A alegria dos livros
Este vídeo, que anda a circular furiosamente pelo Facebook, é uma pequena maravilha:
‘Vai Dormir, F*da-se’ (booktrailer)
Pai recente (e por isso sensível à temática do livro de Adam Mansbach), Nuno Markl lê aquele livro para progenitores que só se pode pedir em voz baixa nas livrarias.
Ainda JLBG (2)
Peça do programa Ler Mais Ler Melhor sobre Poesia Reunida, de João Luís Barreto Guimarães.
‘Madrigal’
Tomas Tranströmer lê um poema de Tomas Tranströmer.
Rui Lage no ‘Ler Mais Ler Melhor’ (RTPN)
Sobre o livro Um Arraial Português (Ulisseia).
Diogo Madre Deus sobre David Machado
Quando lhe pedi cinco escolhas literárias, para uma secção do suplemento Actual (do Expresso), o editor da Cavalo de Ferro destacou e elogiou o segundo romance de David Machado: Deixem Falar as Pedras (Dom Quixote).
PS – Já agora, a pedido de um leitor, deixo aqui as restantes quatro escolhas:
- Ulisses e a Odisseia – A Mente Colorida, de Pietro Citati (Cotovia)
- Accabadora, de Michela Murgia (Einaudi)
- Niassa, de Francisco Camacho (ASA)
- Racconti per Una Sera al Teatro, de Luigi Pirandello (Sellerio)
eBook Design
Notas sobre o design de livros electrónicos, no Brasil.
[via Blogtailors]
Maria do Céu Guerra lê poemas de António Ferra
Excerto da leitura que a actriz fez no lançamento do livro Marias Pardas, de António Ferra (&Etc), no bar d’A Barraca, em Abril.
‘Seule existe la solitude’
Excerto do filme Un Homme qui Dort, de Bernard Queysanne e Georges Perec (1974), a partir do romance Un Homme qui Dort, de Georges Perec (1967).
Viagem à volta do quarto dele
Ontem à noite, antes de dormir. Ou desdormir.
‘Rua da Poesia’
Ou a poesia na rua.
Poema a duas vozes
Miguel Cardoso e Catarina Nunes de Almeida lêem o poema As terríveis manhãs que se seguem, de Miguel Cardoso, no último ‘Verdes São os Cantos’ (sábado, 9 de Julho, no bar A Barraca).
‘Go the Fuck to Sleep’
Uma delícia, este livrinho. A leitura de Samuel L. Jackson, outra delícia.
Adormecer crianças é difícil (todos os pais o sabem). Adormecer agências de notação financeira é mais difícil ainda.
‘Pottermore’ explicado por J.K. Rowling
Primeiras luzes sobre o site mais falado no mundo editorial este verão.
[via Blogtailors]
O meu encontro com Zoran Živković (no Festival Silêncio)
Eis a sessão completa. No início, em estreia mundial, li o primeiro capítulo (traduzido pelo editor Diogo Madre Deus) da sequela de O Último Livro, neste momento ainda um work in progress:
O vídeo foi feito por Luís Rodrigues.
O futuro do livro?
Lançada no final de Abril, a versão digital do livro Our Choice, de Al Gore, para iPad, iPhone e iPod Touch, trepou rapidamente até ao primeiro lugar no top dos livros da App Store da Apple. Embora o preço promocional seja atractivo (apenas cinco dólares; um quarto do que é preciso pagar pela edição em papel), as razões deste sucesso vão muito para além do interesse e qualidade da obra, originalmente publicada em 2009, três anos depois de Uma Verdade Inconveniente. Se nesse primeiro livro (e filme) Gore alertava para a tragédia do aquecimento global, em Our Choice sugere soluções para o problema, reunindo e partilhando o conhecimento científico que obteve junto de reconhecidos especialistas. «Temos de agir depressa» – eis o mote do antigo vice-presidente de Clinton, um optimista que acredita na força da vontade colectiva e na capacidade de as populações imporem escolhas decisivas aos políticos que as governam.
Por muito que Gore continue a ser eficaz e persuasivo no modo como transmite a sua mensagem, não é o conteúdo do livro (bastante actualizado, diga-se, ao ponto de incluir referências ao acidente na central nuclear de Fukushima, em Março) que está a criar um bruaá mediático. Esse deve-se à forma como a informação emerge literalmente do ecrã e o leitor a vai descobrindo. Amy Lee, uma articulista do site Huffington Post, escreveu que estamos a assistir «ao acto de ler a transformar-se em algo completamente novo». E David Chartier, na revista PCWorld, garante que esta nova abordagem «expande a definição da palavra livro».
Exageros à parte, entremos então em Our Choice. Os 18 capítulos do livro não se limitam a reproduzir o texto integral, mais as suas 250 belíssimas imagens, antes se organizam naquilo a que podemos chamar uma intensa experiência multimédia. Ao tocar em qualquer das fotografias, estas são ampliadas de forma a ocupar todo o campo visual e podemos depois localizar, num mapa do mundo, o sítio exacto onde foram captadas. À distância de um simples toque, fica igualmente uma hora de material vídeo, incluindo imagens de arquivo do smog mortal que se abateu sobre Londres, em 1952; das tempestades de poeira (Dust Bowl) que varreram os EUA nos anos 30; ou do discurso do presidente Jimmy Carter, em 1979, no dia em que colocou painéis fotovoltaicos nos telhados da Casa Branca – um gesto «amigo do ambiente» que foi desfeito, sete anos depois, pelo inquilino seguinte: Ronald Reagan. Mais impressionantes ainda são as muitas animações (sobre o funcionamento de uma turbina, por exemplo, ou de uma central solar) e os infográficos interactivos que vão revelando factos adicionais, à medida que os exploramos com a pressão dos dedos. Num destes infográficos, se soprarmos no microfone do aparelho «produzimos» o vento que faz girar as pás de uma torre eólica. Quanto às imagens, podemos rodá-las, dobrá-las ou até puxá-las. Navegar entre capítulos é fácil (a leitura avança ou recua em dois eixos horizontais) e os vários blocos com informação mais detalhada estão elegantemente articulados com o texto principal.
Ao transformarem Our Choice numa aplicação, Mike Matas e Kimon Tsinteris (da Push Pop Press) desenvolveram uma plataforma tecnológica que permitirá criar, de forma cada vez mais rápida e fácil, livros com um potencial interactivo ilimitado. Mas estaremos realmente a assistir aos primeiros passos do livro do futuro, essa quimera que fascina e assusta tanta gente? Manuel Alberto Valente, editor da Porto Editora e proprietário de um iPad2, comprado no próprio dia em que foi posto à venda em Portugal, não exclui essa hipótese. «O livro do Al Gore é fabuloso, sem dúvida. Abre possibilidades completamente novas no mundo da edição. Acho que este tipo de interactividade vai ser perfeita tanto para livros de divulgação científica como para a literatura infantil.» Não crê, porém, que seja aplicável às obras de ficção: «A verdadeira literatura exige um recolhimento que não se compadece com distracções acessórias.»
[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]
‘The Lost Thing’ (um vislumbre)
Trailer do filme The Lost Thing, vencedor do Oscar para a melhor curta-metragem de animação deste ano, inspirado num livro de Shaun Tan, de quem descobrimos recentemente o fabuloso Contos dos Subúrbios.
Coisas que acontecem nas estantes quando nós não estamos a olhar
‘True Grit’ (trailer)
O filme que os irmãos Cohen realizaram, a partir do romance True Grit, de Charles Portis (edição portuguesa da Presença), estreia em Portugal na próxima quinta-feira, dia 17.
Nove minutos de lucidez contra a esquizofrenia política de Berlusconi
Cortesia de Umberto Eco: intelectual à moda antiga, escritor, pensador e consciência crítica.
Jeff Buckley lê um poema de Edgar Allan Poe
No dia do aniversário de Poe, eis um dos seus poemas, Ulalume (escrito em 1847), lido pelo autor de Grace:
‘Comer Animais’ (booktrailer)
O livro foi publicado em Portugal pela Bertrand, que criou um blogue só para ele. Quanto ao site oficial, fica aqui.
On ageing
Por alguém que sabe muito do assunto e não escreve sobre outra coisa há muitos anos:
[via A Piece of Monologue]
O que aí vem (Google eBooks)
[via BlogTailors]
Um fado de Camané
Em geral, não gosto de fado. Nem do velho nem do novo (só da voz da Amália e das canções que lhe compôs o Alain Oulman). Mas gosto do Camané, das composições do Zé Mário Branco, das letras da Manuela de Freitas. Guerra das Rosas é excelente exemplo do que os três conseguem fazer, quando estão inspirados. E atentem nestes versos deliciosos, entre os 2’12” e os 2’25”: «Foste-me lendo o teu romance de amor / Sabendo que eu não gostava da história / No dia de o mandares para o editor / Fui ao teu computador / Apaguei-o da memória.»
‘Rio Homem’ (booktrailer)
O primeiro romance de André Gago, mais conhecido como actor de teatro e televisão, chega amanhã às livrarias.
O momento da verdade (em sueco)
‘Vício Intrínseco’ (booktrailer)
Chega às livrarias na próxima sexta-feira, um dia após o anúncio, pela Academia Sueca, do novo Prémio Nobel da Literatura (e nunca se sabe, nunca se sabe).
Lydia Davis nas FSG Reading Series
A editora Farrar, Straus and Giroux (FSG) organiza de vez em quando sessões de leitura com os seus autores, num restaurante russo de Nova Iorque que serve vodca caseira (chama-se Russian Samovar). A última sessão contou com a presença de Lydia Davis, uma das melhores ficcionistas americanas da actualidade (além de excelente tradutora). Eis um excerto da sua leitura de material inédito:
Ler o ‘Quixote’ no YouTube
Quijote 2.0: saiba como participar aqui (ainda há vagas).
Origami
Ou como fazer um livro em menos de cinco minutos.
Paul Auster à conversa com John Ashbery
Aconteceu domingo, no Brooklyn Book Festival. Reportagem aqui.
‘Subway Life’ (booktrailer)
«António Jorge Gonçalves desenha num jogo de observar e ser observado.» O projecto online existe aqui. A versão em papel é posta à venda no próximo dia 15, com chancela da Assírio & Alvim.
Dez factos sobre livros que não leremos num livro sobre livros
Uma provocaçãozinha feita para promover o Melbourne Writers Festival, que terminou domingo.
1951 World Series Giants Win Pennant
Lembremos o momento em que Bobby Thomson, batedor dos Giants, atingiu o cume da glória e se tornou uma lenda do basebol, ao conseguir uma tacada «ouvida em todo o mundo» (ponto de partida, décadas depois, para um gigantesco e admirável romance de Don DeLillo):
Aproximações ao dinossáurio
Oito realizadores apresentam versões diferentes do célebre microconto de Augusto Monterroso: «Quando acordou, o dinossáurio ainda estava ali.»
[via BiblioFilmes]
E agora para algo completamente diferente
Esqueçam Lady Gaga, esqueçam Christina Aguilera, esqueçam Madonna. Abram alas para Rachel Bloom e para a canção mais sexy de 2010. Um pequeno tratado sobre o poder erótico da literatura e o appeal de um mestre da FC:
Entretanto, como se depreende destes comentários, o escritor não ficou nada ofendido (nem morreu de ataque cardíaco). Antes pelo contrário. Terá mesmo «enjoyed» o vídeo de Bloom, que à sua maneira não deixa de ser uma prenda de anos antecipada. É que o autor de Fahreneit 451 cumpre 90 anos depois de amanhã.
[Descobri o vídeo no blogue BiblioFimes]
Ainda outro poema de Billy Collins
Litany, dito por um rapazito de três anos que «gosta de poesia e de a memorizar».
LITANY
You are the bread and the knife,
the crystal goblet and the wine.
You are the dew on the morning grass
and the burning wheel of the sun.
You are the white apron of the baker,
and the marsh birds suddenly in flight.
However, you are not the wind in the orchard,
the plums on the counter,
or the house of cards.
And you are certainly not the pine-scented air.
There is just no way that you are the pine-scented air.
It is possible that you are the fish under the bridge,
maybe even the pigeon on the general’s head,
but you are not even close
to being the field of cornflowers at dusk.
And a quick look in the mirror will show
that you are neither the boots in the corner
nor the boat asleep in its boathouse.
It might interest you to know,
speaking of the plentiful imagery of the world,
that I am the sound of rain on the roof.
I also happen to be the shooting star,
the evening paper blowing down an alley
and the basket of chestnuts on the kitchen table.
I am also the moon in the trees
and the blind woman’s tea cup.
But don’t worry, I’m not the bread and the knife.
You are still the bread and the knife.
You will always be the bread and the knife,
not to mention the crystal goblet and – somehow – the wine.
O desconforto de Franzen
Num momento em que é falado em todos os cantos da blogosfera literária mundial, por ter aparecido na capa da edição desta semana da revista Time, Jonathan Franzen não esconde o desconforto perante tamanha exposição mediática (um desconforto assinalado logo no perfil de Lev Grossman na Time). Mas pior do que falar para um jornalista deve ser falar para uma câmara, como se depreende deste curtíssimo vídeo em que explica os aspectos essenciais de Freedom, o romance que vai lançar no fim do mês:
O início do seu depoimento é quase um manifesto:
«This might be a good place to voice my profound discomfort at having to make videos like this since, to me, the point of the novel is to take you to a still place. You can multitask with a lot of things, but you can’t really multitask reading a book.»


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