World Fantasy Awards

Já se conhecem os finalistas da edição dos World Fantasy Awards relativa aos trabalhos publicados em 2009. Na categoria de romance, entre os cinco livros candidatos está Finch, de Jeff VanderMeer, autor publicado em Portugal pela Livros de Areia (A Transformação de Martin Lake & Outras Histórias) e que eu entrevistei no Diário de Notícias em Julho de 2006.
Os vencedores serão conhecidos no final de Outubro.

Booklife Now

O escritor norte-americano Jeff VanderMeer está a lançar um novo livro, intitulado Strategies and Survival Tips for the 21st Century Writer. Em paralelo, mantém este blogue que serve de «support» e «supplement» do seu guia de sobrevivência para escritores na era da Web 2.0. A acompanhar.

Grandes Ideias

Jeff VanderMeer é um talentoso e hiperactivo escritor norte-americano, com uma obra ficcional que pode ser arrumada – embora este tipo catalogação seja sempre redutora – no género Fantástico. Aos 40 anos, tem já uma razoável bibliografia (quatro romances, oito volumes de contos e a assinatura em várias antologias), além de colaborações regulares na imprensa e vários poisos na blogosfera. A Portugal chegou apenas, por enquanto, a novela com que ganhou um World Fantasy Award em 2000 (A Transformação de Martin Lake, Livros de Areia, 2006).
No ano passado, Jeff decidiu concentrar-se no seu último romance (Finch, com edição prevista para Outubro, na Underland Press) e durante seis meses desligou-se praticamente do mundo, reduzindo ao mínimo o tempo passado na Internet. Quando acabou esta maratona literária, para descomprimir, decidiu oferecer-se «um pequeno desafio». Ou seja, outra maratona literária. Num e-mail enviado a Colin Brush, da Penguin Books, propôs: «Se me enviar os 60 volumes da vossa série Great Ideas, escreverei as respectivas recensões em 60 dias.» Leram bem: 60 textos sobre 60 livros, em 60 dias. Dito de outro modo: em dois meses, o trabalho que um crítico literário costuma fazer em dois anos.
Os amigos de VanderMeer oscilaram entre considerá-lo «louco» e «parvo», mas Colin Brush gostou da ideia e enviou-lhe pelo correio as ditas seis dezenas de livrinhos com obras maiores de grandes autores que «mudaram o mundo» – Platão, Cícero, Maquiavel, Rousseau, Darwin, Nietzsche, Freud, Schopenhauer, Voltaire, Marco Polo, Sun-Tzu, O Manifesto Comunista de Marx e Engels, etc. – «resumidas» a 128 páginas e sem extratextos. Desde 15 de Dezembro, Jeff ainda não fraquejou: todas as noites lê um livro, por vezes razoavelmente denso, sobre o qual escreve na manhã seguinte, com uma pontualidade exemplar e imune a circunstâncias que costumam distrair os outros humanos, como os feriados do Natal e Ano Novo.
A estrutura dos posts não varia. Começa com uma citação memorável; a seguir vem a sinopse; logo depois meia dúzia de parágrafos em que VanderMeer discute os principais argumentos do livro, muitas vezes partindo da experiência concreta da leitura ou de pequenas histórias pessoais; por fim a conclusão telegráfica e uma pergunta provocadora, geralmente capaz de gerar debates profícuos na caixa de comentários. Exemplo de uma sinopse (Confissões, de Santo Agostinho): «Uma viagem do pecado à epifania e à redenção, no contexto de uma fé palpável na fisicalidade de Deus, mas também no mundo enquanto realidade abstracta». Sobre Séneca, Jeff conclui que o filósofo romano, se vivesse hoje, «não desperdiçaria tempo a procurar referências ao seu nome no Google». Já quanto a Montaigne, uma certeza: «nunca seria companheiro de copos de Dylan Thomas».
Embora recorra muitas vezes ao humor, VanderMeer aborda esta «constelação de livros», como lhe chamaria Gabriel Zaid, da forma mais séria possível. O resultado, quase sempre brilhante, pode ser lido no seu blogue – Ecstatic Days – até 19 de Fevereiro.

PS – Devido a compromissos profissionais, VanderMeer ainda não acabou a sua odisseia livresca. Mas, como ele próprio explica aqui, o projecto não foi abandonado, apenas suspenso.

[Texto publicado no n.º 77 da revista Ler]

60/60

Eis uma ideia sensacional: durante 60 dias, ler integralmente durante a noite e comentar na manhã seguinte cada um dos 60 livros da colecção Great Ideas da Penguin (obras de pensadores e visionários que «mudaram o mundo»). E quem é o maluco que embarcou neste projecto megalómano, a exigir disciplina espartana até meados de Fevereiro? Nada mais nada menos do que Jeff VanderMeer, um dos mais importantes autores do género fantástico nos EUA (e que entrevistei em 2006).
A aventura do Jeff pode ser acompanhada aqui. Até agora, ele já despachou Séneca, Marco Aurélio, Santo Agostinho, Kempis, Maquiavel, Montaigne, Jonathan Swift, Rousseau, Edward Gibbon, Thomas Paine e Mary Wollstonecraft. Cada post inclui uma citação memorável, uma sinopse mínima, uma abordagem às ideias defendidas pelo autor no livro, uma conclusão e uma pergunta-desafio aos leitores.
Eis o texto publicado hoje, sobre o livro On the Pleasure of Hating, de William Hazlett:

Memorable Line
«The pleasure of hating, like a poisonous mineral, eats into the heart of religion, and turns it to rankling spleen and bigotry; it makes patriotism an excuse for carrying fire, pestilence, and famine into other lands: it leaves to virtue nothing but the spirit of censoriusness, and a narrow, jealous, inquisitorial watchfulness over the actions and motives of others.»

The Skinny
A series of strong, combative essays on subjects from boxing to modes of government.

Relevance? Argument?
I hate stickers on books that leave glue behind, self-stupidity, cruel people, sentimental movies, most small talk, cockroaches, bad carbs, pretentiousness, vapid pop music, rapacious governments, itchy tags on t-shirts, bookshelves you have to put together yourself, getting shocked by the car door, cats breathing on my head when I’m lying on the couch, empty tape dispensers, fascists, people who don’t keep to-do lists, infomercials that aren’t surreal, and most forms of jello.
William Hazlitt hates «people who have no notion of any thing but generalities, and forms, and creeds, and naked propositions, even worse than I dislike those who cannot for the soul of them arrive at the comprehension of an abstract idea.» He also hates spiders, mostly I believe because he thinks they are «little reptiles,» Charles Darwin’s On Natural Selection not having permeated the life of his Great Ideas because it’s downriver, at #16 in the Great Ideas series. But Hazlitt hates the «spirit of malevolence» more, which is why he counsels against stomping spiders, unless you are «a child, a woman, a clown, or a moralist…» (Sigh. See: A Vindication of the Rights of Women.) Pure good is just as bad as pure evil to Hazlitt, and love «turns…to indifference or disgust.» Hazlitt’s also not fond of crowds that gather «to witness a tragedy» and «superfluous bile.» He is not much for cannibals, either. Mostly, though, Hazlitt hates hate, and does an admirable job of proving his point.
In other essays, like «On Reason and the Imagination,» Hazlitt finds a solid middle ground that feels less like compromise (see: Montaigne) and more like common sense. Also of note are «On the Spirit of the Monarchy» and «What is the People?» Hazlitt’s essays, in their pugnaciousness, their focus, and their tone represent the first thoroughly «modern» approach I’ve found in the Great Ideas series.

Conclusion
I would’ve enjoyed having a conversation with Mr. Hazlett.

Question for Readers
What do you hate?

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges