Franzen vs. Rushdie

Jonathan Franzen, um dos mais celebrados romancistas norte-americanos dos nossos dias, acaba de lançar as suas traduções anotadas de alguns ensaios fundamentais de Karl Kraus (The Kraus Project, na Farrar, Straus and Giroux). Ora acontece que Franzen vê nas diatribes que o satirista vienense publicava, no início do século XX, contra a tecnologia desumanizadora e o consumismo capitalista, um rasgo visionário que se pode aplicar ao estado do mundo actual, em as pessoas vivem em função dos seus perfis no Facebook e escravizadas pelos smartphones. Entre as muitas farpas lançadas em várias direcções, o autor de Liberdade (D. Quixote) escreveu que Jeff Bezos, o criador da Amazon, «pode não ser o anti-Cristo, mas assemelha-se muito a um dos quatro cavaleiros do Apocalipse» e lamentou que um escritor com o estatuto de Salman Rushdie tenha «sucumbido» à febre do Twitter. Previsivelmente, a internet em peso caiu-lhe em cima, com bloggers a chamarem-lhe de «ludita» e snob para baixo. Fleumático, Rushdie respondeu à longa prosa de Franzen (pré-publicada pelo Guardian) com os poucos caracteres de um tweet: «pois que faça bom proveito da sua torre de marfim».

A ilha deserta de Salman Rushdie

Confrontado com a clássica pergunta dos livros a levar para uma ilha deserta, o autor de Os Filhos da Meia-Noite respondeu assim:

Mr. Rushdie goes to Bollywood

A realizadora Deepa Mehta vai adaptar ao cinema Os Filhos da Meia-Noite, de Salman Rushdie, romance que ganhou não apenas o Man Booker Prize normal (em 1981), mas também o prémio Booker of the Bookers (em 1993 e 2008). A rodagem do filme, com algumas estrelas de Bollywood no elenco (Amitabh Bachchan, Rani Mukerji e Irrfan Khan), terá início em Setembro, na Índia.

O jantar dos reclusos

Durante o lançamento do número 107 da revista Granta, um blogger ouviu Salman Rushdie contar a refeição privada que partilhou, há uns anos, com Thomas Pynchon, na altura em que estava a escrever uma recensão de Vineland para o The New York Times. O post termina assim:

«”He was extremely Pynchon-eque. He was the Pynchon I wanted him to be,” explained Rushdie. He wouldn’t describe the secretive author, but wished he could have befriended Pynchon. “He never called again,” Rushdie concluded, ruefully.»

Aos 40, como aos 25

Quinze anos depois de ter sido escolhido como o Booker dos Bookers, o romance Filhos da Meia-Noite, de Salman Rushdie, mantém o estatuto. Resta saber se alguém será capaz de o destronar na próxima década (e, já agora, se continuará no topo da lista em 2068).

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges