Atenção, pynchonianos

Eis uma daquelas notícias que nos deixam de água na boca. Thomas Pynchon tem novo romance anunciado para Setembro: Bleeding Edge, uma narrativa passada em 2001, entre o rebentar da bolha especulativa das dotcom e os «terríveis acontecimentos» do 11 de Setembro.

Mr. Pynchon goes digital, at last

Uma excelente notícia (sobretudo para quem pretende levar os camalhaços das férias todos dentro do Kindle).

Café Trystero

trystero

Inspirado no romance O Leilão do Lote 49, eis o mais pynchoniano dos cafés, a servir «paranoid conspiracy theorists since 2009».
Sai um pacote de Papua New Guinea Kimel para o senhor ali do fundo.

‘Vício Intrínseco’ (booktrailer)

Chega às livrarias na próxima sexta-feira, um dia após o anúncio, pela Academia Sueca, do novo Prémio Nobel da Literatura (e nunca se sabe, nunca se sabe).

Primeiros parágrafos

«Veio viela acima e subiu pelas escadas das traseiras, como sempre fizera. Doc já não a via há mais de um ano. Ninguém a via. Em tempos que já lá vão, andava sempre de sandálias, com a parte de baixo de um biquíni com um estampado florido e uma T-shirt desbotada dos Country Joe & the Fish. Nessa noite, estava equipada da cabeça aos pés com a indumentária suburbana e usava o cabelo muito mais curto do que a imagem que tinha dela. Tinha exactamente aquele ar que ela jurara nunca vir a ter.»

[in Vício Intrínseco, de Thomas Pynchon, tradução de Miguel Cardoso e Rita Guerra, Bertrand, 2010]

O que aí vem (Bertrand)

É uma grande, grande notícia: a Bertrand vai publicar, a 8 de Outubro (por altura da atribuição do Nobel), o último romance de Thomas Pynchon, eterno candidato ao banquete com o rei da Suécia. Na versão portuguesa, Inherent Vice vai intitular-se Vício Intrínseco.
Cá o esperamos, salivantes.

Quando Pynchon defendeu McEwan

No blogue Letters of Note (que tem como descritivo «Correspondence deserving of a wider audience») encontrei a carta que Thomas Pynchon escreveu em defesa de Ian McEwan, quando este foi acusado de ter plagiado, no romance Expiação, a autobiografia de uma enfermeira. Eis o texto integral da missiva:

«FROM THOMAS PYNCHON
Given the British genius for coded utterance, this could all be about something else entirely, impossible on this side of the ocean to appreciate in any nuanced way– but assuming that it really is about who owns the right to describe using gentian violet for ringworm, for heaven’s sake, allow me a gentle suggestion. Oddly enough, most of us who write historical fiction do feel some obligation to accuracy. It is that Ruskin business about “a capacity responsive to the claims of fact, but unoppressed by them.” Unless we were actually there, we must turn to people who were, or to letters, contemporary reporting, the Internet until, with luck, we can begin to make a few things of our own up. To discover in the course of research some engaging detail we know can be put into a story where it will do some good can hardly be classed as a felonious act– it is simply what we do. The worst you can call itis a form of primate behavior. Writers are naturally drawn, chimpanzee-like, to the color and the music of this English idiom we are blessed to have inherited. When given the choice we will usually try to use the more vivid and tuneful among its words. I cannot of course speak for Mr. McEwan’s method of proceeding, but should be very surprised indeed if something of the sort, even for brief moments, had not occurred during his research for Atonement. Gentian violet! Come on. Who among us could have resisted that one?
Memoirs of the Blitz have borne indispensable witness, and helped later generations know something of the tragedy and heroism of those days. For Mr. McEwan to have put details from one of them to further creative use, acknowledging this openly and often, and then explaining it clearly and honorably, surely merits not our scolding, but our gratitude.
»

Pynchon na Polónia

A International Pynchon Week de 2010 decorreu na Primavera, em Lublin (Polónia). Nick Holdstock esteve lá e conta o que viu neste artigo. Um texto que talvez não seja totalmente ficcional, mas parece totalmente ficcional. Haverá mesmo pynchonianos assim tão ostensivamente pynchonianos?

O jantar dos reclusos

Durante o lançamento do número 107 da revista Granta, um blogger ouviu Salman Rushdie contar a refeição privada que partilhou, há uns anos, com Thomas Pynchon, na altura em que estava a escrever uma recensão de Vineland para o The New York Times. O post termina assim:

«”He was extremely Pynchon-eque. He was the Pynchon I wanted him to be,” explained Rushdie. He wouldn’t describe the secretive author, but wished he could have befriended Pynchon. “He never called again,” Rushdie concluded, ruefully.»

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges