Tereza Coelho (1959-2009)


Fotografia de Luís Vasconcelos

Nasceu precisamente 13 anos antes de mim, a 2 de Março de 1959. Ao longo dos anos, habituei-me a ler o que escrevia sobre os livros dos outros e depois a ler os livros dos outros que fazia seus (nesse minucioso, secreto e invísivel ofício que é o de editor). António Lobo Antunes, cuja obra trabalhava com desvelos maternais, nunca deixou de elogiá-la como merecia e merece.
Cruzei-me com ela poucas vezes, mas de todos esses encontros breves, e em contexto profissional, guardo a memória de uma paixão pelos livros que se sobrepunha a quase tudo o resto. Tereza Coelho era uma Leitora maiúscula, omnívora mas exigente. Se houvesse um apocalipse cultural como o previsto por Ray Bradbury em Fahrenheit 451, estou certo de que se tornaria uma mulher-livro, recitando de memória uma qualquer obra maior da literatura mundial (talvez um dos romances de Marguerite Duras que traduziu com obstinado rigor).

[No Ciberescritas, Isabel Coutinho reproduz as duas páginas do obituário do Público e faz o link para uma página onde se podem ler vários depoimentos de amigos e de pessoas que a conheceram.]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges