O boato

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Às 9h23, publiquei aqui uma notícia tristíssima, chegada por SMS horas antes (1h42): «Soube agora mesmo que o Manuel Rosa morreu, num acidente.» Não sabendo mais pormenores, lamentava nesse post a terrível perda e o golpe brutal — mais um — que atingia assim a Assírio & Alvim, uma das melhores editoras portuguesas. O principal pormenor em falta era este: a notícia é falsa. Completamente falsa.
Apesar do inqualificável boato que alguém certamente muito desequilibrado pôs a circular, para desespero e dor de quem conhece o Manuel, este encontra-se de perfeita saúde, tal como a Ilda David’, que supostamente teria partido uma perna no suposto acidente de viação.
Como devem imaginar, até me arrepio só de pensar que durante umas horas “matei” alguém que muito estimo e admiro. É certo que coisas destas já aconteceram várias vezes (a começar pelo mais famoso dos antecedentes); é certo que ninguém está a salvo de mentes retorcidas e capazes de espalhar as mentiras mais sórdidas; mas ainda assim impõe-se um pedido de desculpas ao Manuel Rosa, claro, e a todos os leitores que se sobressaltaram (felizmente) em vão.

[Fotografia: João Moreira dos Santos, reenquadrada]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges