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José Rodrigues dos Santos lidera top búlgaro

O romance A Fórmula de Deus (Gradiva), o mais vendido no nosso país em 2006, está neste momento no primeiro lugar do top da principal cadeia de livrarias da Bulgária: a Helikon. Já traduzido em sete línguas, o livro vai ser publicado este ano na Rússia, Hungria e EUA.
A edição búlgara, com chancela da principal editora do país (a Hermes, de Plovdiv), tem como título Borjiata Formula. Ou, como se escreve em cirílico, Божията формула. Como é óbvio, exultante com a notícia deve estar José Rodrigues dos Santos. Ou, como se escreve em cirílico, Жозе Родригеш душ Сантуш.

José Rodrigues dos Santos já vendeu um milhão de livros

Com a 11.ª edição de Fúria Divina (Gradiva), enviada para as livrarias esta semana, José Rodrigues do Santos ultrapassou a barreira do milhão de livros vendidos em Portugal, entre obras de ficção e não-ficção. Goste-se muito ou pouco (ou nada) dos livros do escritor-jornalista, é um feito.

Romance de José Rodrigues dos Santos vai ser apresentado por ex-operacional da Al Qaeda

Da editora Gradiva recebi o seguinte press-release, anunciando o surpreendente orador convidado para a apresentação de Fúria Divina:

«O novo romance de José Rodrigues dos Santos, Fúria Divina, vai ser apresentado em Lisboa por um dos primeiros operacionais da Al-Qaeda. Abdullah Yusuf já se encontra em Portugal, tendo chegado há alguns dias de África especificamente para apresentar esta obra.
Abdullah Yusuf reuniu-se por diversas vezes com Osama Bin Laden no Afeganistão e foi autor de um atentado reivindicado pela Al-Qaeda. Contactado por José Rodrigues dos Santos durante o processo de pesquisa para a obra Fúria Divina, tornou-se consultor deste romance protagonizado por Tomás Noronha sobre o islão radical.
Abdullah Yusuf irá falar este sábado, 24 de Outubro, na apresentação de Fúria Divina, cerimónia que está marcada para a praça central do Centro Colombo, em Lisboa, às 17h00 – um evento aberto ao público. Outro apresentador do novo romance de José Rodrigues dos Santos será o General Leonel Carvalho, antigo chefe do gabinete de segurança interna do Governo português.
A cerimónia de apresentação do livro contará ainda com a representação teatral de uma cena de Fúria Divina, a cargo do grupo de teatro Fatias de Cá, de Tomar.»

Bazófias de um bestseller

A pretexto do lançamento, hoje, do seu último romance (A vida num sopro, Gradiva, 613 páginas), José Rodrigues dos Santos deu uma entrevista a João Céu e Silva que ocupa as páginas centrais do Diário de Notícias. Eis alguns excertos:

«(…) Os meus romances são muito meus. Não conheço nenhum autor que escreva os romances como eu os escrevo(1). Esta escrita faz parte da minha identidade, é como se fosse uma espécie de impressão digital literária. Não quer dizer que não haja influências. Se calhar temos aqui um pouco de Somerset Maugham, um pouco de Isabel Allende, um pouco de Jeffrey Archer, um pouco de Eça(2), mas isso não é consciente.

(…) Sinto-me à vontade com qualquer género, o que importa é que eu e o leitor tenhamos prazer(3).

(…) Desconheço o que seja o famoso bloqueio de escritor. Não estou a duvidar que exista, mas realmente nunca passei por tal experiência(4). Construo o livro na minha cabeça e o problema é os meus dedos serem suficientemente rápidos para acompanhar as ideias que fluem da minha mente(5).

(…) O Codex 632 foi um romance concebido especificamente para o público português. Fala sobre coisas portuguesas partindo do pressuposto de que o público as conhece. Por exemplo, em Portugal eu posso dizer “Escola de Sagres” sem ter de explicar o que era. Mas, para um público americano que não está naturalmente familiarizado com os pormenores dos Descobrimentos, tal referência seria críptica. Tivemos, por isso, de baixar o nível de exigência do texto de modo a que ele fosse mais bem compreendido pelos leitores americanos. Isso foi algo que aceitei como uma evidência(6).

(…) Existe uma elite cultural que não gosta de sexo à portuguesa(7) nos livros e quer agora que isso se estenda a todo o público. Acha essa elite que só o sexo na literatura estrangeira(8) é que é bom.

(…) Lembro-me de há uns três ou quatro anos ter recebido um e-mail de uma leitora que dizia o seguinte: vejo na televisão e nos jornais dizerem que temos grandes escritores, livros e obras, e concluo que os burros devem ser os leitores, porque está toda a gente a ler os espanhóis, ingleses, americanos ou franceses e ninguém pega nos portugueses. Temos supostamente grandes autores, mas ninguém os consegue ler, são intragáveis(9). Mas como ninguém os pode culpar, porque são tão bons que ai daquele que os criticar, a culpa é sempre dos leitores. Grande parte dos escritores portugueses gosta de uma escrita experimental(10), mas a generalidade dos leitores(11) detesta-a. Creio que foram justamente esses leitores que eu fui buscar(12)

(1) Já António Lobo Antunes diz o mesmo.
(2) Isto é, o mais descabelado e intragável pot-pourri da História da Literatura.
(3) Se o orgasmo for simultâneo, ainda melhor.
(4) Tradução: eu sei que há escritores preguiçosos, mas eu não sou um deles.
(5) Nada que a tecnologia não resolva um dia destes.
(6) A evidência de que um autor, para ter sucesso, não precisa de coluna vertebral.
(7) Sexo à portuguesa, para quem não sabe, é uma coisa que pode envolver erecções gigantescas provocadas pela simples sugestão de uma sopa de peixe feita com leite saído directamente das mamas de uma estudante de Erasmus sueca (cf. aqui).
(8) Sexo banal, sem sopa de peixe nem leite Erasmus.
(9) Reparem na deliciosa ambiguidade que nasce de não sabermos se esta frase ainda constava do e-mail da leitora ou já pertence a Rodrigues dos Santos.
(10) Quem me dera. Onde é que eles estão? Como é que se chamam? Nomes, exijo nomes.
(11) Especialmente os que se dão ao trabalho de escrever e-mails.
(12) E quem diz buscar, diz salvar.

José Rodrigues dos Santos volta à carga

Segundo a newsletter de Outubro da Gradiva, o novo romance de José Rodrigues dos Santos vai estar em todas as livrarias no próximo dia 23. Não é revelado o título nem o tema da ficção, apenas que se trata de um livro “admirável que não se consegue parar de ler”.

PS – Segundo o autor d’O Café dos Loucos, o título do romance é A Vida num Sopro.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges