como se a vara enflorasse com as faúlhas,<br />
e assim a mão escrita se depura,<br />
e se movem, estria atrás de estria, pontos voltaicos,<br />
manchas ultravioletas a arder através do filme,<br />
leve poema técnico e trémulo,<br />
linhas e linhas,<br />
línguas,<br />
obra-prima do êxtase das línguas,<br />
tudo movido virgem,<br />
e eu que tenho a meu cargo delicadeza e inebriamento<br />
¿tenho acaso no nome o inominável?<br />
mão batida, curta, sem estudo, maravilhada apenas,<br />
nada a ver com luminotecnia prática ou teórica,<br />
mas com grandes mãos, e eu brilhei,<br />
o meu nome brilhou entrando na frase inconsútil,<br />
e depois o ar, e os objectos que ocorrem: onde?<br />
fora? dentro?<br />
no aparte,<br />
no mais vidrado,<br />
no avêsso,<br />
no sistema demoroso do bicho interrompido na seda,<br />
fibra lavrada sangrando,<br />
uma qualquer arte intrépida por uma espécie de pilha eléctrica<br />
como alma: plenitude,<br />
através de um truque:<br />
os dedos com uma, suponhamos, estrela que se entorna sobre a mesa,<br />
poema trabalhado a energia alternativa,<br />
a fervor e ofício,<br />
enquanto a morte come onde me pode a vida toda</em></p>
<p>*</p>
<p><em>aparas gregas de mármore em redor da cabeça,<br />
torso, ilhargas, membros e nos membros,<br />
rótulas, unhas,<br />
irrompem da água escarpada,<br />
o vídeo funciona,<br />
água para trás, crua, das minas,<br />
tu próprio crias pêso e leveza,<br />
luz própria,<br />
levanta-os com o corpo,<br />
cria com o corpo a tua própria gramática,<br />
o mundo nasce do vídeo, o caos do mundo, beltà, jubilação, abalo,<br />
que Deus funciona na sua glória electrónica</em></p>
<p>*</p>
<p><em>rosto de osso, cabelo rude, boca agra,<br />
e tão escuro em baixo até em<br />
cima a linha<br />
de ignição das pupilas<br />
¿em que te hás-de tornar, em que nome, com que<br />
potência e inclinação de cabeça?<br />
o rosto muito, o ofício turvo, o génio, o jogo,<br />
as mãos inexplicáveis,<br />
a luz nas mãos faz raiar os dedos,<br />
que a luz se desenvolva,<br />
e a madeira se enrole sobre si mesma e teça e esconda a obra<br />
e retorne e abra e mostre então<br />
a abundância intrínseca,<br />
porque se eriça num arrepio e se alvoroça<br />
o espaço, e brilha quando,<br />
no dia global,<br />
espacial, no visível,<br />
o caos alimenta a ordem estilística:<br />
iluminação,<br />
razão de obra de dentro para fora<br />
— mais um estio até que a força da fruta remate a forma</em></p>
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		<title>Poema de Herberto Helder que supostamente era inédito (mas afinal não é)</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Sep 2008 21:32:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>

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		<description><![CDATA[NOTA &#8211; O post que se segue foi escrito na convicção de que o poema publicado pela revista Time Out Lisboa pertencia à secção de inéditos do novo livro de Herberto Helder. Afinal, como se explica aqui, o poema era tudo menos novo, tendo já sido publicado nas várias edições da Poesia Toda, a abrir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>NOTA</strong> &#8211; <strong>O <em>post</em> que se segue foi escrito na convicção de que o poema publicado pela revista <em>Time Out Lisboa</em> pertencia à secção de inéditos do novo livro de Herberto Helder. Afinal, como se explica <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-inedito-que-afinal-ja-tinha-sido-publicado/">aqui</a>, o poema era tudo menos novo, tendo já sido publicado nas várias edições da <em>Poesia Toda</em>, a abrir a secção &#8216;Última Ciência&#8217;. Aos leitores as nossas desculpas.</strong></p>
<p><img src="http://timeout.sapo.pt/images_content/livros090908.jpg" alt="" /></p>
<p>No último número da <em><a href="http://timeout.sapo.pt/">Time Out Lisboa</a></em>, Isabel Lucas fala do &#8220;longo silêncio&#8221; de 15 anos que Herberto Helder se prepara para quebrar, no início de Outubro, com <em>A Faca Não Corta o Fogo – Súmula &#038; Inédita</em> (Assírio &#038; Alvim). Ao seu texto, Lucas junta um dos poemas inéditos incluídos por Herberto no novo livro. Acontece que o <a href="http://timeout.sapo.pt/news.asp?id_news=2184"><em>link</em> do artigo</a> omite os versos revelados na edição em papel, pelo que decidimos resgatá-los aqui para o blogue, a pensar nos muitos leitores que vivem longe da área metropolitana de Lisboa (onde a revista é vendida):</p>
<blockquote><p><em>Com uma rosa no fundo da cabeça, que maneira obscura<br />
de morte. O perfume a sangue à volta da camisa<br />
fria, a boca cheia de ar, a memória<br />
ecoando com as vozes<br />
de agora. Onde está sentada brilha de tantas<br />
moléculas<br />
vivas, tanto hidrogénio, tanta seda escorregadia dos ombros<br />
para baixo. Toca em<br />
de onde rompe a rosa. Uma criança<br />
luciferina. A mãe fechava,<br />
abria em torno a torrente dos átomos<br />
sobre a cara. Aquilo que a estrangula dos pulmões<br />
à garganta<br />
é a rosa infundida. Leva um braço às costas,<br />
suando, raiando<br />
pelo sono fora. Está queimada onde lhe toca. Falaria alto<br />
se o peso a enterrasse à altura das vozes.<br />
Via a matéria radiosa de que é feito o mundo.<br />
A língua doce de leite,<br />
a mão direita na massa agre, o sexo banhado<br />
no manancial secreto.<br />
O dom que transtorna a criança ardente é leve como<br />
a respiração, leve como<br />
a agonia.<br />
Uma rosa no fundo da cabeça.</em></p></blockquote>
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		<title>O acontecimento literário do ano</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 12:36:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Velho da Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é um, são dois. Durante o mês de Setembro, a Assírio &#038; Alvim vai publicar um livro de Herberto Helder com material poético inédito e Myra, o novo romance de Maria Velho da Costa (que assim se transfere para a editora de Manuel Rosa, deixando para trás a Dom Quixote e a Caminho; ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é um, são dois. Durante o mês de Setembro, a Assírio &#038; Alvim vai publicar um livro de Herberto Helder com material poético inédito e <em>Myra</em>, o novo romance de Maria Velho da Costa (que assim se transfere para a editora de Manuel Rosa, deixando para trás a Dom Quixote e a Caminho; ou seja, a LeYa). O título de Herberto não podia ser mais <em>herbertiano</em>: <em>A Faca não Corta o Fogo – súmula &#038; inédita</em>.      </p>
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