Marketing porta-a-porta

Esta tarde, ao chegar a casa, um postal com a capa do novo romance (ou «quase romance») de Miguel Sousa Tavares, que chega às livrarias amanhã, estava preso junto às campainhas, no lugar habitualmente ocupado por cartões de electricistas, mestres de obras eslavos, explicadores de matemática do 9.º ano, bruxos senegaleses e desentupidores de canos com serviços de urgência.

Quase (3)

Há uma interpretação possível para o epíteto escolhido por Miguel Sousa Tavares: comparado com o gigantismo de Equador (528 páginas) e Rio das Flores (627 páginas), as magras 128 páginas de No teu deserto vão parecer uma novela compridita ou um romance curtinho, um romance que não chega bem a ser romance, um romance quase, um quase romance (lá está).

Quase (2)

Dirão os detractores de António Lobo Antunes: antes «quase romance» do que «poema».

Quase

Para classificar o seu novo livro, intitulado No teu deserto, Miguel Sousa Tavares utiliza a expressão «quase romance». Chama-se a isto jogar à defesa.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges