Against James Wood (salvo seja)

Se há crítico literário que nos últimos tempos vem sendo posto num pedestal altíssimo, com direito a vénias quase unânimes das elites intelectuais (tanto num como no outro lado do Atlântico), esse crítico é James Wood, o meticuloso escrutinador da literatura contemporânea, em artigos que raramente têm menos do que 30 ou 40 mil caracteres (cerca de dez a 15 vezes mais do que uma recensão normal nos jornais portugueses). Não estando em causa a inteligência, perspicácia, vigor argumentativo e rigor estilístico de Wood, há qualquer coisa de desconfortável no endeusamento recorrente da figura, até porque as entronizações costumam ser pouco produtivas, sobretudo para quem as sofre.
Urgia, portanto, que alguém se levantasse contra este processo hegemónico, se me permitem o exagero. Leitores mais distraídos podem pensar que a primeira porrada como deve ser foi dada por William Deresiewicz, neste artigo no The Nation. Mas nós, os felizes viciados na Pastoral Portuguesa, sabemos que as hostilidades foram abertas por Rogério Casanova (who else?). Embora considere Wood o seu «crítico literário preferido», RC não deixou de ficar compreensivelmente enxofrado com as coisas que o dito andou a escrever sobre Against the Day, de Thomas Pynchon. Entre duas adorações, a adoração pyncheana sobrepôs-se à adoração woodsiana. E o resultado foi o que se viu.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges