A invenção do alfabeto

O Criador de Letras
Autor: Pedro Foyos
Editora: Hespéria
N.º de páginas: 307
ISBN: 978-989-95458-3-0
Ano de publicação: 2009

Num recanto do Próximo Oriente (actual Líbano), vive um povo de «cunho mercantil». Dos portos de Byblos, Cidade-Estado sob domínio dos faraós do Reino das Duas Senhoras (Egipto), os fenícios não se limitam a exportar bens tangíveis – como madeira de cedro, resinas, óleos ou púrpura. Além de mestres nas artes náuticas, eles tornaram-se uma potência cultural, sede da maior e mais antiga escola de escribas. Ao iniciar o seu mandato, o novo rei, Zabarbaal, fixa dois desígnios: a exploração dos limites geográficos da Terra (o «Grande Corpo») e a criação de uma nova escrita simplificada, «que todos possam aprender e executar com rapidez». O primeiro objectivo não chega a ser alcançado, mas o segundo cumpre-se sob a forma de um revolucionário alfabeto fonético, precursor e protótipo daquele com que está a ser escrito este texto, mais de três mil anos depois.
É justamente o processo de invenção das letras associadas a sons que Pedro Foyos descreve neste livro, atribuindo-o a um homem «bom de coração» que, enquanto cria o novo alfabeto (moldado com hastes de vimeiro), incorpora nele as histórias e os factos do mundo que o rodeia. As letras tanto se inspiram nos dentes de um arado como nas mudanças de paradigma religioso (o «deus único» solar imposto por Akhenaton), na forma de um almofariz como nas conspirações políticas que agitam a cidade; ou ainda nos diálogos filosóficos entre o Criador de Letras e uma sábia oliveira milenar (Mãe Taât).
Foyos sabe criar enredos, conhece bem o período histórico em que a narrativa se desenrola e escreve com elegância – embora seja traído, aqui e ali, pela inevitável previsibilidade de uma odisseia conceptual condenada a ir de A a Z.

Avaliação: 5,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

A invenção do alfabeto

«Na Fenícia, há mais de três mil anos, dão-se quase em simultâneo três acontecimentos épicos: primeiro, o Rei de Byblos confia ao seu melhor escriba a tarefa de simplificar a complexa escrita de então. A seguir, rodeando-se do maior segredo, prepara-se para lançar uma expedição destinada a explorar os limites geográficos do mundo conhecido. Depois, o acontecimento mais extraordinário: o Egipto, que naquele tempo detinha a tutela política da região, decreta o fim do politeísmo e impõe a adoração de um deus único, solar, naquela que terá sido a primeira emergência do monoteísmo na História humana.
O Criador de Letras, romance de Pedro Foyos, decorre nesta época de acontecimentos revolucionários, onde se cruzam a mitologia, o mistério, as lutas de poder e a ânsia do Homem em tomar as rédeas do próprio destino, tendo como pano de fundo esse momento crucial para a transmissão e consolidação do pensamento que foi a criação do alfabeto fonético, protótipo daquele que continuamos a usar.»

Já nas livrarias.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges