Mecânica da dor

A Química das Lágrimas
Autor: Peter Carey
Título original: The Chemistry of Tears
Tradução: Ana Falcão Bastos
Editora: Gradiva
N.º de páginas: 317
ISBN: 978-989-616-483-6
Ano de publicação: 2012

No final de Julho, o anúncio da longlist do Man Booker Prize foi recebido com alguma surpresa. A escolha de Hilary Mantel (com Bring Up the Bodies, sequela de Wolf Hall, o romance histórico que lhe deu o Booker em 2009) foi a excepção à regra, num ano em que os habituais pesos-pesados ficaram pelo caminho, em detrimento de autores menos conhecidos e de quatro estreantes. Martin Amis e Ian McEwan têm livros novos, tal como Zadie Smith, mas nenhum deles entrou no top-12 do júri. Tal como não entrou este A Química das Lágrimas. E se Peter Carey, duas vezes vencedor do Booker (1988 e 2001), já não tem nada a provar, a verdade é que a sua exclusão eleva a expectativa quanto aos livros seleccionados, porque A Química das Lágrimas, mesmo ficando aquém das grandes obras do escritor australiano, não deixa de revelar a mestria narrativa de um dos melhores contadores de histórias do nosso tempo.
Catherine Gehrig trabalha no fictício museu Swinburne, em Londres, famoso pela sua colecção de «relógios de todos os tamanhos e feitios, de autómatos e de outros mecanismos de corda». Entre dezenas de especialistas em metais, vidros, têxteis e cerâmica, «gente obcecada com pormenores», ela está ao serviço na área da relojoaria, prolongando uma tradição familiar que remonta a um avô de origem alemã. Secretamente, mantém há 13 anos um caso amoroso com Matthew Tindall, homem casado e pai de dois filhos. Quando Matthew morre repentinamente, de ataque cardíaco, no metro, Catherine sente o chão fugir-lhe debaixo dos pés. «Durante anos pensei que o trabalho de relojoaria devia apaziguar qualquer agitação no íntimo de uma pessoa», diz para si mesma. «Estava tão confiante na minha opinião quanto redondamente enganada.»
As primeiras páginas do romance mostram o desamparo e descontrolo emocional de Catherine. Nervosa, deprimida, incrédula face à tragédia, ela começa a beber garrafas de vodca umas atrás das outras (mesmo sabendo do alcoolismo em que o pai caiu, quando se viu forçado a substituir as minúcias da sua arte pela mera substituição de pilhas electrónicas). O não poder assistir às cerimónias fúnebres, a impossibilidade de cumprir os rituais do luto, tornam ainda mais penoso o processo de despedida. Quase como um castigo, Catherine vai apagando um a um, mas só depois de os reler, os muitos e-mails que trocou com Matthew, magoando-se com a memória da felicidade perdida. Sente-se «uma máquina a girar que nem louca, como aquela escultura de Jean Tinguely construída para se destruir a si própria» e tanto sofrimento parece empurrá-la inevitavelmente para uma desgraça qualquer.
É então que entra em cena Eric Croft, o seu superior hierárquico, amigo de Matthew e único conhecedor daquele amor secreto de que ninguém chegou a suspeitar. Afável, paciente, ele consola Catherine, sugere-lhe uma baixa médica e acaba por lhe atribuir um projecto técnico ambicioso, capaz de a distrair dos maus pensamentos. Dentro de caixas, num anexo do museu, há um autómato do século XIX à espera de ser classificado, restaurado e montado. Trata-se de um cisne em prata, imitação quase perfeita de um cisne verdadeiro, assente sobre varetas de vidro (capazes de simular o movimento e os brilhos da água), entre as quais circulam peixes de vidro que a ave apanha com o bico e finge devorar. Não é apenas um objecto elegante e admirável (há uma graciosidade nos seus gestos que parece tudo menos mecânica), é sobretudo uma oportunidade para o museu conseguir apoios dos mecenas, expor a peça ao público e angariar fundos mais necessários do que nunca – os conservadores acabam de subir ao poder no Reino Unido (estamos em 2010) e começaram logo por cortar os subsídios às instituições culturais. Mesmo queixando-se da inconveniência de «incumbir uma mulher enlutada da tarefa de simular vida», Catherine aceita o desafio.
Junto às peças soltas do autómato, estão cadernos que explicam a história do espantoso cisne de prata. Os cadernos foram escritos pelo homem que encomendou a sua fabricação, em 1854: Henry Brandling, o herdeiro rico de uma empresa de caminhos de ferro. Depois de perder uma filha ainda criança, ele teme que o filho mais novo, Percy, siga o mesmo caminho, vitimado pela tuberculose. Certo dia, por acaso, mostra-lhe um desenho do célebre pato mecânico de Vaucanson (um autómato que comia milho e defecava), provocando no miúdo um grito de alegria que lhe traz cores ao rosto e uma «agitação magnética» que ao pai parece salutar. Promete então oferecer-lhe uma réplica real do pato (que há-de ser cisne, como na fábula) e, para cumprir a promessa, viaja até à Floresta Negra, partindo de Karlsruhe e terminando em Furtwangen, à procura de mestres oficinais nas terras onde foi inventado o relógio-de-cuco.
Em capítulos alternados, acompanhamos os esforços e dificuldades de Catherine, tanto na montagem do autómato como na gestão psicológica e física da sua dor, e as deambulações de Brandling pela Alemanha, numa atmosfera digna dos irmãos Grimm: fantástica, obscura, burlesca, propícia a ilusões e prodígios. Um século e meio depois, Catherine lê o que Henry escreveu e há evidentes simetrias entre as duas histórias, marcadas pelo amor incondicional e pela devastação da perda (real ou antecipada). Carey articula muito bem estes dois planos cronológicos, unidos pela materialidade do autómato, enquanto este vai sendo construído (Henry) e reconstruído (Catherine). Ao tema central, o da procura de uma «ordem profunda» na natureza caótica do universo, juntam-se outros menos conseguidos, como a questão ambiental (em torno do derrame de petróleo provocado pela BP no Golfo do México). No fim, são poucas as certezas. E ainda bem. É quando mergulha no «mar de ambiguidade» que a prosa de Carey se torna mais exacta.

Avaliação: 8/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Peter Carey: “A literatura não é uma corrida de cavalos”

Poucos dias depois de saber que o seu último romance — Parrot e Olivier na América (edição portuguesa da Gradiva) — fora escolhido para a shortlist do Man Booker Prize [entretanto ganho por The Finkler Question, de Howard Jacobson], Peter Carey, o escritor australiano que vive em Nova Iorque desde 1990, respondeu por e-mail às perguntas que lhe enviámos. Embora garanta que «a literatura não é uma corrida de cavalos», Carey tem [tinha] legítimas aspirações a conseguir um feito inédito na história do mais importante dos prémios literários para a língua inglesa. Se triunfar [triunfasse] na edição deste ano, será [seria] o primeiro autor a vencer por três vezes o Booker. As duas primeiras aconteceram em 1988 (Oscar e Lucinda) e 2001 (A verdadeira história do bando de Ned Kelly).

Este romance, conforme explica na nota final, começou a ganhar forma quando leu, há alguns anos, o clássico Da Democracia na América (1835). O que é que o atraiu na abordagem feita por Alexis de Tocqueville à então muito jovem sociedade americana?
Eu li Da Democracia na América durante os anos Bush, terríveis para o mundo todo e também para a maioria dos americanos. Em Tocqueville encontrei um aristocrata francês desaparecido há muito tempo, mas que se preocupou exactamente com o mesmo problema: o funcionamento de uma sociedade obcecada pelo dinheiro e governada por um líder pouco instruído. Claro que não devemos resumir Tocqueville de forma tão linear, mas esta foi uma das razões para o meu interesse. Ele também estava preocupado com o tipo de cultura que pode desenvolver-se numa democracia capitalista. E acho que tinha bons motivos para se preocupar. Como é evidente, nunca desejei que a América se tornasse uma aristocracia ou uma monarquia. Mas pareceu-me que havia aspectos da sua argumentação que mereciam ser levados em conta. Comecei então a imaginar para ele um companheiro de viagem diferente do verdadeiro, que foi Gustave de Beaumont (um aristocrata como Tocqueville), e assim apareceu o meu Parrot. Depois, pareceu-me que o protagonista já não podia ser exactamente igual a Tocqueville e ele transformou-se noutra personagem: Olivier.

Tocqueville era um estrangeiro, como o Peter Carey foi — quando se mudou para Nova Iorque há 20 anos — e de certa maneira continua a ser. Até que ponto é que alguém vindo de fora (seja da França pós-revolucionária, seja da Austrália dos nossos dias) pode revelar mais capacidade do que os próprios americanos para compreender os EUA?
Tocqueville era muito novo, a viagem foi curta, e ele podia ser apenas mais um dos muitos visitantes que atravessaram a América fazendo julgamentos apressados. Há qualquer coisa de milagroso no facto de ele ter compreendido tanta coisa, apesar dos muitos erros que cometeu. O meu caso é um pouco diferente. Sou um homem com dois passaportes, que vive aqui há muito tempo e tem dois filhos americanos. Uma pessoa com dois mundos, pelo menos, o que me dá (espero) um ponto de vista interessante sobre o país em que vivo.

Ao longo do livro, é impossível não reparar nos paralelismos óbvios entre a época que descreve (a década de 1830) e o presente. É como se houvesse, nas observações que vai atribuindo às várias personagens, uma espécie de presciência quanto aos poderes e limites da democracia futura. Ou seja, da democracia actual.
Claro, essa é uma das ideias centrais do projecto, embora não fosse minha intenção que o leitor se apercebesse totalmente dessa presciência. A razão de Olivier ser tão snobe é só uma: duvidarmos das suas opiniões. Numa leitura ideal do livro veríamos, mas apenas nas páginas finais, até que ponto Parrot pode estar errado e o aristocrata pode estar certo. Não quis, porém, fazer disto uma discussão com um vencedor e um vencido. É antes algo de mais fluido. E no fim de contas, não o esqueçamos, é um romance. Ou seja, um mundo completamente imaginado que tem, espero eu, todos os mistérios e belezas de uma obra de arte que perdura.

O subtexto da antecipação histórica permite várias piscadelas de olho ao leitor. Como quando se profetiza que há-de chegar o dia em que a Casa Branca terá como inquilino um idiota. Ou quando um banqueiro de Nova Iorque concede crédito para a compra de uma casa a alguém que nunca conseguirá pagar o empréstimo, exactamente o que aconteceu na recentíssima crise do subprime.
Quanto ao idiota na Casa Branca, esteve comigo todos os dias durante oito anos e não posso dizer que tenha gostado de viver sob o seu governo, ou na oligarquia que ele estava a criar. De certa maneira, foi dessa experiência negativa que a ideia do livro nasceu e tive muito cuidado para que funcionasse literariamente. Eu estava a par da batalha do presidente Andrew Jackson com o First Bank of the United States e tudo isso. Contudo, o meu banqueiro ficcional não surgiu para criar um qualquer efeito de presciência, mas porque havia a necessidade de que Mathilde conseguisse dinheiro, e depressa. Como é que uma mulher solteira da sua classe social poderia obter um empréstimo em 1832? Quais seriam os motivos do banqueiro para conceder um tal empréstimo? Como é que esta prática poderia gerar lucros para o banqueiro? Eu estava, evidentemente, a inventar a crise financeira, ignorando que existiam muitos bancos e gestores de fundos de risco a fazê-lo, de forma muito mais eficiente, na vida real. A este respeito, valerá a pena reparar no dia em que o livro imaginário de Parrot começa a ser impresso. São as últimas palavras da última página: 10 de Maio de 1837 — a data em que rebentou uma bolha especulativa, provocando uma crise financeira gravíssima.

Olivier está ao mesmo tempo fascinado com o conceito de liberdade (enquanto pilar da democracia) e intrigado com os efeitos práticos da igualdade social. No fim, sobretudo após assistir a uma paradigmática parada do 4 de Julho, ele revela muitas dúvidas sobre a viabilidade daquele projeto coletivo.
Neste caso estou literalmente em dívida para com Tocqueville, que registou uma parada do 4 de Julho em Albany no mesmo tom, com muitos dos mesmos participantes e muitas das mesmas reservas quanto ao que estava a ver.

Uma das questões abordadas pelo livro é o do lugar ocupado pela cultura. Olivier defende, por exemplo, que a verdadeira arte é impossível numa democracia.
E Olivier está claramente errado. A grande arte, como desígnio, sempre foi feita nos EUA. O próprio livro — feito em Nova Iorque — desmente o argumento de Olivier. Para além de que, no que diz respeito às artes visuais, eu diria que Olivier não tem sensibilidade nenhuma. E no entanto, apesar disto tudo, ele não está completamente «errado». Se olharmos para os filmes actuais, e para os livros que nos dão a ler, e para a televisão que nos empurra colectivamente para o sono à noite, podemos questionar-nos: para que serve então a democracia? É para ter o povo a nadar num mar de trampa cultural?

Embora Olivier de Garmont seja inspirado em Tocqueville, há diferenças significativas entre os dois. Porque razão sentiu necessidade de mostrar que a sua personagem não é um mero clone de uma figura histórica?
Porque a minha personagem é chamada a fazer coisas que Tocqueville nunca fez, porque o seu carácter é definido por essas acções, porque não sou um estenógrafo nem um historiador, porque a grande ambição da minha vida é fazer qualquer coisa muito bela que nunca tenha existido antes no mundo. Dito isto, ficaria desiludido se o leitor não fosse capaz de ver, por baixo das várias camadas de ficção, talvez com luz ultra-violeta ou a raio X, o próprio Alexis de Tocqueville, nem que seja na forma como Olivier se queixa do fiambre. Espero que os pormenores enriqueçam a leitura do romance, que se aguenta perfeitamente, é preciso dizê-lo, sem todos estes detalhes de especialista.

Apesar do enorme trabalho de pesquisa, implícito na escrita do livro, nunca sentimos que a exatidão dos factos históricos seja mais importante, para si, do que a liberdade da imaginação literária.
Eu não posso discutir com o grande caudal da História. Waterloo aconteceu quando aconteceu. Porque haveria de querer mudar a data da batalha? Os costumes daquela época são estranhos e peculiares. Se eu aprender como eram esses costumes, isso tornará a história que quero contar mais rica e interessante.

Parrot, o proletário britânico que acompanha Olivier na viagem à América, está nos antípodas do aristocrata francês que ele é suposto servir e espiar. De qual dos dois se sente mais próximo?
De nenhum deles. Gosto dos dois. É um milagre que existam, tanto um como o outro.

Terminemos com boas notícias. Acaba de ser seleccionado, mais uma vez, para a shortlist do Man Booker Prize. Está confiante na vitória?
Há seis romances e cinco jurados numa sala. De que serve estar confiante?

Se ganhar, tornar-se-á o primeiro escritor a conseguir três triunfos no Booker, algo que J.M. Coetzee poderia ter alcançado em 2009, mas não alcançou. Que importância teria para si este feito?
A literatura não é uma corrida de cavalos.

E se perder, será difícil lidar com a frustração?
De maneira nenhuma. Sinto-me muito honrado. Fui escolhido para a shortlist quatro vezes. Ganhei duas. Acredite, perder em Outubro não faz disto uma experiência frustrante, o simples facto de estar aqui já é um motivo para celebração.

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

4 de Julho de 1836

«Da minha posição privilegiada, não conseguia ver grande parte do desfile. Por isso, permitam-me que vos conduza a pé até uma igreja metodista com o aspecto de quartel num país católico. Aí, um magistrado, que na América desempenha funções análogas ao procureur du Roi, leu a Declaração da Independência.
Deparei-me então com um espectáculo verdadeiramente admirável. Reinava um profundo silêncio. Assim, a voz do magistrado tornou-se a voz do Congresso ao passar em revista as injustiças e a tirania de Inglaterra com grande ardor e dignidade. Era possível ouvir e sentir o murmúrio de indignação e de cólera a circular no auditório. Quando o magistrado proclamou a justiça da causa e manifestou a resolução dos Pais Fundadores de sucumbirem ou libertarem a América, foi como se uma corrente eléctrica fizesse vibrar todos os nossos corações.
Ali sentimos, até ao mais fundo de nós, o regresso de todo um povo ao momento do seu nascimento. Nessa união da geração presente com a que já não existia, e partilhando naquele instante toda a generosidade da sua paixão, havia algo de profundo e de verdadeiramente grandioso.
Oh, se as coisas tivessem ficado por aí!
Infelizmente, a seguir um advogado avançou para arengar e, deste modo, o grande dia converteu-se numa farsa quando o Grande Chato de Albany se sentiu obrigado a mencionar todos os países da história do mundo. Assim, invocou tudo o que havia de jactancioso, de incerto, de inculto e de canhestro na ascensão da maioria. Se tinha uma ideia – e julgo poder admitir que a tinha –, era a de que todos os países vão recuar ou regressar à liberdade. Como podia eu deixar de comparar este tolo como Guizot? Como era possível, contra a minha própria resistência emocional, não recordar o espírito e o saber de Paris? E quando o orador – a fim de impressionar a multidão com a grandeza da América – se referiu a mim, o comissário francês, como prova do prestígio da sua nação, senti-me tão envergonhado de mim mesmo quanto revoltado com a sua presunção.
Chegara a Albany como um convertido a um altar da liberdade, a ansiar pela minha perfeita união com a grande alma histórica. Acreditara ser possível viver a minha vida sem qualquer preocupação com o modo como a democracia me poderia prejudicar. Aspirava tornar-me um dos regatos – ou antes, ribeiros – que fazem rugir o rio do povo, contribuir com os meus dons e privilégios para a mais elevada ideia de civilização que jamais existiu. Quando, ao lado de Godefroy, ouvira ler a Declaração, o meu coração acelerara e os pêlos do pescoço tinham-se eriçado.
Mas depois apareceu o pavoroso advogado. Eu tinha entrado na igreja como convertido. Saí como o filho da comtesse de Garmont.»

[in Parrot e Olivier na América, de Peter Carey, tradução de Ana Falcão Bastos, Gradiva, 2010]

Peter Carey tem a cara num selo


Fotografia de Rebecca Hallas (The Sydney Morning Herald)

Ele e outros cinco escritores australianos, entre os quais David Malouf e Colleen McCullough. Em Portugal, Carey está editado pela Dom Quixote, pela Asa, pela Presença e pela Tinta da China; Malouf pela Assírio & Alvim; e McCullough pela Difel.

‘O Japão é um lugar estranho’ (booktrailer)

[via Livraria Pó dos Livros]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges