‘LeYa de Porta Aberta’

Hoje, entre as 17h30 e as 21h00, a LeYa vai reunir na sua sede, em Alfragide, cerca de cem autores das suas várias chancelas, assim como elementos do universo livreiro e a comunicação social. Além da apresentação das principais apostas das editoras do grupo para o último quadrimestre de 2010, será feita uma visita ao edifício e apresentadas algumas das muitas pessoas que nele trabalham.

Da acta do júri

Manuel Alegre, presidente do júri do Prémio LeYa, justificou a atribuição dos cem mil euros ao romance O Olho de Hertzog, de João Paulo Borges Coelho, da seguinte forma:

«O romance vencedor restitui-nos o contexto histórico dos combates das tropas alemãs contra as tropas portuguesas e inglesas na I Guerra Mundial, na fronteira entre o ex-Tanganica e Moçambique, o confronto entre africânders e ingleses, a emigração moçambicana para a África do Sul, a reacção dos mineiros brancos, as primeiras greves dos trabalhadores negros e a emergência do nacionalismo moçambicano, nomeadamente através da imprensa e dos editoriais do jornalista João Albasini. O júri considerou a obra um romance de grande intensidade, em que se conjugam a complexidade das personagens, a densidade da trama narrativa e a busca de “O Olho de Hertzog”, que é, de certo modo, uma metáfora da demanda do destino individual e colectivo e do nunca desvendado mistério do ser.»

A invenção do Brasil

«Uma obra de fôlego, que refigura uma vasta erudição, combina narrativa histórica e arte poética, elaboração wagneriana e aura profética.» Foi assim que o júri da primeira edição do Prémio LeYa, presidido por Manuel Alegre, justificou em Outubro a atribuição dos 100 mil euros – valor só igualado, no mundo lusófono, pelo Prémio Camões (que distingue toda uma obra e não apenas um livro) – ao jornalista brasileiro Murilo Carvalho, autor de O Rastro do Jaguar, considerado o melhor dos 448 romances concorrentes.
No dia do anúncio, feito durante a Feira de Frankfurt, Murilo Carvalho, 60 anos, encontrava-se no coração da Amazónia a filmar um documentário. «Foi uma surpresa enorme», confessa. «Eu só consegui falar ao telefone por estar perto de um quartel do exército, mas havia pouca rede e levei algum tempo a perceber o que me diziam.»
O Rastro do Jaguar é o seu primeiro romance e o regresso à literatura (na juventude publicou dois volumes de contos, ambos premiados), após um longo período dedicado à realização de programas televisivos, ao trabalho como guionista de cinema e à escrita de livros de reportagem («sobre as lutas entre índios e poceiros, conflitos pela posse da terra, esse tipo de temas»).
Fruto de quatro anos de pesquisa intensiva, o livro estava numa espécie de impasse, muito por culpa da sua extensão: «Uma das editoras que contactei respondeu-me que preferia não publicar um romance tão grande; era mais seguro apostar em três livros de 200 páginas do que num só com quase 600.» Por isso, ao ver o anúncio do Prémio LeYa no jornal, nem hesitou.
A ideia para o romance nasceu da leitura das obras do naturalista francês Auguste de Saint’Hilaire, que viajou pelo Brasil no início do século XIX e deixou minuciosas descrições da flora tropical. Num dos livros, Saint’Hilaire revelava a intenção de levar consigo para a Europa um índio aimoré adulto, bem como um índio guarani ainda criança, destinado a um general de Napoleão. «Ele trouxe os índios até ao Rio de Janeiro, mas o governo brasileiro não autorizou o embarque. Ninguém sabe o que aconteceu a esses dois. Então, eu decidi imaginar que eles chegavam mesmo a França. Ou seja, pus-me a ficcionar as suas vidas, mantendo os nomes verdadeiros: Firmiano (o aimoré) e Pierre (o guarani).»
Um dos objectivos de Murilo foi justamente explorar as questões identitárias dos povos indígenas, massacrados por uma política colonial que os conduziu ao extermínio, ou quase. «Quis sobretudo prestar homenagem à cultura guarani, à sua cosmogonia assente no poder da palavra, à sua religiosidade complexa e aos seus mitos, como o da procura da Terra Sem Males.»
Além das pequenas guerras de resistência dos indígenas, há outro conflito militar que ocupa um lugar central na estrutura do livro: a guerra do Paraguai. «Infelizmente, a história da América do Sul, contada em ficção, quase não existe. E eu pretendi lembrar esse momento dramático que moldou os países do extremo sul do continente: o Uruguai; a Argentina, ainda em formação como país; o Brasil, à beira do fim do império; e o Paraguai, que viu a sua população masculina dizimada (e ainda não se recompôs, século e meio depois). Estas nações formam hoje o Mercosul. Constituímos uma comunidade internacional. Temos um passaporte comum. E nascemos todos daquela guerra. Uma guerra que eu tentei descrever, para a entender melhor.»
O rigor histórico transformou-se numa obsessão para Murilo Carvalho, enquanto preparava o romance. Por isso visitou, um a um, todos os lugares referidos. «Cada casa, cada rua, cada descrição geográfica é absolutamente real. Andei por aqueles sítios, filmei muito, li tudo o que encontrei sobre os vários temas, desde relatórios militares a descrições das batalhas, passando por textos de filósofos e versos de poetas sobre a condição indígena.» Nos pântanos do Paraguai, encontrou ainda rastos da destruição e até balas, marcas do horror que o ajudaram na hora de escrever.
Para Murilo Carvalho, este romance impôs-se pela «necessidade de reflectir sobre a História do meu país», algo que os documentários não lhe davam, «porque só permitem mostrar a realidade como ela é», em bruto, sem o lastro de um pensamento mais elaborado. «Em minha opinião, a literatura deve abarcar os muitos aspectos de uma época, focando tanto os movimentos individuais como os colectivos. Eu não gosto dos romances demasiado intimistas, que ficam navegando apenas pelo interior das personagens.» Precisamente o tipo de ficção que domina, segundo Murilo, o panorama «muito pobre» da literatura brasileira contemporânea. «Os jovens autores estão todos voltados para si mesmos. É a literatura dos gabinetes de S. Paulo, da violência urbana. E o resto do país como que desaparece.»
Talvez por isso, embora aprecie alguns escritores mais recentes (como Luiz Ruffato, Cristovão Tezza ou Caio Fernando Abreu), as referências maiores estão lá para trás: «Há o Guimarães Rosa, claro. Eu gasto os livros dele, de tanto ler. E depois alguns nomes menos conhecidos fora do Brasil, como Autran Dourado ou Adonias Filho, autor de Memórias de Lázaro, um livro maravilhoso.» Não que o seu estilo se assemelhe ao destes escritores: «Eu escrevo de forma muito clara, muito cinematográfica. E se há alguma herança é mais dos delírios de Joseph Conrad e Richard Wagner.» A música de Wagner, explicitamente evocada no livro, foi mesmo essencial no processo de criação. «Passei o tempo todo a ouvir o Tannhäuser, com as partituras na mão, procurando compreender tanto as ideias musicais como a busca dos mitos.»
Com a folga financeira permitida pelo prémio, o objectivo é agora dedicar-se mais à literatura, mas sem abdicar do trabalho que vem fazendo. No horizonte, há vários projectos de documentários, um deles sobre a exploração sexual de crianças nas estradas brasileiras. E o próximo romance, Memórias de Isabel, já está escrito. «É sobre o período da ditadura, reflectindo um pouco da minha experiência na época. Passa-se durante uma semana, uma parte na Bahia, outra parte em S. Paulo, em torno da construção de uma grande barragem no sertão e do assassinato de Vladimir Herzog, um grande amigo e jornalista. Foi com o impacto da sua morte que a ditadura começou a cair.»
O Prémio LeYa será oficialmente entregue a Murilo Carvalho no dia 6 de Abril, no Hotel Pestana Palace, em Lisboa, pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Já esta semana, foi aberto o concurso para a segunda edição do prémio, cujo regulamento pode ser consultado aqui. O prazo para a entrega de originais termina a 15 de Junho.

[Texto publicado no suplemento Actual do semanário Expresso]

422

São 422, os romances originais concorrentes ao Prémio LeYa. Quatrocentos e vinte e dois cães a um osso. E um osso que no fim de contas pode não passar de uma ilusão.

João Aguiar troca LeYa pela Porto Editora

O romancista João Aguiar anunciou que vai publicar os seus dois próximos romances na Porto Editora, única forma de “continuar a trabalhar” com Manuel Alberto Valente, o ex-director-geral da Asa que o foi buscar à Dom Quixote e o acompanhou durante 18 anos. Além de Aguiar, consta que Valente vai conseguir roubar alguns nomes fortes do catálogo internacional da sua antiga editora, como Luis Sepúlveda e Paul Auster. Resta saber se, no universo de autores da LeYa, estas serão fugas pontuais ou o início de um êxodo.

LeYa quer comprar Oficina do Livro

A LeYa já era enorme, agora vai ficar gigantesca. Ao rol de editoras que passou a deter no final de 2007, Miguel Pais do Amaral poderá acrescentar em breve o Grupo Oficina do Livro, num processo de aquisição que está neste momento em curso, por verbas ainda não divulgadas. Eis o comunicado de imprensa emitido ao final da tarde, dando conta do negócio:

«A Leya e a Explorer Investments assinaram ontem o contrato-promessa de aquisição do Grupo Oficina do Livro, que integra as editoras Oficina do Livro, Casa das Letras, Teorema, Estrela Polar e Sebenta.
Com o objectivo de consolidar a Leya no mercado editorial nacional, reforçando a sua liderança em termos de volume de negócios, esta operação vai ao encontro da estratégia de criar um grupo com dimensão internacional no campo da Língua Portuguesa, garantindo que o pilar português da Leya apresente uma dimensão que lhe permita encontrar o necessário equilíbrio com o que se pretende que venha a ser o pilar brasileiro, a desenvolver.
Por outro lado, esta aquisição justifica-se pelo facto de o Grupo Oficina do Livro ser uma empresa muito rentável e com uma agressiva dinâmica editorial, de marketing e comercial. O Grupo Oficina do Livro é, ainda, uma empresa que dispõe de excelentes recursos humanos e de uma forte organização e posicionamento de mercado. Acresce, também, que ambas as empresas comungam de uma aposta estratégica de promoção dos autores de língua portuguesa.
A Leya manterá a identidade e independência editorial das editoras que integram o Grupo Oficina do Livro, à semelhança do que aconteceu com as restantes editoras do grupo Leya. A Direcção-geral do Grupo Oficina do Livro continuará a ser da responsabilidade de António Lobato de Faria, que tem vindo a desempenhar um trabalho notável no desenvolvimento daquelas editoras.
A Explorer Investments congratula-se com esta operação, que vem culminar todo o trabalho desenvolvido para transformar o Grupo Oficina do Livro no conjunto de editoras sólidas e de referência nacional que hoje representa e que contribuiu de forma decisiva para a sua valorização.»

Curioso é este comentário, que evoca tanto O Padrinho como Os Sopranos, deixado pelo escritor Rui Zink na edição electrónica do jornal Público (partindo do princípio de que se trata mesmo do escritor Rui Zink e não de alguém a fazer-se passar por ele): “Just when I thought that I was out, they PULL me back in!”

LeYa menos

Era previsível. Enquanto grupo, a LeYa só arranca no final do mês, mas as deserções já começaram. Se a transferência de Francisco José Viegas para a Bertrand se compreende, uma vez que vai dirigir a partir de Maio a revista Ler, do grupo Bertelsmann/Círculo de Leitores (evitando assim conflitos de interesses), já a saída de Manuel Alberto Valente, um dos melhores editores portugueses (editor-editor, a sério, para quem a literatura é muito mais do que um negócio), representa um sinal claro do que aí vem.
Valente escreve a meias com Viegas na blogosfera. Ao contrário deste, ainda não explicou as suas razões. Nem precisa. Qualquer pessoa com dois dedos de testa adivinha quais foram e sabe que não auguram nada de bom.

Quer ganhar 100 mil euros? Pergunte-me como

É simples. Primeiro, procure nas gavetas lá de casa se tem um romance com mais de 200 páginas pronto a editar. Caso não tenha, compre uma resma de papel e uma Remington em 15.ª mão (se for um fetichista armado em Hemingway) ou abra um ficheiro do Word e lance-se ao trabalho (se for apenas um candidato a escritor, moderno e pragmático). Quando tiver terminado a sua obra-prima, de preferência antes de 15 de Junho, leia este regulamento, trate da parte burocrática, envie tudo para a morada no Cacém e aguarde que a sorte grande ande à roda em Frankfurt, lá para Outubro. Ah, já agora não se esqueça de ler as letras pequeninas, que neste caso têm o mesmo tamanho das outras mas foram deixadas estrategicamente para os artigos finais (o 13, o 14, o 15 e o 16).

O almoço agradável

Segundo a edição de ontem do Diário de Notícias, Miguel Pais do Amaral almoçou por estes dias com António Lobo Antunes, o autor mais importante do catálogo da Dom Quixote, a última das editoras adquiridas pelo empresário para a sua holding. E tudo indica que Lobo Antunes, depois de ameaças veladas em entrevistas, vai permanecer onde está. Contactado pelo jornal, o patrão da Leya não quis revelar o conteúdo da conversa e “remeteu qualquer esclarecimento sobre o assunto para o escritor”. Mas este não foi menos lacónico: “Uma vez que Pais do Amaral não faz comentários sobre o encontro, não seria elegante da minha parte fazê-lo. Digo apenas que foi um almoço agradável.”
Resumindo: Pais do Amaral providenciou a Lobo Antunes o mesmo tratamento que reservara a Saramago (uma explicação privada, os salamaleques da praxe) e tudo entrou nos eixos. Como insinuei aqui, a intenção de “sair” manifestada pelo autor de Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo não passava de fogo-de-vista. Lobo Antunes, mais do que a impor a sua dignidade literária, estava era a pedir mimo. E Pais do Amaral, em prol do negócio, deu-lho.

MeYA

Um dos grandes objectivos da concentração de empresas, já se sabe, consiste em reduzir o número de trabalhadores. Criam-se departamentos transversais e corta-se no pessoal. É também isso que está a acontecer na tão falada holding de Miguel Pais do Amaral: na apresentação da nova marca do grupo já só estiveram 549 funcionários, dos 670 que havia antes (correspondendo a uma quebra de 18%), mas há quem fale num downsizing ainda maior, na ordem dos 40%. Veremos. Mas se quase metade das pessoas que trabalhavam nas editoras progressivamente adquiridas por Pais do Amaral forem efectivamente dispensadas, talvez valesse a pena mudar o nome da holding de LeYa para MeYa. É que em vez da Caminho, da Asa, da Dom Quixote, da Texto, da Gailivro, da Novagaia, da Ndjira e da Nzila, vamos ter meia Caminho, meia Asa, meia Dom Quixote, meia Texto, meia Gailivro, meia Novagaia, meia Ndjira e meia Nzila.

LeYa on-line

Já há site para o novo império editorial português: www.leya.com.

[Revelado anonimamente nos comentários a um post do BlogTailors]

Uma mascote possível

Leya

Leya, a cadela Yorkshire Terrier de José Mourinho.

Um slogan possível

LeYatudo até ao fim

Em vez de leão, jibóia

Lembram-se desta metáfora visual zoológica (que alguns talvez tenham considerado excessiva)? Ontem, Isaías Gomes Teixeira corroborou-a:

A estratégia a adoptar no Brasil, onde Pais do Amaral também pretende vir a comprar editoras, ainda não foi delineada, mas será uma prioridade no futuro do grupo. “Neste momento, somos a jibóia a digerir o búfalo”, disse Gomes Teixeira. “O Brasil virá a seu tempo…”

LeYa

LeYa

A marca LeYa (com y maiúsculo, segundo o Público) foi hoje apresentada, no Centro de Congressos do Estoril, por Isaías Gomes Teixeira, administrador da holding de Miguel Pais do Amaral. Além da intenção já antes demonstrada de fazer com que o projecto “cresça” (previsão de mil novos títulos em 2008 e um volume de negócios de 90 milhões de euros, tendo como objectivo tornar-se, em breve, «o maior grupo editorial de toda a área da língua portuguesa»), houve duas grandes novidades:

  • O esclarecimento de que cada editora manterá a sua chancela antecedida pelo nome do grupo. Ou seja, teremos a LeYa-Caminho, a LeYa-Dom Quixote, a LeYa-Asa, etc. (A marca LeYa foi criada pelo publicitário Carlos Coelho, que a considera «nobre, simbolizando o Y a abertura da nossa língua».)
  • O anúncio da criação do prémio literário LeYa, no valor de 100 mil euros, para um romance inédito escrito em português, a atribuir durante a Feira de Frankfurt (com a ideia de “exportar” os “nossos autores”). O regulamento será conhecido a 15 de Fevereiro.

Quanto ao primeiro ponto, parece-me que haverá inevitavelmente uma descaracterização da identidade de cada uma das editoras, agudizada pelo previsível nivelamento das linhas gráficas. Ter o nome da holding à frente (e não atrás) da designação original das editoras, empobrece-as, coloca-as em segundo plano, exibe de forma quase hostil quem realmente manda. E, para piorar as coisas, a marca LeYa é de uma pobreza franciscana. Fora o imperativo fonético (leia!), não diz absolutamente nada. Parece um nome made in China, um nome da loja dos trezentos. Já para não dizer que o simbolismo do Y enquanto «abertura da nossa língua» (abertura a quê ou de quê?) é um rotundo disparate, a começar pelo facto da letra tão na moda (veja-se a Byblos) não existir sequer no alfabeto português.
O prémio literário levanta-me ainda mais dúvidas. Cem mil euros é muito dinheiro. Ou seja, tanto como o atribuído pelo Prémio Camões, de longe o mais importante do espaço da lusofonia, mas que distingue uma carreira (como o Nobel) e não um livro concreto. Neste campeonato, digamos assim, o LeYa não tem rival à altura na CPLP: o Prémio PT de Literatura em Língua Portuguesa atribui um total de 70 mil euros (mas apenas 37.500 para o vencedor), o Prémio Saramago “fica-se” pelos 25 mil euros e o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores não ultrapassa os 15 mil euros. Na verdade, o LeYa pede meças aos principais prémios do mundo anglófono, sendo superior ao Costa Book Awards (40 mil euros) e mesmo ao tão mediático Man Booker Prize (cerca de 67 mil euros), ficando apenas aquém do maior prémio para um livro: o IMPAC Dublin (127 mil euros).
Financeiramente, o LeYa vai ser incontornável. Resta saber qual a sua credibilidade. É que se alguns dos prémios atrás referidos são patrocinados por empresas assumidamente não-literárias (especialistas em investimentos alternativos, café ou sistemas de controlo), o LeYa vai ter como patrono uma holding editorial. Como é que vão ser geridos os conflitos de interesses? Se o prémio é aberto a todos os autores de língua portuguesa, será que os escritores publicados pela LeYa podem participar? Por outro lado, se os nomes fortes da casa ficarem de fora (como a lógica e a transparência exigem), que interesse é que a LeYa terá em premiar e promover autores de outras editoras ou grupos concorrentes?
Ainda há aqui muitas zonas de sombra. Esperemos que se dissipem no dia 15 de Fevereiro.

PS — Estou muito curioso de saber que figuras serão convidadas para o júri…

PS 2 — O objectivo de “internacionalizar” os autores lusófonos, anunciando o prémio em Frankfurt, revela ambição. Mas, é bom dizê-lo, também alguma ingenuidade. Sabendo-se que por aqueles dias os suecos revelam a identidade do Nobel da Literatura, alguém vai ligar alguma coisa ao vencedor do prémio português com nome patusco?

[Foto: DN]

Com quatro letrinhas apenas

Segundo os BlogTailors, o recentemente ampliado grupo editorial de Miguel Pais do Amaral (agora com a Dom Quixote a bordo) já tem nome: Leya.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges