Cinco ruba’iyat de Umar-i Khayyam

Não tenhas medo dos infortúnios de hoje,
Não tenhas dúvidas, o tempo os apaga.
Se tiveres um momento oferece-o à alegria,
O que virá depois, deixemos para o depois.

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Quando for afrontado pela hora da morte,
Arrancado pela raiz da esperança da vida,
Do barro, meu abrigo, moldem uma jarra,
Enchendo-a com vinho, ressuscitarei de novo.

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Descobri o ser e o não ser,
Revelei mistério de cima abaixo.
Envergonha-me este todo meu saber,
Prefiro estar embriagado à fama.

***

Passei ontem no oleiro,
A sua arte é um jogo divinal,
Eu vi, embora outros não tivessem visto,
As cinzas dos antepassados nas mãos dele.

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Ó criador da criação, rei dos reis do universo,
Quem marcou os corações com as feridas de mágoa?
Escondeu os lábios de rubi,
Nas caixas de cinza onde se guardam cinzas.

[in Ruba’iyat, traduzidos do persa por Halima Naimova, Assírio & Alvim, 2009]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges