A Roménia é que está a dar

Primeiro foi o cinema. Realizadores com nomes tão difíceis de pronunciar como Cristian Mungiu, Cristi Puiu, Cristian Nemescu, Radu Muntean ou Corneliu Porumboiu começaram a ganhar o respeito da crítica europeia e alguns prémios importantes (exemplo maior: a Palma de Ouro de Cannes de 2007 para 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Mungiu, neste momento em cartaz nos cinemas portugueses). A nova vaga romena ganhou balanço, caiu no goto dos cinéfilos e arrisca-se a ser um fenómeno tão duradouro como o das cinematografias do Oriente, que andaram a limpar os palmarés dos festivais durante a última década.
Mas nem só de filmes com orçamentos curtos e doses maciças de ódio aos tempos de Ceausescu se faz o desabrochar da cultura romena contemporânea. Agora, a malta de Bucareste e arredores começou também a dar cartas em territórios literários. Querem um sinal? A primeira edição em língua estrangeira da prestigiadíssima The New York Times Book Review acaba de ser lançada… em romeno.
Eis a imagem da capa que marca a estreia do projecto:

NYTBR romeno

Uma pessoa põe-se logo a imaginar como seria ver naquele texto riscado a palavra liberdade em vez da palavra libertatea, não é?

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges